Lavrar o Mar apresenta «quinze propostas para passar o Inverno connosco»

Programação começa a 17 de Outubro, com o espetáculo de novo circo «Les Princesses», em Aljezur

Les Princesses – Créditos da foto: Ian Greanjean

Muito novo circo, a começar logo com o regresso da companhia francesa Cheptel Aleïkoum, já neste mês de Outubro, criações originais envolvendo artistas locais, teatro de objetos, a continuação da saga do medronho, teatro culinário, caminhadas com arte na natureza, um grande concerto de música. Esta é, em resumo, a programação do projeto Lavrar o Mar, para a nova época de 2019/2020 do 365Algarve.

O quarto ciclo do Lavrar o Mar inclui 15 projetos, mais cinco do que no ano passado. «São quinze propostas para passar o Inverno connosco».

Desta vez, como disseram, em entrevista ao Sul Informação, Madalena Victorino e Giacomo Scalisi, «a temporada do Lavrar o Mar é motivada pela terra. A terra como elemento físico que acolhe e propulsiona a vida, mas também como lugar nostálgico que nos chama quando nos afastamos e ao qual queremos regressar, lembrando-nos das cores, dos cheiros e das ligações de uma infância distante».

«A partir dessa ligação à terra, escolhemos espetáculos por exemplo na temática das fadas e dos contos de fadas e da sua reverberância no mundo dos adultos», explicou Madalena Victorino.

Um desses espetáculos será precisamente «Les Princesses/As Princesas», novo circo aéreo e cantado, que abrirá a programação, com quatro apresentações em Aljezur, no Espaço Multiusos da vila, de 17 a 20 de Outubro (21h00), e outras quatro em Monchique, no pavilhão da Escola Básica Manuel do Nascimento, de 24 a 27 de Outubro (21h00).

«Trata-se de um espetáculo muito poético, muito musical, de novo circo, com princesas, príncipes, maças envenenadas, coelhinhos», cuja apresentação passa pela montagem de uma estrutura, «a medusa», que permitirá receber 200 espectadores em cada noite. Haverá também um programa para as escolas.

Segue-se, de 1 a 3 de Novembro, em Monchique, mais um capítulo da saga do medronho, esse espetáculo de teatro na serra e nas destilarias, agora sob o mote «A Sangrada Família». «A nossa saga do medronho muda um pouco, vamos centrar-nos na apanha e iremos mesmo sair para a serra, convidando o público para ir apanhar medronho. Vamos explorar a dureza do processo da colheita, com as suas canções e merendas, sem esquecer o pano de fundo da saga do Romeu e Julieta monchiquenses», conta Giacomo Scalisi.

 

Medronho #1 – Foto: © João Mariano

Para dar vida às personagens saídas da imaginação do escritor Sandro William Junqueira – pai, filhos (que já conhecíamos dos capítulos anteriores) e agora também a amante -, lá estarão de novo os atores António Fonseca, Pedro Frias, Rita Rodrigues e Estêvão Antunes.

«Serão apresentações limitadas, apenas para 60 pessoas de cada vez. Quem conseguir bilhete, consegue. Quem não conseguir, terá de tentar ir a outro dos nossos espetáculos», avisa Giacomo.

O terceiro momento desta quarta temporada do Lavrar o Mar volta a ter como mote o Festival da Batata-Doce de Aljezur. Assim, nos dias 28 a 30 de Novembro e 1 de Dezembro, na sede do Rancho Folclórico do Rogil, em plena região aljezurense de produção da batata-doce, e depois no Alferce (Monchique), na Casa do Povo, de 5 a 8 de Dezembro, sempre às 19h30, apresenta-se «O Presente de César – Quem vai ao Mar não volta à terra», um espetáculo de teatro culinário (que inclui jantar), numa peça que tinha sido originalmente encomendada pelo Teatro Viriato, de Viseu, para fazer uma digressão na região de Dão-Lafões, com texto de Sandro William Junqueira.

