Movimento de cidadãos quer defender «por todos os meios» coleção de fruteiras de Tavira

Coleção de fruteiras tradicionais da Direção Regional de Agricultura do Algarve, considerada única no país, pode estar em risco

Um grupo de cidadãos vai criar um movimento em defesa do Centro de Experimentação Agrária de Tavira e para travar o seu atravessamento por uma estrada, pela empresa pública Infraestruturas de Portugal, utilizando «todos os meios legais ao seu alcance».

O movimento surge na sequência de notícias da intenção da IP em construir uma estrada de 20 metros de largura em terrenos hoje pertencentes a este centro experimental, onde se encontra uma coleção de fruteiras tradicionais  composta por variedades endémicas do Algarve que, em alguns casos, só ali podem ser encontradas.

Esta obra será feita no âmbito do processo de eletrificação da Linha do Algarve entre Faro e Vila Real de Santo António.

A coleção de fruteiras da Direção Regional de Agricultura do Algarve tem sido, de resto, um dos cartões de visita de Tavira enquanto comunidade representativa de Portugal da candidatura que levou ao reconhecimento da Dieta Mediterrânica como Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO.

«Este Movimento de Cidadãos pela Defesa do CEA Tavira, pretende alertar, informar, formar opinião crítica e combater, por todos os meios legais ao seu alcance, o futuro projecto da construção de uma estrada de 20 metros de largura 625 metros de comprimento ao longo do terreno do CEA Tavira, inserido no projecto de electrificação da linha férrea do Algarve», resumem os membros do grupo de cidadãos de Tavira e de outros concelhos do Algarve.

Para já, está agendada uma manifestação frente a centro dia 13 de Março, às 17h00, frente ao CEA Tavira, ​inserida na Marcha Climática Global.

O projeto, «que contempla ainda a inclusão de dois cruzamentos perpendiculares abrindo precedente à edificação de uma futura malha urbana, foi decidido à porta fechada, por entidades públicas e decisores políticos regionais e da administração central, sem que tivesse havido uma consulta transparente e a devida discussão pública».

Isto apesar de até já ter sido sujeito a um Estudo de Impacto Ambiental, que já esteve em consulta pública. No entanto, a existência deste processo participativo não foi divulgado, o que levou a que passasse despercebido à população, acusam os membros do movimento.

 

 

 

O que está em causa, avisam, é «a desintegração de um campo agrário de experimentação científica, com uma colecção de fruteiras que o próprio Estudo de Impacto Ambiental (EIA) classifica como “únicas”, bem como a destruição dos seus cinco laboratórios. Está em causa a expropriação parcial de terrenos, que hoje pertencem ao CEA Tavira, e a consequente fragmentação desta propriedade».

«Em suma, estão postos em causa o funcionamento prático e a viabilidade científica deste centro que, futuramente, se vê sujeito aos mais variados tipos de poluição e especulação», acredita o movimento.

«A importância deste centro é incomensurável, pois para além de constituir-se como um reservatório de biodiversidade frutícola regional, leva a cabo estudos que, como o próprio EIA indica, estão relacionados com a Dieta Mediterrânica. Falamos de um espaço que desenvolveu pesquisas pioneiras e únicas no país no âmbito da agricultura biológica, e que acolheu durante décadas uma escola agrária», defendem os cidadãos que se mobilizaram em prol do CEA de Tavira.

O movimento salientou, ainda, o contributo que o centro deu «para o desenvolvimento experimental de práticas agrícolas que visam mitigar os impactos do aquecimento global, através de soluções ecológicas no âmbito do Plano Intermunicipal de Adpatação às Alterações Climáticas, numa altura em que este tema está na ordem do dia, das agendas mundiais».

«Se este projecto avançar como está previsto, veremos certamente, e em breve, estes espaços serem urbanizados, assistiremos ao nascimento de um Hotel, de umterminal de transportes e, cereja no topo do bolo, a ironia de um centro da Dieta Mediterrânica, tudo, certamente, em prol do desenvolvimento», concluem os membros do movimento.

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