Tavira terá ponte «que se diluirá na paisagem» e respeitará o centro histórico

Ana Paula Martins garante que o projetista conhece Tavira e que teve cuidado para que a ponte se enquadrasse

Imagem do projeto da nova ponte sobre o Gilão

Será uma ponte que dará primazia ao trânsito pedonal e ciclável e que se «diluirá na paisagem». A garantia foi dada ao Sul Informação por Ana Paula Martins, presidente da Câmara de Tavira, que considera não haver razão para a contestação à nova ponte sobre o rio Gilão, na baixa da cidade.

A Câmara de Tavira reagiu às críticas do movimento de cidadãos Tavira Sempre, que exigiram a suspensão do projeto da nova ponte, na sequência do início dos trabalhos de desmantelamento da velhinha ponte militar, que era para ser provisória, mas que foi usada mais de duas décadas.

A autarquia garantiu que a nova ponte se irá enquadrar bem na paisagem e refutou que o processo tenha avançado à revelia da população, em resposta às acusações e exigências feitas pelo movimento.

Contactada pelo nosso jornal, Ana Paula Martins reforçou esta posição e falou também da questão de a ponte prever uma via para trânsito automóvel, outra das críticas do Tavira Sempre, que considera que a nova travessia irá «trazer mais trânsito para o centro histórico».

«Para mim, estar a fazer um investimento desta dimensão e não deixar preparada a possibilidade de haver uma via de trânsito, nem que seja para veículos de emergência, não faria sentido», disse.

Ainda assim, a ideia «será sempre manter uma lógica pedonal e dar alguma continuidade aquela que foi a requalificação da Praça da República». Ou seja, será sempre dada preferência ao peão e o trânsito «será sujeito a regras muito apertadas».

 

Ana Paula Martins

Ana Paula Martins admite, inclusivamente, que esta via destinada ao trânsito automóvel pode ser fechada, em determinados períodos, «como já acontecia com a ponte militar. Mas a faixa está lá e, à partida, é para ser utilizada, pois acho que faz sentido ter uma parte de trânsito».

O Tavira Sempre também faz considerações em relação à estética da ponte, dizendo que se assemelha «a um mero viaduto, de dez metros de largura».

«O projetista é conhecedor da cidade e teve a preocupação de pensar numa ponte que se diluísse na paisagem e que fosse o mais discreta possível. A ideia é que não entre em conflito com a Ponte Romana, o nosso ex-libris, e com o resto do centro histórico», explicou Ana Paula Martins.

«Houve, inclusivamente, um estudo de quais as cores a ser utilizadas, levado a cabo pela Universidade de Lisboa. Não é verdade que a ponte tenha sido posta ali sem pensar na envolvente, essa preocupação está bem patente», assegurou a edil tavirense.

Já na nota de imprensa que a Câmara de Tavira enviou às redações, é salientado que «o desenho da nova ponte corresponde a uma reinterpretação contemporânea das construções formais existentes no local. A infraestrutura que começa, agora, a nascer, caracteriza-se pela simplicidade, leveza e qualidade de acabamentos».

 

Imagem do projeto

Outra questão que levou o Tavira Sempre Movimento Cívico a exigir a paragem de todo o processo é o facto de, alegadamente, a população se ter visto «completamente arredada do debate público e da decisão tomada pelo executivo camarário».

Neste campo, a presidente da Câmara afirmou que o município nunca escondeu a sua intenção, que foi publicitada por diversos meios, lembrando que um projeto «deste tipo não carece de discussão pública. Esta obra constou dos nossos programas eleitorais e foi sempre por nós publicitada, incluindo em feiras e nas revistas municipais».

«O avanço desse projeto foi noticiado, no site, nas redes sociais e na comunicação social, em Março de 2016, assim como nas edições de Janeiro de 2016 e 2017 da revista municipal. Nesta última publicação, a edilidade deixou clara qual a solução pensada e informou tratar-se de uma estrutura de betão, assente em dois pilares, face à distância entre as margens. Frisou, ainda, a vontade de manter aberto o trânsito automóvel, tornando-se urgente a sua substituição por uma estrutura definitiva que garanta as condições de segurança dos utentes», lê-se, ainda, na nota de imprensa.

Por outro lado, «em Janeiro de 2018, o executivo promoveu uma sessão de apresentação do projeto, com a presença do responsável pela sua elaboração, o engenheiro Júlio Appleton, destinada aos autarcas do concelho (membros da Assembleia Municipal, nos quais se incluem os Presidentes de Junta de Freguesia), onde foi explicada detalhadamente a preocupação com a estética, a funcionalidade e o enquadramento com a envolvente».

Hoje, a Tavira Sempre enviou nova nota às redações, onde reafirma as críticas antes feitas.

Ana Paula Martins garante, por seu lado, que «há muita gente a favor da ponte», nomeadamente entre os comerciantes da baixa.

«A autarquia agiu com toda a transparência e esta intervenção, em conjugação com outras obras realizadas recentemente e a futura requalificação das margens, cujos projetos se encontram ainda em execução e visam privilegiar a circulação pedonal, as bicicletas e outros modos suaves, irão beneficiar e valorizar a zona nobre da cidade», conclui a nota da Câmara de Tavira.

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