Este César não é o imperador romano, nem a história é a dos livros de Astérix: é antes «César Tróia e a sua família, e fala do bacalhau, o mais português dos peixes que fala norueguês, das terras de Aljezur e dos bancos da Terra Nova ao largo do Canadá».

A ementa do jantar de bordo integrado no Festival da Batata-Doce de Aljezur é composta por sopa (chamada “chora”), prato (bacalhau com batata-doce) e sobremesa (línguas de bacalhau fritas com canela, mel e pera de Monchique).

«Na preparação deste espetáculo, também descobrimos muita gente de Aljezur e Monchique que andou na pesca do bacalhau», revelou Madalena Victorino.

 

Le P’tit Cirk – Créditos da foto: Katelijne Boonen

No fim do ano, como já é tradição, Monchique volta a acolher novo circo. Só que, em vez de uma companhia, desta vez haverá pelo menos duas, talvez três, entre os dias 27 de Dezembro e 5 de Janeiro (com exceção dos dias 30 e 2).

«Teremos duas tendas montadas no heliporto, com dois espetáculos por dia, um às 18 horas , mais a pensar nas famílias e nas crianças, e outro às 21h30. Quem quiser vir passar o ano ou um fim de semana a Monchique, terá muito que fazer e ainda terá tempo para almoçar e jantar por lá», salientou Madalena Victorino.

Às 18h00, apresenta-se «Les Dodos», da companhia francesa Le P’tit Cirk, com os seus cinco músicos acrobatas, num espetáculo ritmado pela música das guitarras, do contrabaixo e do violino.

À noite, às 21h30, será a vez dos belgas «Collectif Malunés» apresentarem «Forever, Happily (Para sempre, felizes)», um espetáculo que se baseia «no universo dos contos de fadas. É muito divertido e ao mesmo tempo faz-nos pensar. É muito contemporâneo nos temas», contou Madalena Victorino.

O ponto alto deste quase festival de novo circo será na noite da passagem de ano: além do novo circo, haverá também um concerto da recém-estreada Orquestra Vicentina, que, com os seus ritmos quentes, ajudará a enfrentar o frio da serra, juntamente com as comidas e bebidas que fazem parte desta festa.

Para o próximo ano de 2020, em Janeiro e Fevereiro, Madalena Victorino já está a preparar uma criação para a infância e a família, que se vai chamar «A Viagem do Pequeno Mi», baseada nos livros de Sandro William Junqueira. «O Mi quer fazer aquela grande viagem, tem a ver com a imaginação, aquelas viagens que fazemos connosco mesmos. Teremos os livros e os cadernos como matéria de inspiração, neste espetáculo de dança e saxofone. A bailarina irá dançar em cima do palco que são as mesas dos alunos. Para quê? Para que se pense: de onde vem a dança? Ela não vem dos pliés, mas do movimento humano, as crianças veem dança em todo o lado».

Em Março, mais uma vez sob a direção de Giacomo Scalisi e agora a partir de textos de Afonso Cruz, chega mais um capítulo da saga «Medronho», o teatro na serra e nas destilarias.

Ainda no mesmo mês de Março, irá apresentar-se a companhia francesa «Turak», que Giacomo e Madalena já tinham programado no Centro Cultural de Belém, há 20 anos, em estreia.

O seu criador Michel Laubu estará em Monchique e Aljezur para apresentar o seu novo espetáculo «Deux Pierres», um nome que brinca também com a matemática, já que pode ser escrito como «2πr».

«Ele trabalha com objets trouvés – pedras, raízes, madeiras à deriva – e a partir desses objetos constrói personagens. É um teatro sem palavras, um teatro de objetos e de manipulações», desvendou Madalena Victorino.

Michel Laubu vai fazer também um laboratório «de quatro ou cinco dias, com pessoas que querem aprender a sua técnica». Desse laboratório, sairá uma apresentação para o público. «O Michel é um artista super criativo, é um milagre o que ele descobre e faz a partir de um objeto que parece não valer nada».

