Setor imobiliário foi tema de debate em Albufeira

José Carlos Rolo sublinhou «a dificuldade em arranjar trabalhadores para a construção civil, professores, médicos, pessoal para a hotelaria e comércio, devido à falta de alojamento»

Albufeira foi palco, esta segunda-feira, 13 de Janeiro, de um evento de debate da situação do setor imobiliário, em Portugal. 

“Pequenos Almoços do Imobiliário” foi uma iniciativa da Vida Imobiliária e do Jornal Público Imobiliário, com a colaboração do Município.

O evento, que contou com as presenças de António Gil Machado, diretor da Vida Imobiliária, José Carlos Rolo, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, José Araújo, do Millennium BCP, Ricardo Sousa da Century 21 Portugal e Ricardo Guimarães, da Confidencial Imobiliário, decorreu perante uma plateia constituída por promotores, investidores e mediadores imobiliários.

Estes encontros, que se realizam em vários pontos do país desde 2007, têm por objetivo promover a partilha de informação, a análise de oportunidades e dar a conhecer a evolução do mercado imobiliário.

António Gil Machado disse que o objetivo é «retratar a realidade imobiliária de cada região, juntando as forças vivas de cada localidade».

«As cidades fazem-se com o planeamento do território e o investimento privado que deve estar em profunda ligação», frisou.

Albufeira é um concelho turístico, o que exige muitos recursos humanos e um número compatível de alojamentos para quem aqui se desloca para trabalhar. Por isso, o investimento imobiliário tem que ser forte e acompanhar estes movimentos, defendeu José Carlos Rolo aquando da sua intervenção.

O presidente sublinhou «a dificuldade em arranjar trabalhadores para a construção civil, professores, médicos, pessoal para a hotelaria e comércio, devido à falta de alojamento».

Para colmatar a situação, a autarquia diz que «está a implementar um conjunto alargado de medidas que passam pela aquisição de casas prontas a habitar, construção de novos fogos de habitação a custos controlados, programas de arrendamento para jovens e de renda condicionada».

Entre as várias soluções apontadas, o autarca destacou «a execução do Plano Municipal de Habitação, que se encontra praticamente concluído, o investimento de aproximadamente 1 milhão de euros em 2019 para a aquisição de terrenos destinados à construção de habitação para residentes e trabalhadores no concelho, a existência das Áreas de Reabilitação Urbana – ARUs de Albufeira e Paderne que permitem a requalificação de imóveis antigos e a revisão do PDM, que se prevê fique concluída dentro de um ou dois anos».

O presidente aproveitou para agradecer à organização por ter escolhido Albufeira para a realização do encontro, tendo frisado que um concelho turístico tem que estar em sintonia com o setor imobiliário.

«Veja-se as implicações da crise económica, nomeadamente ao nível da construção e venda de imóveis, com enormes repercussões no IMT – uma receita fundamental para as autarquias. Em 2011/12 arrecadámos à volta de 6 milhões de euros, em 2015/16 cerca de 18 milhões e só no último ano aproximadamente 22 milhões. Estes dados são muito positivos, mas também algo perigosos, devido às oscilações que podem afetar as finanças do Município», disse.

José Araújo, do Millennium BCP, referiu que desde 2014 o banco colocou no mercado mais de 2000 imóveis no valor de 300 milhões de euros, dos quais 365 no concelho de Albufeira, no valor de 38 milhões de euros. Atualmente, a instituição bancária financia 17 projetos imobiliários na região, no montante de 109 milhões de euros, sendo que três são em Albufeira.

«O mercado continua atrativo, há muitos projetos na área do turismo, sendo que a maior parte dos investidores são Fundos Internacionais que continuam a acreditar no Algarve e em Albufeira devido a fatores como o clima, a segurança e os prémios que temos vindo a receber na área do turismo», explicou.

O diretor da Confidencial Imobiliário referiu que de acordo com os dados do SIR – Sistema de Informação Residencial, Lisboa e o Algarve foram os mercados que mais recuperaram depois da crise, destacando que em Albufeira o preço de venda é de 1800 metros quadrados, o segundo mercado mais valorizado na região, só ultrapassado por Loulé.

Ricardo Guimarães é da opinião de que o Brexit é um desafio enorme para a região. «Os ingleses continuam a investir no Algarve: mais de 50% das vendas são no segmento premium, nomeadamente na zona entre Albufeira e Loulé».

Por sua vez, Ricardo Sousa, da Century 21, apresentou o Estudo do Acesso à Habitação em Portugal, com dados sobre o perfil do comprador, motivações para aquisição de casa, tipologia dos imóveis, taxa de esforço financeiro, etc.

O grande desafio que se coloca, sublinhou, «é encarar as dificuldades sentidas no mercado residencial, não como um problema mas como uma oportunidade de potenciar a oferta. Por outro lado é fundamental promover uma ação coordenada do mercado da habitação, não ao nível do concelho mas da própria região».

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