Alunos da UAlg “presos” em Itália estão «desesperados, angustiados e irritados»

Há um outro estudante da UAlg retido na Polónia e com dificuldades em regressar a Portugal

Os três estudantes em foto do seu arquivo pessoal

«Desesperados, angustiados e irritados». É assim que se sentem os três alunos da Universidade do Algarve (UAlg) retidos em Monza, no Norte de Itália, desde que há semanas começaram, naquele país, as medidas de contenção da Covid-19. Com três voos de regresso cancelados no espaço de uma semana e meia, os estudantes queixam-se de falta de apoio por parte do Consulado.

Miguel Reis, Diogo Cordeiro e Maria Inês Laginha estudam Imagem Médica e Radioterapia na UAlg, mas, desde Janeiro deste ano, que estão em Itália, na Universidade de Milão-Bicocca, ao abrigo do programa Erasmus+.

O que poderia ser a experiência de uma vida, acabou por se tornar um pesadelo, devido à pandemia do novo coronavírus.

A meio de Fevereiro, a universidade italiana recomendou uma quarentena de 15 dias, que os jovens cumpriram. Depois, os estudantes começaram a tentar arranjar uma solução para voltar ao Algarve, o que, até agora, não conseguiram.

«Começámos a tentar sair há cerca de três semanas – duas vezes por conta própria, comprando os voos, que acabaram por ser cancelados. Depois, falámos com o Gabinete de Emergência Consultar e com o Gabinete das Comunidades Portuguesas, que nos deram o contacto de uma agência de viagens que nos marcou um outro voo, que também foi cancelado», conta Miguel Reis ao Sul Informação. 

Em «uma semana e meia, tivemos já três voos cancelados, o que é angustiante», reforça.

A situação tornou-se mais «preocupante» desde que, «há cerca de uma semana», o Consulado de Portugal deixou «de nos dar qualquer resposta».

«A partir do momento em que o caso se tornou mais público, os gabinetes começaram-se a mexer. Mas, dois dias depois, quando tentámos contactar de volta, os números não funcionavam. Tentámos por e-mail e nada. O último contacto que tivemos foi ontem, mas com a linha de apoio Covid-19, para quem está no estrangeiro, que nos disse que não conseguiriam ajudar – porque tudo está do lado do Consulado», explica o jovem estudante ao nosso jornal.

Quanto à Universidade do Algarve, «tem estado em contacto connosco e tem tentado ajudar». Disso mesmo deu conta o reitor Paulo Águas ao Sul Informação: «ainda no sábado falei com eles», adiantou.

 

Paulo Águas

 

O reitor explicou ao nosso jornal que «a Universidade do Algarve, no final de Fevereiro, quando foram identificadas as zonas de risco, nomeadamente o Norte de Itália, enviou uma mensagem aos estudantes. Nada que fosse mandatório, mas para que equacionassem a possibilidade de regressar. Explicámos também que o semestre iria ser adaptado, para que não fossem penalizados. Dois dias depois, saiu também indicação do programa Erasmus+, de que os estudantes não teriam que devolver o valor da bolsa, caso não concluíssem todos os ECTS nas universidades de destino».

No entanto, «a decisão ficou sempre do lado dos estudantes. Quando a situação ficou mais restritiva, a Direção Geral do Ensino Superior pediu-nos a informação sobre os nossos alunos no estrangeiro», que foi enviada prontamente.

Numa fase inicial, segundo Paulo Águas, este grupo de estudantes em Itália não declarou a sua vontade de regressar a Portugal. «No entanto, não estou a dizer que haja alguma responsabilidade da parte dos estudantes, porque ninguém imaginava que íamos chegar a este cenário».

Segundo o reitor, «não há muito que, nesta fase, a Universidade do Algarve possa fazer. Os alunos estão ansiosos, mas o caso está nas mãos do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Tenho estado em contacto com o secretário de Estado do Ensino Superior e com a Direção Geral para alertar para a situação. O que temos feito é tentar dar algum apoio, falar com os pais. Mas o processo é complexo».

Complexa é também a situação de outro estudante da Universidade do Algarve que está retido na Polónia, um dos países que fechou as suas fronteiras devido à Covid-19.

Marleni Azevedo, coordenadora do Gabinete de Relações Internacionais da UAlg, disse ao Sul Informação que, neste momento, além do caso de Monza, há um aluno «na Polónia que pediu para regressar. Já comprou uma passagem aérea que foi cancelada, mas ele está tranquilo».

Havia ainda outros dois estudantes da UAlg, que estavam na República Checa, que «estão em trânsito e esperamos que consigam aterrar no Aeroporto de Lisboa. Conseguiram voo para Amesterdão e estão a tentar seguir viagem. Temos estado em contacto com estes alunos».

Segundo Marleni Azevedo, dos 85 alunos da Universidade do Algarve que estavam fora do país, em programas de mobilidade, «perto de 30 já regressaram a Portugal. Outros optaram por ficar e temos alunos em Itália, Polónia e Espanha, por exemplo. Há ainda outros que nunca nos responderam aos vários contactos que fizemos e não podemos ter a certeza se voltaram pelos próprios meios».

Enquanto não há solução para o caso dos três jovens em Monza, Miguel Jesus diz que os alunos algarvios em Itália, que partilham a mesma casa, têm tentando acalmar os familiares e amigos.

«Estamos sempre em contacto com eles. Tentamos passar os dias a distrair-nos, vendo filmes ou séries e só saímos mesmo para ir ao supermercado», relata.

«No fundo, estamos à espera de uma solução que, penso, só poderá passar pela repatriação. Estamos desesperados, angustiados e irritados», conclui.

 

 

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