Câmara de Albufeira suspeita de pagar o dobro por prédio

Notícia é avançada pelo Jornal de Notícias

Um prédio, vendido à Câmara de Albufeira por 1,7 milhões, mas que tinha sido comprado, meses antes, por 825 mil euros. Esta é a principal linha de investigação da Operação “Emporium” que envolve a autarquia algarvia devido a suspeitas de corrupção e fraude fiscal, segundo conta o Jornal de Notícias (JN). 

Na edição de hoje, este diário conta que o prédio, situado na baixa de Albufeira, seria «destinado à habitação social», apesar de estar «licenciado para escritórios».

De acordo com as informações recolhidas pelo JN, o imóvel terá sido «vendido a um dos arguidos», pelos tais 825 mil euros. Falamos de um empresário de Leiria, com António Colaço, presidente do Futebol Clube Ferreiras, a ser o intermediário no negócio. O dirigente desportivo, de resto, é um dos cinco arguidos no processo.

Só que, 10 meses depois, suspeita-se que o mesmo prédio foi adquirido pela Câmara de Albufeira por mais do dobro: 1,7 milhões de euros. Neste sentido, José Carlos Rolo, presidente da autarquia, já foi constituído arguido.

O Jornal de Notícias explica ainda o suposto envolvimento do presidente da Assembleia Municipal nesta Operação “Emporium”.

Paulo Freitas (também arguido) é suspeito de «mover influências políticas para obter decisões favoráveis» sobre um terreno de 40 hectares e um bar na Praia dos Tomates, que explora.

Estas são algumas das linhas de investigação deste processo que começou ontem, 4 de Março, com buscas domiciliárias e não domiciliárias, na Câmara de Albufeira, em duas sociedades em Lisboa e Leiria, bem como num escritório de advogado.

Em causa estão «suspeitas de crimes de corrupção passiva e ativa, participação económica em negócio, fraude fiscal, prevaricação e abuso de poder», conforme explicou, ontem, a Polícia Judiciária (PJ).

Uma nota do Ministério Público, desta quinta-feira, revelou que também houve buscas na sede «de um clube desportivo», o Ferreiras, bem como na Assembleia Municipal. As diligências envolveram 40 investigadores e peritos da Policia Judiciária.

Da parte da autarquia, também já houve uma reação. Numa nota enviada às redações, a Câmara, liderada pelo PSD, revelou a sua «total disponibilidade» para colaborar.

O PS/Albufeira reagiu já hoje, também em comunicado. Os socialistas manifestaram «a sua tristeza pela publicidade negativa que acarreta ao concelho toda a situação», mas também deixaram uma mensagem de que, «até prova em contrário, todos são inocentes».

Contactada pelo Sul Informação, fonte da Procuradoria-Geral da República disse que as buscas foram feitas «no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Évora».

«Nesta investigação, o Ministério Público é coadjuvado pela Polícia Judiciária», acrescentou.

De resto, o inquérito prosseguirá na 1ª secção do DIAP Regional de Évora.

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