Aí está Novembro, o mês com três “chuvas de estrelas”

A presença da Lua Cheia na constelação do Touro irá dificultar a observação do pico de atividade das Táuridas do Norte

Céu a sudoeste ao início da noite de dia 2. Igualmente é possível ver a posição de Vénus, Júpiter, Saturno e da Lua no dia 28, e desta última nas noites de dia 4 e 29.
(imagens adaptadas de Stellarium)

A presença da Lua junto a Saturno sinaliza o segundo e o penúltimo dia deste mês. Neste intervalo de tempo, ocorrem os picos de atividade de três chuvas de meteoros. Duas parecem irradiar da constelação do Touro (as Táuridas do Sul e do Norte), enquanto outra tem o seu radiante na constelação do Leão (a chuva de estrelas Leónidas).

Embora tenham intensidades semelhantes, não superando a meia dezena de meteoros por hora, as Táuridas do Sul e do Norte distinguem-se pela localização dos seus radiantes e por terem picos de atividade separados por seis dias: a primeira na noite de dia 6 e a outra na madrugada de dia 12. Este ano, a presença da Lua Cheia na constelação do Touro irá dificultar a observação do pico de atividade das Táuridas do Norte.

Por seu turno, o pico de atividade da chuva de estrelas Leónidas terá lugar na madrugada de dia 18, que este ano coincide com a véspera do quarto minguante. Embora se pudessem esperar até uma quinzena de meteoros por hora, a presença da Lua na constelação do Caranguejo irá reduzir drasticamente esse número.

Na noite de dia 9 para 10, dois planetas situar-se-ão ao lado de duas das estrelas mais brilhantes do firmamento: Vénus estará ligeiramente acima de Antares, o coração da constelação do Escorpião, e Marte será visto junto a Espiga, a estrela que representa a espiga de trigo transportada pela constelação da Virgem. Mas, enquanto Vénus se apresenta como estrela da tarde, Marte só nascerá ao final da madrugada,

Mercúrio apenas será visível nos céus vespertinos até à primeira quarta-feira de Novembro. Depois, já só volta a reaparecer a partir de dia 18, já ao final das madrugadas. Este planeta atinge o seu maior afastamento para oeste relativamente ao Sol no dia 28.

No dia 11, teremos a oportunidade de ver Mercúrio em pleno dia. Tal será possível pois, entre o meio e meia hora e as 18 horas desse dia (altura em que o Sol já se terá posto em Portugal Continental), este planeta irá passar à frente do disco solar, um fenómeno astronómico chamado trânsito planetário.

Atendendo à diferença de tamanho entre o Sol e Mercúrio, este planeta apenas consegue bloquear uma pequeníssima parte da luz solar. Mas noutros casos, o efeito é suficientemente intenso para permitir encontrar planetas fora do nosso sistema solar.

Nunca é demais recordar que, dado o tamanho de Mercúrio, a sua observação no disco solar requer o uso de binóculos ou telescópios que estejam equipados com filtros especificamente criados para esse efeito. O não cumprimento desta regra de segurança acarreta graves consequências para a nossa visão.

No intervalo de tempo que separa as noites de dia 13 a 19, veremos como a Lua se terá deslocado de Aldebarã, o olho da constelação do Touro, até junto de Régulo, o coração da constelação do Leão, passando ao lado de Pólux, a estrela à cabeça desse gémeo celeste.

A Lua será vista a aproximar-se de Marte na madrugada de dia 24. Um dia depois, véspera da Lua Nova, a Lua terá chegado ao pé de Mercúrio.

Finalmente, entre os dias 27 e 28, veremos a Lua passar pelos planetas Júpiter, Vénus e Saturno.

Boas observações!

 

Autor: Fernando J. G. Pinheiro (CITEUC)
Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

 

Céu a Sul pelas 5 horas da madrugada de dia 29. Igualmente é visível a posição da Lua nalgumas das madrugadas de dias 12 a 20, e os radiantes das chuvas de estrelas Leónidas, e Táuridas do Sul e do Norte. (imagens adaptadas de Stellarium)

 

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