Trotinetes saíram do Algarve, mas voltam dentro de momentos

Uma das duas empresas que operava em Faro, a Circ, diz que apenas suspendeu o serviço e que «não desistiu de Faro»

Chegaram no início de 2019 e não ficaram nem um ano. As trotinetes, que num primeiro momento geraram muita curiosidade, já foram embora de Faro e de Portimão, mas deverão regressar em breve.

Contactada pelo Sul Informação, Sophie Matias, vereadora da Câmara de Faro, confirmou que, «neste momento, não há aqui trotinetes» e que as duas empresas que alugavam esse equipamento na capital algarvia, a Voi e a Circ (que antes se chamava Flash), se retiraram do concelho.

«Estas operações entram e saem das cidades. No nosso caso, não temos nenhuma regulamentação, não há nada que impeça a entrada ou a saída destes negócios. Apenas temos memorandos de entendimento», disse.

A vereadora da Câmara de Faro diz não ter «informação em concreto do que aconteceu» para que as empresas saíssem, mas acredita que «poderá ter sido uma questão financeira».

No caso da Circ, com quem o Sul Informação falou, a empresa garante que «não desistiu do Algarve», embora tenha «suspendido a operação».

«A operação, em Faro, tem corrido bem e temos um bom diálogo com a Câmara. Em Portimão, tínhamos um projeto-piloto que terminou em Outubro, tinha uma data de término definida. Mas o feedback que temos da Câmara é de que correu bem e que o projeto é para prolongar», enquadrou fonte oficial da empresa.

«O que nós achámos foi que, nesta altura do Inverno, seria oportuno fazer uma suspensão da operação para aprofundar os acordos com as outras autarquias. Ou seja, não existe aqui uma desistência. O objetivo é suspender para preparar para 2020», acrescentou a mesma fonte.

Quando se instalou em Faro, a então Flash tinha «a expetativa de alargar a operação a outras cidades do Algarve, de modo a que o negócio fosse viável, tendo em conta que estamos a falar de um investimento grande. Para este tipo de serviços, é necessário haver escala».

«Nós temos vindo, ao longo destes últimos meses, a encetar contactos com diversos municípios do Algarve. Mas isso leva o seu tempo. No entanto, pensamos que, em 2020, haverá mais municípios algarvios a aceitar projetos piloto com trotinetes, como já aconteceu em Portimão e em Faro», disse ainda a fonte contactada pelo nosso jornal.

Já a Voi, uma empresa de origem sueca, retirou-se de Portugal, como a própria anunciou, devido à desorganização do setor, nomeadamente na cidade de Lisboa.

 

Sophie Matias

 

Entretanto, revelou a vereadora Sophie Matias, há outras duas empresas que «estão com vontade de entrar em Faro. Com uma delas, até já assinámos um memorando de entendimento».

Estes acordos estipulam que a Câmara não se opõe à entrada destas operadoras e que «as empresas têm de fornecer, mensalmente, dados e informação sobre a operação» e reunir-se com regularidade com o executivo. Também ficou escrito que, caso houvesse problemas graves associados a estes equipamentos, as empresas «teriam de sair imediatamente».

A experiência das trotinetes é, de resto, vista «com bons olhos» pelos responsáveis autárquicos farenses.

«Fui eu que estive em contacto com as empresas e, numa primeira fase, percebeu-se que era mais para experimentar, era visto como instrumento de lazer – uma brincadeira, vá. Mais tarde, houve uma transformação na utilização das trotinetes como transporte de last mile, ou seja, para fazer a última milha», contou Sophie Matias.

Nesta segunda fase, «viam-se muitas trotinetes estacionadas à porta de edifícios, na orla da cidade, durante a noite».

«Para mim, a vantagem das trotinetes foi que introduziram o tema da mobilidade suave. Há agora um novo olhar e as pessoas perceberam que pode haver outros meios de transporte alternativos ao automóvel. Houve discussão e um reolhar para estas questões», disse a vereadora da Câmara farense.

De resto, acrescentou, não houve problemas de maior associados a estes equipamentos. «Com a polícia, percebemos que não houve acidentes de monta, nada de dramático. Também não nos chegaram muitas queixas, apenas uma ou outra coisa pontual, como uma trotinete que foi parar à doca ou que estava mal estacionada», garantiu.

Em breve, é expectável que se volte a ver trotinetes na capital algarvia, mas nada garante que fiquem muito tempo. «Este é um mercado que flutua muito, que é muito volátil. Afinal, isto não é um transporte público», concluiu Sophie Matias.

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