Imaginação e criatividade continuam a “Lavrar o Mar” em 2020

Palácio da Ajuda foi palco da conferência de imprensa do “Lavrar o Mar”

Foto: Frederick Guerr

O projeto já é mais do que reconhecido como criador de uma dinâmica cultural que antes não existia em Aljezur e Monchique. Não é de admirar, por isso, que haja «um público fiel ao “Lavrar o Mar”, que nos procura e nos pergunta repetidamente pelas nossas iniciativas». Para Janeiro e Fevereiro, estão marcados dois novos espetáculos que querem continuar a atrair cada vez mais pessoas. “A Grande Viagem de Mi” e “A Cantora Deitada” vão trabalhar «o corpo como um texto», falando de imaginação e atividade criativa. 

O “Lavrar o Mar” deixou, por um dia, Aljezur e Monchique, as terras do seu contentamento, para rumar a Lisboa. A emblemática Sala D. João VI do Palácio da Ajuda, outrora destinada a bailes, acolheu a conferência de imprensa de apresentação dos novos espetáculos, um momento acompanhado pelo Sul Informação.

Depois da tradicional passagem de ano em Monchique, que terá novo circo em dose dupla, tal como o nosso jornal já contou, 2020 começará com mais propostas surpreendentes.

“A Grande Viagem do Pequeno Mi” e “A Cantora Deitada” querem juntar adultos e crianças para espetáculos que terão dança, música e teatro.

«São dois textos do Sandro William Junqueira, um escritor que admiramos imenso. A grande particularidade destes espetáculos é que vão levantar a questão da imaginação, da atividade criativa do pensamento, de como esse é um aspeto tão importante na vida das pessoas», explicou Madalena Victorino, uma das programadoras do “Lavrar o Mar”.

 

Giacomo Scalisi, Madalena Victorino, Anabela Afonso, José Gonçalves, Ângela Ferreira, Rita Marques, Rui André e João Fernandes

 

«Muitas vezes, nem pensamos muito nisso, nessa característica do ser humano. As crianças e adultos que vierem vão ver, ao vivo, como é que o pensamento criativo e a imaginação operam», disse.

As exibições já estão marcadas: “A Grande Viagem do Pequeno Mi” estará no Espaço + de Aljezur, nos dias 18 e 19 de Janeiro, e na Sala da Junta de Freguesia de Monchique, a 23, 24 e 25 do mesmo mês. “A Cantora Deitada”, por sua vez, terá espetáculos a 8 e 9 de Fevereiro, em Aljezur, e a 13, 14 e 15 de Fevereiro, em Monchique.

Mas, além de apresentar a nova programação de Janeiro até Maio, esta conferência de imprensa ficou também marcada por duas ideias fortes: o “Lavrar o Mar” já tem um público fidelizado e a sua programação tem de ter continuidade.

«Há uma vontade muito grande das pessoas de verem os nossos espetáculos. No Verão, já nos estão a perguntar quando recomeçamos, se vamos continuar. Reconhecemos as caras das pessoas e, além de um público que vem repetidamente, também há pessoas sempre novas – um público a nascer», considerou Madalena Victorino.

É que, acima de tudo, o “Lavrar o Mar” teve o condão de se instalar num território em que a oferta cultural era escassa.

Giacomo Scalisi, o outro responsável pelo projeto, não se inibe de recordar como «havia essa falta de programação».

Só que o sucesso não se deve (apenas) a isso. «Todos os nossos eventos decorrem em locais em que o próprio território é um objeto artístico. A nossa exigência de programação também é sempre alta. Queremos, sempre, trazer as coisas que achamos que este território merece», sublinhou Giacomo.

De resto, Ângela Ferreira, secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, referiu essas mais valias do “Lavrar o Mar”. «A aposta na transversalidade desencadeou esta dinâmica cultural, com experiências artísticas como o “Medronho”», ilustrou.

A governante relacionou também o sucesso do “Lavrar o Mar” com os próprios êxitos do 365Algarve, programa que tem na sua secretaria de Estado uma das financiadoras.

«O 365 é a prova de como, no Algarve, todos os dias contam e que esta não é uma região só de sol e praia. O Algarve está mais diversificado com projetos como o “Lavrar o Mar”, que aproximam a comunidade à experiência artística», defendeu.

 

 

E quem melhor para medir o impacto no território do que os presidentes das Câmaras de Aljezur e Monchique? Ambos marcaram presença nesta conferência de imprensa, defendendo uma ideia comum: o “Lavrar o Mar” «tem de continuar», termine ou não o 365Algarve (que é um dos seus grandes financiadores).

«Este projeto tem a grande mais valia de envolver a gente destes concelhos. Não é só a notoriedade que traz: é também aquilo que fica», disse José Gonçalves, autarca de Aljezur.

Rui André, presidente da Câmara de Monchique, aludiu ao facto de todo o projeto do Lavrar o Mar estar a contribuir para um bem maior: «a formação de públicos».

«Estamos a transformar as pessoas e isso é o mais difícil, porque elas, quando veem um espetáculo, querem voltar, ver os outros. Este projeto tem feito a desconstrução daquela ideia de que a cultura só pode ser vista por uma elite, numa sala de espetáculos. Tenho a certeza de que o Algarve não seria o mesmo sem o “Lavrar o Mar”», defendeu.

Do ponto de vista do turismo, os ganhos também são evidentes. De Outubro a Maio, milhares de pessoas rumam a Aljezur e Monchique para “Lavrar o Mar” – algarvios e turistas.

«O Algarve tem de se diferenciar – tem de pegar nos seus elementos diferenciadores, porque o turista hoje procura autenticidade com sofisticação. O “Lavrar o Mar” tem feito isso de forma extraordinária», garantiu João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve.

Por isso, para o futuro, garantem Giacomo Scalisi e Madalena Victorino, a qualidade não vai baixar. «As pessoas sabem que, quando vêm ver um espetáculo do “Lavrar o Mar”, se surpreendem porque não sabem o que vai acontecer. É sempre inesperado».

Os bilhetes para os dois espetáculos de Janeiro e Fevereiro ainda não está à venda, mas mantenha-se atento porque, normalmente, as iniciativas do “Lavrar o Mar” têm casa cheia. Quanto ao novo circo da passagem de ano, os bilhetes estão à venda aqui.

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