“Pela Estrada Fora” se chega a um Verão Azul de música, teatro e cinema

Festival faz parte da programação do “365Algarve”

Foto: Vagabundos da Nite

O mote é dado por Jack Kerouac e a sua emblemática obra “Pela Estrada Fora”. O destino é um “Verão Azul”, «sempre em movimento», com teatro, dança, música, performance, artes visuais e cinema. O guitarrista Tó Trips e Alessandro Sciarroni, Leão de Ouro da Bienal de Dança de Veneza, são apenas alguns dos convidados. Tudo começa a 17 de Outubro e só termina a 2 de Novembro, com um total de 21 espetáculos, divididos por Faro, Loulé e Lagos. 

Este ano, artistas nacionais e internacionais vão convidar o público a pensar o conceito do Antropoceno – época que se caracteriza pelo impacto das ações do Homem no seu habitat.

Ao Sul Informação, Catarina Saraiva, curadora do Festival Verão Azul, explicou o porquê desta escolha.

«O conceito foi escolhido ainda antes destas greves climáticas. Pareceu-nos importante levantar esta questão e pôr a população a pensar em temas pertinentes, não com uma perspetiva apocalíptica, mas mais com a ideia de pensar no que podemos fazer para regenerar o planeta em que vivemos».

Este ano, o “Verão Azul” passa por Faro, Loulé e Lagos e daí vem a ideia de andar “Pela Estrada Fora”, à boleia de Jack Kerouac a da sua beat generation.

Dos 21 espetáculos, quatro serão estreias – duas nacionais e duas absolutas, além de duas co-produções.

Com direção artística da dupla Ana Borralho e João Galante, o programa da 9ª edição contempla criadores consagrados do panorama artístico internacional, como o coreógrafo italiano Alessandro Sciarroni, Niño de Elche, artista de Flamenco, e ainda nomes nacionais como Tó Trips, Raquel André ou Russa, uma rapper algarvia.

 

Foto: Tom Callemin

 

Este ano, Loulé acolhe o espetáculo de abertura do Verão Azul. “Mining Stories”, dos belgas Silke Huysman e Hannes Derreere, é uma das duas estreias nacionais do festival e será apresentado em sessão única no dia 17 de Outubro, às 21h30, no Cine-Teatro Louletano.

Trata-se de uma peça de teatro documental sobre o desastre ambiental Mariana, no Brasil. Esta promete ser, segundo a organização, «uma viagem intrigante que visita memória, política, religião e a forma de contar estórias».

A outra estreia nacional é “Storm Atlas”, da companhia de dança italiana Dewey Dell, formada por Teodora, Demetrio, Agata Castellucci e Eugenio Resta.

Um concerto-performance que procura encontrar a ligação entre som e movimento, onde músicos tocam ao vivo através de uma coreografia. “Storm Atlas” será apresentado no dia 24 de Outubro, às 23h00, no Teatro das Figuras, em Faro.

Já “CHROMA_don’t be frightened of turning the page:”, de Alessandro Sciarroni, será «um solo de dança hipnótico protagonizado pelo próprio e inspirado nos fluxos migratórios dos animais, mas também uma exploração dos aspetos físicos e psicológicos da intoxicação através do movimento».

O espetáculo será apresentado no dia 26 de Outubro, às 21h30, no Teatro das Figuras, em Faro. Em 2019, o coreógrafo e bailarino italiano recebeu o Leão de Ouro da Bienal de Dança de Veneza, que já distinguiu os maiores nomes da dança contemporânea, como Pina Bausch, Anne Teresa De Keersmaeker ou Lucinda Childs.

Quanto a Niño de Elche (nome artístico de Francisco Molina) apresentará no dia 18 de Outubro, às 21h30, no Teatro das Figuras, em Faro, o seu mais recente projeto “Colombiana”.

Considerado pelo jornal espanhol El Mundo como o “homem que bombardeou o flamenco”, neste novo projeto Niño de Elche inspira-se nas canções de ida e volta.

 

Foto: Ewelina Grzechnik

 

Um dos destaques desta programação é a estreia mundial do projeto “In Between”, de Paulina Sz, uma performance de 20 minutos entre a artista polaca e um espectador. Será a 17 de Outubro, no Cine-Teatro Louletano.

