DiVaM vai continuar a levar cultura aos monumentos do Algarve em 2020 (com vídeo)

Aproximar as pessoas dos seus monumentos é o grande objetivo

Ao todo, foram 52 atividades, de Abril a Dezembro, na Fortaleza de Sagres, Ermida de Guadalupe, Castelos de Aljezur, Paderne e Loulé, Monumentos Megalíticos de Alcalar e Ruínas Romanas de Milreu. Foi a edição 2019 do DiVaM, programa de Divulgação e Valorização dos Monumentos, lançado pela Direção Regional de Cultura do Algarve, e que terminou este sábado, dia 14, com um concerto do Nelson Conceição Trio na Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe.

Adriana Freire Nogueira, diretora regional de Cultura, foi uma das espectadoras atentas deste concerto, que fez ecoar o acordeão de Nelson Conceição, a voz de Melissa Simplício e a guitarra de Luís Trindade, entre as paredes seculares daquele monumento nacional. Entre o público, muitos estrangeiros residentes na zona de Vila do Bispo, bem como alguns portugueses, que não perdem nenhum dos espetáculos promovidos pelo DiVaM.

 

 

Para o próximo ano, revelou Adriana Nogueira ao nosso jornal, o montante destinado às atividades daquele programa, resultado da criatividade de grupos culturais e associações artísticas de toda a região, deverá ser de «65 mil a 70 mil euros». Ou seja, talvez um pouco mais do que os quase 65 mil euros destinados em 2019.

Para a diretora regional de Cultura, «o DiVaM veio para ficar». Em primeiro lugar, esta responsável salientou que gosta muito do nome e «da ideia do “vamos sair do divã para ir ao DiVaM”. Aliás, presumo que esta ideia tenha estado subjacente quando o nome foi escolhido».

«É importante que as pessoas visitem os monumentos, e o DiVaM, muitas vezes, serve de primeira desculpa para ir ao monumento, por exemplo para ver um concerto, mas, da próxima vez, já virão com mais tempo, para o conhecer. Isso pode acrescentar qualquer coisa», explicou.

E o DiVaM tem contribuído para aumentar as entradas nos monumentos algarvios sob tutela daquela Direção Regional? Em alguns casos, sim, nomeadamente nos Monumentos Megalítico de Alcalar, quando é promovido o Dia na Pré-História. Mas esses números não são fáceis de aferir.

«Não sei se se vê nos resultados das entradas, mas também não é só isso que nos interessa. É que as entradas têm a ver com todo um fluxo turístico que existe no Algarve. E o que nos interessa, com o DiVaM, é aproximar as pessoas, nomeadamente as daqui, do Algarve, os vizinhos, ao monumento».

«Estas ações podem até não produzir efeitos muito evidentes e imediatos em termos de números, mas fazem com que o nome do monumento seja falado», acrescentou Adriana Nogueira.

 

«Uma das coisas que me surpreendeu, no ano passado, quando pedi os números, é que não chegava a 60 o número de pessoas que visitou as Ruínas Romanas de Milreu usando o desconto para residentes no concelho de Faro. Também pedimos o número das pessoas que disseram “eu tenho 18 anos” para entrar de graça. Foram pouquíssimas as pessoas que entraram ao abrigo desse desconto. Fiquei também muito surpreendida».

«Também me dizem: eu não vou a Milreu desde criança…mas não será pelos 2 euros da entrada. Faro está ali tão perto, o concelho não é assim tão grande…as pessoas, às vezes, esquecem-se que têm ali um monumento nacional, muito importante, e não o visitam».

É precisamente esse o objetivo do programa criado pela Direção Regional de Cultura há já seis anos: aproximar as pessoas e as comunidades dos seus monumentos.

«O DiVaM é bom porque as pessoas pensam: há ali um concerto, vou ver, há uma exposição, vou lá. A atividade em Milreu, com o Cineclube, foi muito boa porque envolveu os pais também. Aqui em Guadalupe também se faz atividades que envolvem a comunidade, na Fortaleza de Sagres igualmente, como as promovidas pelo Centro Ciência Viva de Lagos, com um dia mesmo dedicado às famílias. Isso relembra às pessoas que têm um monumento aqui perto e que podem visitá-lo quando quiserem», salientou a responsável por aquele organismo.

«É um trabalho vagaroso, paulatino, de sensibilização para a presença do monumento», admitiu.

Adriana Nogueira faz questão de falar da «ideia que ando a tentar promover, que é a de criar os Amigos dos Monumentos. Não posso ser eu a fazer isso, tem de ser a comunidade a organizar-se e criar esse grupo de amigos à volta do seu monumento».

 

Por outro lado, até para organizar melhor a distribuição de verbas para apoios, a diretora regional de Cultura anunciou, na sua entrevista ao Sul Informação, que o programa de Ação Cultural deste organismo vai ser «reorganizado» para «ficar mais parecido com o modo de funcionamento do DiVaM».

É que, ao contrário do DiVaM, que tem um período de pouco mais de um mês de candidaturas logo em Janeiro de cada ano, o programa de Ação Cultural tinha «candidaturas de Janeiro até Julho e as pessoas iam pedindo. Mas depois gastava-se o dinheiro todo nesses primeiros meses do ano e, quando chegava a Julho, aparecia um projeto interessante e já não havia dinheiro».

«Este ano vamos mudar a metodologia e abrir um período mais curto de candidaturas, como o DiVaM», anunciou.

Isso acabará por beneficiar as associações e artistas que se candidatam, uma vez que passam a saber, a cada ano, com o que podem contar, em termos de apoios oficiais da Cultura.

«No programa de Ação Cultural, as associações podem concorrer com dois projetos, no DiVaM podem concorrer com outros dois projetos. Na realidade, as associações podem ter quatro projetos apoiados pela Direção Regional de Cultura. O DiVaM obriga-as é a vir aos monumentos e a fazer coisas aqui», acrescentou Adriana Nogueira.

«As associações são muito criativas, com ideias muito interessantes, que nós, na Direção Regional de Cultura, gostamos de apoiar», concluiu a diretora regional.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

 

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