Ministro diz que sem oceano sustentável «estragamos o turismo»

Congresso internacional sobre stress nos oceanos decorre até hoje, 12 de Novembro

«Se não houver um ambiente marinho sustentável, com biodiversidade, estamos a estragar o turismo». As palavras são de Ricardo Serrão Santos, o novo ministro do Mar, que fez, esta segunda-feira, 11 de Novembro, a sua primeira deslocação à região, enquanto governante, para participar na abertura do congresso “O Stress nos Oceanos”, a decorrer na Universidade do Algarve. 

Ricardo Serrão Santos, que tem larga experiência nesta área (foi, aliás, presidente do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores), elencou algumas das áreas que, no seu entender, vão ser prioritárias nesta legislatura.

«Há questões nas quais teremos de avançar, como o programa da rede de áreas marinhas protegidas. O Algarve é uma região particularmente importante do ponto de vista do desenvolvimento turístico, onde o oceano e o mar têm um papel crucial», começou por dizer.

 

 

Para Ricardo Serrão Santos, porém, é «preciso procurar um equilíbrio de sustentabilidade entre o desenvolvimento do turismo e a manutenção dos recursos, das paisagens e do ambiente marinho».

É que, considerou, «se não houver ambiente marinho sustentável, com biodiversidade que atrai e tem valor económico, estamos também a estragar o turismo».

A questão das pescas também é crucial na região. A apanha da sardinha, como se sabe, já enfrenta restrições e, mais recentemente, até houve críticas, no Algarve, sobre as interdições à pesca do biqueirão.

Confrontado com o tema das quotas, o ministro disse que os «mananciais têm de ser geridos». «Temos de ter em conta o conhecimento científico, mas também o diálogo constante com as próprias comunidades», explicou.

«Há muitos elementos de incerteza – sobretudo nos tempos das mudanças climáticas – e eu acho que esse diálogo está a ser feito com os pescadores. Há instrumentos financeiros que têm sido aplicados, como as compensações», acrescentou, ainda, em declarações aos jornalistas.

De resto, Ricardo Serrão Santos defendeu que, nesta legislatura, há questões gerais «que temos de desenvolver», como a «aposta nas energias renováveis azuis, a biotecnologia ou a aquacultura azul. São temas de futuro e com pouco impacto nas alterações climáticas», disse.

 

Maria João Bebianno

 

Este congresso internacional, que decorre até esta terça-feira, 12 de Novembro, no Campus de Gambelas da Universidade, tem como objetivos discutir – e examinar – o estado do oceano.

«A conferência realiza-se nos 40 anos da Universidade e nos 20 do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA). Queremos dar a conhecer a avaliação global do estado do oceano que está a ser feita pelas Nações Unidas, da qual eu faço parte num grupo de peritos», explicou Maria João Bebianno, coordenadora do CIMA, ao Sul Informação. 

Os temas principais, que vão estar em cima da mesa, passam, por questões como os plásticos, o turismo, a literacia e «a próxima década do oceano que vai definir toda a estratégica para a investigação».

É que o CIMA, defendeu, tem «um papel importante» para o futuro dos trabalhos sobre o oceano.

«Nós tocamos em muitas destas áreas que estão em discussão, como a contaminação, as alterações climáticas, a biologia e a gestão costeira», exemplificou Maria João Bebianno ao nosso jornal.

Na sessão de abertura do congresso, também marcou presença Alan Simcock, coordenador do Grupo de peritos da Avaliação Integrada do Estado do Oceano, das Nações Unidas.

Este responsável defendeu, a propósito deste congresso, que a «literacia sobre os oceanos é algo crucial».

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

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