Polémica entre Câmara de Loulé e Autódromo cancela motocross na Cortelha

35 mil euros estão na base da discórdia

Foto: Sarah Kinrade

A Cortelha, uma das capitais regionais do motocross, ia ser palco do final da International Six Days Enduro, a mais antiga prova de motociclismo mundial, mas a falta de 35 mil euros cancelou a especial agendada para 16 de Novembro. A polémica envolve o Autódromo Internacional do Algarve (AIA) e a Câmara de Loulé que trocam acusações mútuas. 

Da parte do AIA, que é a entidade responsável pela organização, a justificação é fácil: «cada município tem de apoiar os custos inerentes à passagem das provas». 

As palavras são de Paulo Pinheiro, o CEO da Parkalgar, que gere o Autódromo, em declarações ao Sul Informação. 

«A prova tem de ser autosustentável e todos os municípios por onde vai passar – Portimão, Monchique e Vila do Bispo – estão a apoiar. É um princípio básico. A Câmara de Loulé disse que também o faria, mas, na semana passada, recebemos uma declaração formal a dizer que não apoiaria nem em ambulâncias, nem polícias. Nem nada», acusou.

 

Paulo Pinheiro, administrador da Parkalgar

O Sul Informação foi também ouvir Vítor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé, sobre esta questão. O autarca negou, de forma categórica, qualquer «quebra de compromisso».

«O que aconteceu foi que a Câmara de Loulé não aceitou dar uma ajuda monetária de 35 mil euros, com a qual nunca se tinha comprometido. Agora, a autarquia aceitou colaborar, por exemplo, ao nível de promoção do evento, na montagem de estruturas de apoio e até ao nível da isenção na cobrança de taxas das licenças, para que a prova pudesse ter lugar no circuito de Motocross da Cortelha», justificou.

«Dispusemo-nos a colaborar com a Associação de Amigos da Cortelha no sentido de também preparar a pista para a prova correr bem em termos de segurança», disse ainda.

Apesar de lamentar o sucedido, Paulo Pinheiro garantiu que, dado este panorama, «não havia condições» para levar a prova para aquela localidade do concelho de Loulé.

«Andámos meses a tentar fazer com que a prova passasse na Cortelha, para uma especial. Era uma situação até difícil, em termos logísticos, mas achámos importante», disse.

Só que, desde o início, garantiu, «também fomos claros com os mecanismos que seriam necessários».

«As Câmaras de Vila do Bispo, Monchique e Portimão vão apoiar o evento, com uma parte dos custos inerentes. No último dia, naquele que seria quiçá o mais importante, não podíamos ir para Loulé sem suportarem também parte dos custos», reforçou.

 

Vítor Aleixo

 

Vítor Aleixo também lamentou toda esta polémica. «A única resposta negativa foi para essa contribuição dos 35 mil euros e acho que foi isso que quebrou a passagem da prova aqui. A Associação dos Amigos da Cortelha tinha todo o apoio no sentido da logística e tudo, mas a verdade é que perde a passagem de uma prova internacional», disse.

De resto, a própria associação já emitiu um comunicado, onde disse estar surpreendida com a situação.

«Trata-se de uma decisão sem ética, irresponsável e incumpridora dos compromissos assumidos entre as duas estruturas. Todas as contrapartidas impostas pelo Autódromo Internacional do Algarve foram e estavam asseguradas por uma vasta equipa da Associação dos Amigos da Cortelha, de modo a que a especial de Motocross na Cortelha e o momento de consagração dos vencedores dos ISDE 2019 fossem um sucesso», dizem.

E, nesta luta entre Câmara e Autódromo, a Associação parece estar do lado da autarquia, uma vez que realça o «papel importante, empenhado e dedicado» de Vítor Aleixo em todo o processo.

Certo é que, polémica à parte, estes International Six Days Enduro 2019, que se realizam, pela primeira vez, no Algarve, vão passar por Portimão (Kartódromo), Monchique e Vila do Bispo.

A prova arranca na próxima segunda-feira, 11 de Novembro, e vai juntar cerca de 600 pilotos de mais de 24 países.

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