«Este laboratório é o começo de outra fase que queremos desenvolver para o futuro, ideia mais laboratorial, a desenvolver projetos de forma mais profunda. O objetivo é colocar o laboratório no centro, e não ser só um meio para atingir um fim, mas um espaço de trabalho sobre a matéria artística», acrescentou Madalena.

Novidade na programação desta quarta temporada serão as caminhadas com arte na natureza. Giacomo Scalisi revela que se tratará de «10 percursos em Aljezur e outros tantos em Monchique, no meio da natureza, para grupos de, no máximo, quinze pessoas, acompanhados por coreógrafos, atores, encenadores, cientistas, filósofos, pessoas ligadas à igreja, ao domingo de manhã, terminando com um almoço-convívio».

O programa, definido em conjunto com a Rota Vicentina, dará a conhecer «pessoas muitos especiais, para que, quem participar, não se esqueça daquele passeio. Serão visões que estas pessoas podem levar com elas», disse Madalena Victorino.

No domingo de Páscoa, tal como no ano passado, haverá «um grande concerto de música, num local maravilhoso». Logo se saberá mais pormenores.

 

Madalena Victorino

 

Em Abril e Maio, será a vez de outro laboratório, que mais uma vez culminará com uma apresentação ao público. Desta vez, os clientes do laboratório serão «pessoas da terceira idade», que irão desenvolver, com os formadores da companhia Rare Birds, «um trabalho de corpo, acrobacia, movimento, entre a dança e o novo circo».

A fechar, de 28 a 31 de Maio, terá lugar mais uma criação original coordenada por Madalena Victorino, mas que engloba o trabalho de muitos outros criadores, como João Tuna, fotógrafo e videasta, Joana Guerra e Remi Gallet, músicos, ou Inês Faria, na escrita.

Madalena Victorino já sabe que este espetáculo se chamará «Quando for para a terra» e que se irá passar «num bosque, à noite». «Não sei bem o que irá acontecer», confessou a coreógrafa na sua entrevista ao Sul Informação.

«Quando for para a terra», explica, «é uma frase que tem dois caminhos: muitos portugueses saíram da sua terra para ir trabalhar para a cidade e depois têm vontade de regressar, de voltar ao sítio ao qual pertencem. Mas também há a ideia de morte, última viagem, último caminho, de devolução à terra».

A grande dificuldade, antecipa Madalena, será encontrar «um bosque entre Aljezur e Monchique» onde esta produção possa ter lugar. É que se trata de uma produção que terá «um aparato técnico muito exigente, com as imagens, a matéria fílmica transformada em ficção, projetadas nas copas das árvores, num charco, com mesas de terra. Haverá um contacto muito forte com a terra, os seus torrões, a temperatura, a humidade».

Para já, este espetáculo final da quarta temporada do Lavrar o Mar ainda está em conceito, em grande parte na cabeça de Madalena Victorino, E, apesar das dificuldades que ela desde já assume, quem conhece as produções habituais de Madalena e Giacomo sabe que o casal terá o condão de descobrir um local magnífico, quase paradisíaco, no meio da serra. Resta esperar para ir até lá e ver.

Os bilhetes para todos os espetáculos do Lavrar o Mar podem ser comprados na bilheteira online Bol, em https://lavraromar.bol.pt e nos pontos de venda aderentes (Fnac, Worten, etc), bem como em Monchique, na Biblioteca Municipal, ou em Aljezur, na Casa Lavrar o Mar, na Rua João Dias Mendes, 46. E não deixe para amanhã o que pode fazer hoje: é que os bilhetes para o Lavrar o Mar costumam esgotar rapidamente.

O Lavrar o Mar conta com os apoios das Câmaras Municipais de Aljezur e Monchique. Além do 365Algarve, também apoiam financeiramente o projeto o CRESC Algarve e a DG Artes.

Comentários

pub
pub