Casa da Cidadania vai contar história de Lagoa «de forma diferenciadora»

Projeto para criar um espaço museológico, em Lagoa, já começou e quer estar concluído no início de 2021

Lagoa vai ter uma Casa da Cidadania, a partir de Janeiro de 2021, para contar a história do concelho e das suas figuras ilustres. O projeto, que quer ser «diferenciador até à escala regional», vai ser instalado no antigo edifício dos Paços do Concelho.

Os Encontros Internacionais da Política e da Imagem, que começaram ontem, 15 de Janeiro, em Lagoa, foram o mote para a apresentação deste futuro espaço museológico.

Já desde o início do ano passado que Lagoa anda a trabalhar neste projeto que, de início, tinha sido apresentado como MuCid – Museu dos Movimentos Sociais e Políticos e da Cidadania.

Agora, passado um ano, o MuCid deu lugar à Casa da Cidadania…mas não totalmente.

«Ao longo deste ano e meio, à mercê das conferências e das pessoas que trouxemos cá, fomos afinando o projeto. O projeto físico chama-se Casa da Cidadania. O MuCid é aquilo que era a base, o suporte digital, mas terá também uma parte expositiva permanente», explicou Paulo Lima, antropólogo e coordenador do projeto, ao Sul Informação.

Ou seja: o MuCid, que incorporará um arquivo de história oral, e a Casa da Cidadania são duas coisas diferentes, mas «que estão ligadas», sendo implementadas «no mesmo local».

 

Paulo Lima

 

«O que podemos dizer é que a Casa da Cidadania é a transformação de um espaço para exposições sobre o que é isto da cidadania, da participação pública e da política. Ao mesmo tempo, teremos uma plataforma digital para nos contar a história», acrescentou Paulo Lima.

E porquê esta alteração? «Fomos aprendendo», justificou o antropólogo. «Temos ouvido historiadores, antropólogos, museólogos… Aproveitámos para apresentar o projeto, ouvir sugestões e melhorar», explicou.

Para Luís Encarnação, presidente da Câmara de Lagoa, o grande objetivo é «sair daquele conceito tradicional do museu».

«Queremos que o nosso seja mais do que isso: uma casa de permanente presença e reinvenção, onde se podem constatar os princípios que ajudaram a criar o nosso concelho, como a liberdade, a participação, a cidadania e a política. Pensámos em não fazer mais do mesmo, mas, ao invés, acrescentar algo de novo até para a região», disse ao Sul Informação. 

O projeto ainda está a ser montado, nomeadamente a nível do espólio, mas já há algumas ideias.

«Estamos a trabalhar, mas há aquilo a que chamámos “sala do tesouro” que terá os objetos que criaram a identidade administrativa: o estandarte dos finais do século XVIII, as atas de vereação ou as fotografias de presidentes», explicou.

Segundo Luís Encarnação, também estão a ser selecionadas figuras de Lagoa, «a quem queremos dar destaque», como o General Rocha Vieira, o Remexido ou o médico lagoense João Bentes Castelo-Branco.

 

Luís Encarnação

 

A ideia passa por começar, ainda este ano, as obras nos antigos Paços do Concelho para inaugurar a Casa da Cidadania (e MuCid…) «em Janeiro de 2021», perspetivou Luís Encarnação.

Enquanto tal não acontece, os Encontros Internacionais da Política e da Imagem foram como que um ponto de partida para uma nova dinâmica cultural que se quer criar. A sessão de abertura contou com a presença de Luís Encarnação, Adriana Nogueira, diretora regional de Cultura do Algarve, e Paulo Lima.

Para o autarca, esta é uma «forma inovadora» de assinalar os 247 anos da criação do concelho de Lagoa que se comemoram hoje, 16 de Janeiro.

Destes encontros, que têm este ano a sua primeira edição, fazem parte exposições de reputados fotógrafos que foram inauguradas esta quarta-feira, 15 de Janeiro.

O fotógrafo Paulo Catrica trabalhou sobre arquitetura e as formas de habitar, resultando este seu projeto na exposição Prospectus. Augusto Brázio, por sua vez, mostra em Os filhos do sol: a busca do idílico o turismo e a indústria turística.

De um projeto sobre migrantes, desenvolvido pela fotógrafa Lara Jacinto, resultou a exposição intitulada Paraíso. Estas três mostras são as que estão patentes no Centro Cultural Convento de São José.

Por seu lado, Valter Vinagre expõe o seu trabalho intitulado Corações ao Alto com o qual procurou documentar as confissões religiosas presentes em Lagoa, no Salão Paroquial, junto à Igreja Matriz.

 

Foi ainda convidado, para esta primeira edição dos Encontros Política & Imagem, o fotógrafo João Pina que mostra, nos antigos Paços do Concelho, o trabalho que tem feito na Colômbia sobre refugiados venezuelanos.

O programa não se esgota, contudo, nas exposições – apesar de estas serem uma parte importante.

Serão também projetados filmes de Sérgio Tréfaut, entre os quais “Raiva” (dia 16, 21h30), e ainda “Waiting for Paradise” e “A Cidade dos Mortos” (17, 21h30). Todos os filmes serão apresentados no auditório Centro Cultural Convento de São José e terão apresentação da antropóloga Ana Machado.

Para sábado está reservada uma conferência de José Manuel Rosendo, jornalista da Antena 1, sobre “A Urgência de falar do Mundo”. A sessão de encerramento, às 19h00, no Auditório do Convento de São José, contará com a presença de Graça Fonseca, ministra da Cultura.

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

 

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