Greve de funcionários (com apoio de pais e alunos) fecha escolas do Montenegro e dezenas de outras

Paralisação foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais

«Queremos mais funcionários!», «Queremos mais segurança na Escola!» gritou a meia centena de crianças e pais, com alguns funcionários à mistura, à porta da escola EB 2,3 do Montenegro, em Faro, que desde esta manhã está fechada devido à greve nacional do pessoal não docente.

Um pouco por todo o Algarve (e não só), o cenário é de escolas fechadas, numa greve de funcionários que também conta com apoio de pais e alunos. É este o balanço da paralisação que encerrou, esta sexta-feira, 29 de Novembro, dezenas de estabelecimentos escolares em toda a região.

João Geraldes, presidente da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas do Montenegro, disse ao Sul Informação que pais e alunos estavam ali à porta, empunhando cartazes e gritando palavras de ordem, «em solidariedade com os funcionários não docentes».

«Neste momento, em todo o Agrupamento, há quatro baixas crónicas de funcionários que não são substituídos. Pelo menos, se colocassem esses quatro, já era uma ajuda», acrescentou.

João Geraldes sublinhou que a falta de funcionários «implica falta de segurança e de vigilância, e os pais não ficam descansados».

O Agrupamento, explicou, «tem perto de 900 alunos» e só a Escola EB 2,3 «tem cerca de 500». «Os rácios falam de um funcionário para cada 100 alunos, mas sabemos que é manifestamente pouco ter dois ou três funcionários a olhar por esta gente toda, é uma escola grande, com dois pisos, muitos corredores».

Apesar de nunca se terem registado graves problemas de segurança no Agrupamento, o presidente da Associação de Pais salienta que há sempre «coisas» que vão acontecendo: «agressões entre as crianças que podiam ser evitadas, crianças que saem da escola quando não deviam, pulando as cercas, por falta de vigilância. Na escola dos mais pequenos, já houve crianças que fugiram e depois tiveram de andar à procura delas no exterior. Felizmente ainda não aconteceu nenhuma desgraça, mas o melhor é prevenir para as evitar».

 

 

Durante a manifestação dos alunos e pais, quando estavam em direto para uma das televisões nacionais, os miúdos começaram a gritar «Albertina! Albertina!», em vez das palavras de ordem habituais. E quem é Albertina? É Albertina Gomes, funcionária da Escola EB1 do Montenegro há 13 anos .

Esta que é a mais antiga auxiliar a trabalhar no Agrupamento, salientou, em declarações ao Sul Informação, que «falta uma ou duas colegas na nossa escola, pelo menos. Temos três turmas do 1º ano, de crianças de seis anos, temos três turmas do 2º ano, de sete anos, são muito pequenos. E temos falta de funcionários para garantir a segurança deles».

E quais os problemas que podem acontecer, por falta de vigilância? Albertina Gomes fala sobretudo dos recreios, durante os quais só há duas auxiliares. E os miúdos, em especial os mais novinhos, «podem cair quando se empoleiram», por exemplo.

Quanto à greve, a que aderiu, Albertina Gomes explica que se destina a «dar força à nossa luta, para ver se enviam novas colegas para a nossa escola».

E, de facto, há dezenas de escolas fechadas em toda a região algarvia. Apesar de ainda não ter percentagens, Rosa Franco, dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, disse ao nosso jornal que a adesão à greve no Algarve «é muito grande».

«Em Lagos, Olhão e Albufeira, todas as escolas estão encerradas. Em Faro, por exemplo, só abriram as duas Escolas Secundárias: João de Deus e Tomás Cabreira. Já em Tavira, a adesão também foi total: apenas a Escola D. Paio está aberta, mas sem aulas, funcionando serviços como a secretaria», adiantou.

O Sul Informação sabe ainda que a Escolas Secundárias de Loulé e Laura Ayres (Quarteira) e a Escola Básica Padre João Coelho Cabanita (Loulé) também estão encerradas.

Para Rosa Franco, esta greve, que foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, «é uma vitória dos trabalhadores».

«Temos os trabalhadores do setor a reivindicar por condições de trabalho porque há mesmo muita falta de pessoal não docente nas escolas. A maioria está a fazer o trabalho de dois ou três ao mesmo tempo», considerou.

Além disto, a paralisação também foi convocada devido aos baixos salários auferidos pelos funcionários. «Temos pessoas com 20, 25 e 30 anos de carreira a ganhar o salário mínimo. O sentimento é de grande revolta», concluiu.

 

Fotos e vídeo: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

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