A «princesa» Maria da Conceição celebrou 107 anos em São Brás

A história de uma mulher que é um símbolo de vitalidade

Quando a dona Maria da Conceição chegou, já tudo estava pronto para a receber no Lar da Santa Casa da Misericórdia de São Brás de Alportel. O bolo de aniversário estava na mesa, as velas acesas. A sala, decorada para a ocasião, recebeu-a com todo o carinho. Ela sorriu, saiu do elevador e caminhou pelo seu próprio pé até perto das dezenas de pessoas que a esperavam para lhe cantarem os parabéns. «Que todos tenham muita saúde: é isso que desejo!», disse, do alto dos seus 107 anos.

A dona Maria da Conceição é um símbolo de vitalidade. Quando nasceu, no longínquo ano de 1912, ainda nem São Brás de Alportel era concelho, mas, sim, uma freguesia de Faro. Ontem, 22 de Dezembro, comemorou 107 anos, fortemente vividos.

Nascida em São Romão, trabalhou no campo desde sempre. Apanhou alfarroba, azeitona, favas e viveu, na sua casa, até aos 99 anos.

Há oito anos que está no Lar da Santa Casa da Misericórdia. «Todos temos um carinho especial por ela. É como se fosse uma de todos nós», disse Júlio Pereira, o provedor da Santa Casa, com um olhar enternecido para a centenária.

 

 

Mas a «nossa princesa», como lhe chamou Júlio Pereira, teve direito a uma verdadeira festa, onde não faltou o bolo e o champanhe. Afinal de contas, não é todos os dias que se celebram 107 anos…

Com todos à volta da mesa, a dona Conceição fez questão de agradecer a presença da neta, do bisneto e de tantos amigos que até prendas lhe levaram.

Das mãos de Vítor Guerreiro, presidente da Câmara de São Brás, e João Rosa, presidente da Junta, recebeu dois ramos de flores. Da parte do Lar onde vive, ganhou uma fotografia ao lado de outros utentes, para pôr na sua mesa de cabeceira. «Mas olhem que eu já não tenho idade para prendas», atirou, para riso geral.

É que, aos 107 anos, a dona Conceição mantém-se na posse de várias das suas faculdades: ainda anda pelo seu próprio pé, apenas com a ajuda de um andarilho, e consegue ter uma notável lucidez no discurso.

Na missa, que se celebra mensalmente no Lar, acompanha todos os dizeres da eucaristia. «Ela até responde ao senhor padre. É extraordinário!», disse Júlio Pereira.

O segredo? «Eu acho que é o facto de ela seguir as rotinas, de querer andar pelo seu próprio pé. Todos os dias, levanta-se e toma o pequeno almoço, de forma autónoma, apenas com algum auxílio», considerou ainda.

 

 

Ainda há dias, todos no Lar da Santa Casa apanharam um susto. «A dona Conceição tropeçou e caiu. Jogámos as mãos à cabeça e pensámos logo: pronto, isto é o princípio do fim. Nada disso! Ela reagiu logo, levantou-se e apenas disse que estava um pouco dorida, mas ficou bem rapidamente», contou o provedor Júlio Pereira.

Como se vê, não é qualquer coisa que a vai deitar abaixo. Para Vítor Guerreiro, presidente da Câmara, a dona Conceição é uma «fonte de inspiração e um exemplo». «Que dádiva chegar a esta idade… É prova, também, do excelente trabalho da Santa Casa da Misericórdia», disse, junto à sua mais que centenária munícipe.

Já a dona Conceição não escondia a alegria. «Se gostei da festa? Gostei claro! Todos me tratam muito bem aqui», atirou.

E para o ano? Como vai ser? Júlio Pereira não tem dúvidas.

«Nós faremos a nossa parte. A dona Conceição vai fazer a sua e, a 22 de Dezembro de 2020, cá estaremos outra vez para os 108».

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

 

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