O projeto coloca duas pessoas de costas com costas sem olhar para trás e aborda questões como honestidade, presença, encontro e a relação com o outro.

A outra estreia mundial decorrerá no dia 27 de Outubro, no Cine-Teatro Louletano. “A Laura Quer!” é um projeto de Sílvia Real em co-criação com o Grupo 23: Silêncio! e Francisco Camacho.

Esta será uma peça de dança e teatro, com adolescentes e crianças, voltada para o futuro e dirigida a todos os públicos a partir da pergunta: “Mas que futuro será este, ancorado nas incertezas deste intenso agora?”.

Em 2018, o “Verão Azul” abriu um novo ciclo e adotou o formato bienal. Por isso, para Catarina Saraiva, a programa deste ano está «mais madura».

«Passámos a este formato para aprofundarmos mais as relações com o território, também nesta ótica de descentralizar as artes. E conseguimo-lo através das residências artísticas, laboratórios de pesquisa e co-produções que fizemos no ano passado», explicou.

É o caso de Raquel André que, para “Colecção de Artistas”, uma das duas co-produções da edição de 2019 do festival, realizou duas residências artísticas no Algarve, em Faro e em Loulé.

O espetáculo, que se estreia no dia 14 de Setembro, no Teatro Nacional D. Maria II, será apresentado no dia 19 de Outubro, às 21h30, no Cine-Teatro Louletano.

Trata-se de uma coleção que se ocupa de cada artista, das suas práticas e ferramentas de trabalho, bem como dos seus pensamentos e biografias. O Verão Azul apresentará ainda “Coleção de Amantes” a 1 de Novembro, às 21h30, no Centro Cultural de Lagos. Estes dois trabalhos integram a tetralogia intitulada “Coleção de Pessoas”.

Outra co-produção desta edição do Verão Azul é “Entre Cães e Lobos”, do artista brasileiro Gustavo Ciríaco, que desenvolveu uma performance inspirada numa coleção de relatos e descrições de paisagens que apenas ficaram guardadas nas memórias de anciãos e de outras imaginadas e desenhadas por crianças.

Para a criação de “Entre Cães e Lobos”, o artista realizou duas residências, uma em Lagos onde colaborou com um grupo de crianças e outra em Loulé com um grupo de seniores. O espetáculo poderá ser visto, no dia 25 de Outubro, às 21h30, no Cine-Teatro Louletano.

Quanto a Cátia Pinheiro levará às ruas de Loulé (19 e 20 de Outubro) e de Lagos (1 e 2 de Novembro) “The Walk#2”, um percurso-áudio que se serve da cidade e das pequenas ficções dela extraídas para conduzir os espectadores numa viagem única e pessoal.

Em Loulé, o percurso começará no Convento do Espírito Santo e, em Lagos, na Messe Militar. As saídas serão individuais, com intervalo de quatro minutos entre cada espectador e os bilhetes podem ser adquiridos no Cine-Teatro Louletano e no Centro Cultural de Lagos. “The Wlak #2” foi desenvolvido no âmbito de uma residência realizada pela artista no Algarve.

 

Foto: milm2

 

O coletivo chileno MilM2 (mil metros quadrados) vai percorrer as ruas de Faro (19 e 20 de Outubro) e Quarteira (26 e 27 de Outubro) com o “Proyecto Pregunta”, um dispositivo que pretende incentivar a participação cívica, promover o debate no espaço público sobre questões sociais e que contará com a colaboração de um grupo de voluntários da comunidade local.

“Burn Time”, do coreógrafo e performer André Uerba, será uma performance que vai contar com a participação de 10 pessoas da comunidade local que serão selecionadas numa audição limitada a 25 participantes, no dia 17 de Outubro.

O espetáculo será apresentado no dia 24 de Outubro, às 21h30, no Teatro das Figuras, em Faro. O bilhete (5 euros) para esta iniciativa também dá acesso ao concerto-performance “Storm Atlas”, de Dewey Dell.

No dia 17 de Outubro, às 18h30, será inaugurada a exposição “Expats – Viver num País Estrangeiro”, do cineasta, fotógrafo e editor André Príncipe, na Associação 289, em Faro.

