Congresso europeu de confrades terminou em Albufeira com balanço positivo

Iniciativa já terminou

«O balanço é extremamente positivo». É esta a avaliação que José Carlos Rolo, presidente da Câmara de Albufeira, faz do XVII Congresso Europeu de Confrarias Vínicas e Gastronómicas que terminou este domingo, 10 de Novembro, onde até houve tempo…para um hino dedicado ao camarão.

Houve um «elevado número de confrarias aqui presentes de diversas regiões da Europa e de Macau. Mais de 600 pessoas tiveram a ocasião de apreciar as nossas paisagens, a nossa gastronomia, tradições e cultura, e são muitos os que dizem que vão regressar», refere José Carlos Rolo.

«É uma prova de que Albufeira continua ativa também na chamada época baixa. Creio que o resultado não poderia ser melhor. Estão todos muito satisfeitos», disse o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, após um almoço no EMA – Espaço Multiusos de Albufeira, de centenas de confrades e confreiras oriundos de 207 confrarias vínicas e gastronómicas de Espanha, Itália, França, Grécia, Bélgica, Hungria, Macau e Portugal.

O almoço ofereceu diversas especialidades algarvias, como carapau alimado, cenoura algarvia e outros acepipes, de entrada, seguidos pelo tradicional grão com batata doce e carnes, fazendo a delícia dos comensais, e terminando com miniaturas demonstrativas dos doces da região. Tudo acompanhado com vinho Barrocal.

O Rancho Folclórico de Albufeira animou o momento e explicou os trajes e modos de vida de antigamente. Os aplausos que se seguiram foram para o cante alentejano, a cargo do coro da Casa do Alentejo em Albufeira.

Não foram os únicos: para se despedirem, os andaluzes da Cofradia Gastrónomica “Los Esteros” também cantaram o hino ao prato que domina a confraria (“tortilhitas de camarones”) e ofereceram à organização deste congresso uma réplica em miniatura da porta de San Fernando, município de Cádis, onde tem sede a confraria.

Se São Fernando foi lembrado, São Bartolomeu dos Mártires foi por todos aclamado na missa da manhã, na Igreja Matriz de Albufeira, dado ter sido ontem a canonização do português Frei Bartolomeu dos Mártires, decidida pelo Papa Francisco.

Com eucaristia celebrada pelo padre Flávio Martins, houve também um momento de bênção dos estandartes.

Após a fotografia de grupo, os confrades desfilaram pelas ruas de Albufeira.

«Longa vita a Portugal!», foram as palavras do presidente do CEUCO, Carlos Martín Cosme, demonstrando a sua gratidão pela colaboração e cordialidade da «Confraria dos Gastrónomos do Algarve, na pessoa de José Manuel Alves, do secretário de Estado das Pescas José Apolinário e do presidente do Município de Albufeira José Rolo».

Com a promessa, de, «sem dúvida», regressar, este responsável considerou ainda que «a seriedade com que Portugal trabalha as questões que dizem respeito aos seus interesses históricos, são demonstrativos do espírito português».

Se Portugal é conhecido por ter «uma das melhores cozinhas do mundo», isso deve-se «à qualidade intrínseca dos portugueses que é o de serem exímios na navegação e no bom contacto com outros povos».

Por seu lado, José Manuel Alves mostrou-se «muito satisfeito».

«É o terceiro congresso Europeu que faço no Algarve, desde 2009, e este foi o que teve uma maior expansão. Nesta edição, tivemos o dobro das dormidas que tivemos em 2011», avançou o grão-mestre, presidente do comité organizador e autor do mais antigo site de gastronomia, o “Gastronomias” de Portugal, desde 1996.

«Foi muito gratificante este desafio, porque era um objetivo ultrapassarmos as mil dormidas e assim foi. Só não vieram mais confrarias porque tínhamos um limite de lugares de sala para o Jantar de Gala. De resto, muitos dos aqui estão presentes, vieram para Albufeira há mais de uma semana e 38 deles, todos italianos, só vão embora no próximo dia 13», disse José Manuel Alves.

E foi assim, em ambiente de amizade e boa disposição, que Albufeira se despediu de três dias de homenagem à tradição da mesa europeia, ficando na memória de todos os queijos azuis das Astúrias, os peixes portugueses, as tortilhas de camarão de Cádis, a cozinha tradicional grega com os seus peixes secos e iogurtes, a cozinha dita de “fusão” de Macau, os vinhos de “alta expressão” franceses, a cerveja mais notável da Bélgica, com a receita do ano de 1850 feita pelos monges, bem como as diversas iguarias portuguesas, doces e salgadas e os vinhos de Portugal.

Além disso, ficou também o sabor dos rebuçados de violetas de Toulouse, cuja proprietária da única fábrica destes rebuçados, Madame Claudine Couderc, nascida na passada década de 30, nunca faltou a um dos congressos do CEUCO, tendo sido uma das presenças mais acarinhada neste congresso em Albufeira.

Rui André, presidente da Câmara de Monchique, foi entronizado confrade de honra da Confraria dos Gastrónomos do Algarve, no âmbito desta iniciativa.

 

Fotos: Câmara de Albufeira

 

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