Universidade tem 100 bicicletas para emprestar, mas vai ter de pedalar

UAlg Eco Bike foi financiado pelo Fundo Ambiental

A Universidade do Algarve (UAlg) tem 100 bicicletas para emprestar a alunos, docentes e funcionários. O projeto UAlg Eco Bike foi apresentado esta sexta-feira, 14 de Fevereiro, Dia Nacional do Doente Coronário, no Campus de Gambelas, para ajudar a promover um estilo de vida mais saudável e para contribuir para a descarbonização.

Saúl Neves de Jesus, vice-reitor da Universidade do Algarve, explicou que «esta era uma aspiração que tínhamos desde o início e depois procurámos formas para concretizá-la».

A forma de financiamento foi encontrada através do Fundo Ambiental. Além da aquisição das 100 bicicletas, o projeto tem outras vertentes, uma vez que foram instalados pontos de estacionamento e definidos alguns trilhos nos campi, que têm informação sobre a fauna e a flora que pode ser encontrada.

Apesar de este ser um projeto feito, maioritariamente, a pensar na comunidade académica, dado que que as bicicletas são para uso dos alunos, docentes, investigadores e funcionários, desde o final do ano passado os campi passaram a estar abertos a toda a população, aos sábados, entre as 9h00 e as 18h00.

 

Isto permite que os trilhos para bicicletas e os espaços da universidade, na Penha e em Gambelas, sejam utilizados por outras pessoas para praticar desporto.

A iniciativa foi apresentada como um projeto de bicicletas partilhadas, mas funcionará mais como um «empréstimo de longa duração», segundo Saúl Neves de Jesus.

Quem quiser receber uma destas bicicletas deve fazer a sua inscrição no site da Universidade do Algarve, preenchendo um questionário.

Depois de avaliadas as condições, é assinado o acordo de cedência, até seis meses, sendo renovável. Isto significa que um aluno pode ter uma destas bicicletas à sua disposição durante os três anos do curso.

Há fatores que influenciam a decisão de atribuição das bicicletas. Por exemplo, um aluno bolseiro terá prioridade sobre um aluno que não seja bolseiro, ou um funcionário. A decisão fica a cargo da comissão gestora do projeto, composto por um elemento da Associação Académica, um elemento da reitoria e outro dos Serviços de Ação Social da Universidade do Algarve.

 

Quem recebe a bicicleta fica ainda obrigado a contratar um seguro de responsabilidade civil. Já a caução é de 30 euros, que são devolvidos no final do empréstimo.

Sophie Matias, vereadora da Câmara de Faro, aplaude esta iniciativa que «deixa o Município muito satisfeito. Vai ao encontro daquilo que temos trabalhado».

A autarquia está, aliás, a fazer estudos para lançar «muito em breve um projeto piloto de bicicletas partilhadas na cidade», adiantou.

Francisco Soares foi o representante da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta, na cerimónia de apresentação do projeto.

O professor, que é também o diretor do Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa, que tem desenvolvido várias iniciativas de promoção deste meio de transporte sustentável, considera que a disponibilização destas 100 bicicletas é um «salto gigante», mas deixou também um recado: «às vezes desculpamo-nos com a falta de ciclovias, mas se não andarmos de bicicleta, não há necessidade de ciclovias. Temos de começar por nós».

Os dados que ajudam a sustentar esta opinião foram depois realçados por Luís Nunes, coordenador do projeto UAlg Eco Bike, que estudou o panorama da capital do Algarve: «em Faro, mais de 60% das famílias não tem bicicleta em casa e mais de 80% não tem mais do que uma bicicleta, o que pode querer dizer que uma boa parte não saberá andar de bicicleta».

Está ainda a ser desenvolvida uma aplicação que irá permitir aos utilizadores mapear quais os locais mais e menos seguros para andar de bicicleta em Faro.

Luís Nunes realça que o sistema implementado na Universidade do Algarve «é semelhante ao de outras universidades. Não tínhamos capacidade para criar um sistema de georreferenciação para um modelo de bicicletas partilhadas».

E se receber uma destas bicicletas, pedale, pedale muito, porque a falta de utilização é uma das razões que podem levar ao fim do empréstimo.

 

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