Miúdos e graúdos mostraram aos seus o que é viver as Ruínas Romanas de Milreu

Alunos, a sua professora, os pais e outros familiares, alguns graúdos que também participaram no projeto, fizeram a festa no monumento

O pequeno filme, a preto e branco, com música «de filme de terror», como comentou um dos miúdos, arrancou, ainda assim, gargalhadas a quem assistiu à sua exibição, em duas sessões seguidas na pequena sala da casa rural de Milreu, este sábado.

A curta-metragem foi realizada por Hernâni Maria Cabral, que até é funcionário das Ruínas Romanas de Milreu, tuteladas pela Direção Regional de Cultura do Algarve.

O objetivo foi registar e mostrar o que foi acontecendo ao longo das semanas que durou o projeto «Oficina das Viagens», que envolveu miúdos e graúdos da vizinha aldeia e da freguesia de Estoi. «Usei o telemóvel para fazer as imagens, muitas vezes eles nem se aperceberam que eu estava a filmar», contou Hernâni Maria Cabral ao Sul Informação.

E foi o reconhecerem-se no filme que arrancou gargalhadas aos miúdos e aos seus familiares, que encheram por duas vezes a sala da casa rural que integra este monumento nacional, situado a curta distância de Estoi, no interior do concelho de Faro.

Depois, já ao ar livre, seguiu-se a entrega dos trabalhos artísticos feitos quer pelos jovens alunos de uma das turmas da escola do 1º ciclo de Estoi, quer por algumas senhoras idosas que aceitaram participar nas oficinas de exploração.

Uma delas, a D. Noémia, estava presente na entrega dos trabalhos e revelou ao nosso jornal que esta foi a primeira vez que pintou. «Foi muito importante para mim participar nisto», confessou.

Os trabalhos artísticos, feitos sobre desenhos de alguns dos elementos das Ruínas Romanas, como os seus mosaicos com peixes e outros seres marinhos, foram depois coloridos e decorados ao gosto de cada um dos participantes.

E foram também transformados «num objeto pessoal, um individual de mesa, quer seja para a de refeição, quer seja para o tampo da secretária de trabalho», como explicou Isa Mateus, do Cineclube de Faro, coordenadora do projeto.

Mas as oficinas de exploração também passaram pela escrita, construindo histórias a partir da História.

 

Na entrega dos trabalhos realizados, esteve Adriana Nogueira, diretora regional de Cultura, Graça Lobo, dirigente do Cineclube de Faro, e ainda o presidente da União de Freguesias de Conceição e Estoi.

Isa Mateus explicou ao Sul Informação que o projeto, integrado no programa DiVaM – Dinamização e Valorização dos Monumentos e por ele financiado, integrou «várias oficinas para uma única viagem. Foi um percurso em que começámos por ver um filme e explorá-lo. Tivemos depois uma oficina de escrita na paisagem, com vários momentos, durante a qual lhes dei um desafio incrível, que era, com poucos regras, que escrevessem o que lhes apetecesse. Este é o desafio mais difícil que se pode fazer a quem escreve, muito mais a quem não tem o hábito de escrever. E todos fizeram histórias fantásticas!»

«Para culminar», explicou Isa Mateus, «tivemos uma oficina de traço, com base nos tons e cores do filme. Depois, com papel de recorte, criaram um objeto pessoal, para que fique junto deles este viver e brincar no património. E para que nunca se esqueçam que estiveram cá, que sabem agora mais do que os outros».

Para a principal coordenadora do projeto, «foi muito bonito trabalhar com miúdos e graúdos ao mesmo tempo, foi muito estimulante estarem todos juntos, sem diferenças».

Mas, para se chegar ao resultado final que no sábado, dia 16, foi apresentado à comunidade de Estoi, «tudo isto teve um largo trabalho prévio de contacto com a escola e com a Junta de Freguesia, para que a comunidade soubesse que isto ia acontecer e participasse».

A «Oficina das Viagens» foi dinamizada por Isa Mateus, Bruno Cortes e pela professora Silvina Rita e integra-se no programa DiVaM – Dinamização e Valorização dos Monumentos.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

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