O Verão Azul vai exibir três filmes: “Braguino”, de Clément Cogitore (22 de Outubro, 21h30, CineClube de Faro), “Raving Iran”, de Susanne Regina Meures (23 de Outubro, 21h00, Auditório do Solar da Música Nova, em Loulé; 30 de Outubro, 21h30, no Galeria LAR, em Lagos), e “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos”, de João Salaviza e Renée Nader Messora (31 de Outubro, 21h30, Galeria LAR, em Lagos).

Uma das novidades desta edição do Verão Azul passa pela criação de dois pontos de encontro, no Gimnásio Clube de Faro e Auditório do Solar da Música Nova (Loulé), que vão contar com atividade gratuitas, como concertos, conversas e encontros informais entre público e criadores.

Em Loulé, vão decorrer os concertos dos artistas algarvios 2Mikkers – Imaginário e Lágrima, de João Caiano e Martim Santos (17 de Outubro, 23h30) e Russa (19 de Outubro, 23h30). Aqui será, também, apresentado o concerto de Gabriel Ferrandini, Maria Reis (Pega Monstro) e André Cepeda (25 de Outubro, 23h30).

Já em Faro, haverá o concerto de mais um algarvio, Tiago Saga (24 de Outubro, 00h00) e do guitarrista e compositor Sérgio Pelágio (26 de Outubro, 23h00).

O Verão Azul propõe também um conjunto de atividades paralelas, como workshops de dança, com Gustavo Ciríaco (26 e 27 de Outubro, na Academia Iluminarte, em Loulé), e de Improvisação Musical, com Gabriel Ferrandini (26 de Outubro, na Mákina de Cena – Associação Cultural, em Loulé).

Os valores dos workshops variam entre os 20 e os 10 euros, respetivamente.

Estão ainda previstas duas masterclasses gratuitas. No dia 26 de Outubro, na Casa da Cultura de Loulé decorre uma de fotografia com André Cepeda e no dia 2, na Galeria LAR, decorre outra sobre teatro, com Raquel André.

Para incentivar a crítica nas artes performativas, será criado um grupo de crítica, constituído por espectadores que vão analisar os espectáculos, entrevistar artistas e produzir material que poderá ser publicado no site do Verão Azul. Esta atividade é aberta ao público em geral e será orientada pela curadoria do festival.

As inscrições para as atividades paralelas podem ser efectuadas através do endereço de e-mail info@festivalveraoazul.com .

A programação do festival também contempla dois espetáculos dedicados exclusivamente à comunidade escolar.

 

Foto: José Frade

 

“Antiprincesas – Clarice Lispector”, de Cláudia Gaiolas é uma iniciativa inspirada na vida da escritora brasileira, que será apresentada no dia 25 de Outubro, às 10h30, no Parque Municipal de Loulé, e a 30 de Outubro, à mesma hora, no Parque da Cidade, em Lagos.

No dia 31 de Outubro, às 10h30, no Centro Cultural de Lagos, vai decorrer “Por esse Mundo Fora”, de Márcia Lança e Nuno Lucas, um evento sobre como a curiosidade nos pode levar a superar os nossos limites.

O encerramento deste longo programa será com chave de ouro. 

Tó Trips, guitarrista dos Dead Combo, vai-se juntar a Tiago Gomes, no dia 2 de Novembro, às 21h30, no Centro Cultural de Lagos.

“On the Road” (Pela Estrada Fora) será um espetáculo-viagem baseado no livro homónimo de Jack Kerouac, considerado a bíblia da beat generation. Os dois performers e o vídeo (realizado por Raquel Castro) remetem o espectador para a emblemática Route 66, na busca do sonho americano.

Catarina Saraiva, a curadora do “Verão Azul”, tem «expetativas altas» para todo o evento.

«O festival amadureceu, cresceu e distribui-se mais pelo território. Temos as atividades paralelas, pontos de encontro… Espero que o público se envolva muito e que venha aos espetáculos. Queremos que as pessoas percebam como, através da arte, podemos falar de muita coisa», disse.

O “Verão Azul” é produzido pela associação cultural casaBranca e faz parte do “365Algarve”.

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