Crematório de Faro começa a funcionar em Setembro de 2020

Obra já começou e vai custar 1,1 milhões de euros

Foto: Hugo Rodrigues|Sul Informação

O primeiro crematório do Algarve deverá começar a funcionar, em Faro, em Setembro de 2020. A obra de construção desta nova valência do cemitério novo da capital algarvia começou esta semana e demorará dez meses a ficar concluída.

Depois, há que contar com um mês para testes e preparação, segundo revelou hoje, dia 16, Paulo Carvalho, diretor de projetos e ativos da Servilusa, a empresa que venceu o concurso lançado pela Câmara de Faro e que será a concessionária do crematório.

Esta recém iniciada intervenção foi uma das que foram focadas em mais uma edição do Faro Positivo, uma iniciativa em que o executivo camarário de Faro mostra obras em curso e projetos futuros.

O crematório, uma infraestrutura há muito reclamada pelos algarvios, terá capacidade «para seis ou sete cremações diárias», que poderão acontecer «a qualquer hora».

Terá, também, dois fornos, um para as cremações funerárias e um forno pirolítico para queimar resíduos associados aos enterramentos em cemitérios, como flores e restos de urnas.

Este é, atualmente, «um grande problema no Algarve», já que a queima a céu aberto é «terminantemente proibida» e a solução passa, quase sempre, por enterrar os resíduos em locais com esse fim, dentro dos cemitérios, segundo Paulo Carvalho.

 

 

De resto, este equipamento que está a ser construído no Cemitério Novo de Faro terá tudo o que é habitual numa estrutura desta natureza, como uma capela ecuménica, uma sala de espera e uma zona de preparação dos corpos. Também terá «as condições necessárias para satisfazer as necessidades de todo o Algarve e, esperemos, de parte do Alentejo».

«Teremos, ainda, uma sala de última despedida, um local onde os familiares podem ver a urna a entrar no forno. Não conseguem ver a boca do forno, claro, mas permite que haja aquele último momento. Mal comparado, é como o momento em que o caixão desce à terra. Faz parte do luto e é uma lacuna que nós tentámos sanar nos nossos crematórios», disse o representante da Servilusa.

Tudo isto irá custar cerca de 1,1 milhões de euros, que serão assegurados, na totalidade, pela empresa que ficará com a concessão do crematório. E os encargos do parceiro privado não ficarão por aí.

«A Servilusa vai-nos pagar um aluguer e ainda teremos direito a uma parte das cremações. Para além disso, o próprio caderno de encargos prevê um desconto para os munícipes de Faro e um preço base para todos os outros», segundo Rogério Bacalhau, presidente da Câmara de Faro, entidade que cedeu o terreno.

O edil farense lembrou a complicada história desta obra, que já vem, de longe. «Este projeto tem mais de uma década. No domingo, dia 20, faz dez anos que eu entrei para a Câmara e já na altura havia um projeto. Inicialmente, foi lançado um concurso que não foi avante. Mais tarde, lançámos novo concurso, que esteve anos em tribunal», recordou.

 

 

No final de 2018 a situação foi, finalmente, desbloqueada, o que permitiu avançar com o processo e que a obra começasse. «Agora tenho mais esperança. Andei aqui enganado durante anos», desabafou Rogério Bacalhau.

O novo crematório tem uma importância especial, em Faro, já que o concelho tem enfrentado problemas graves de falta de espaço nos dois cemitérios existentes.

«Temos tido alguma dificuldade com os funerais. O nosso Cemitério da Esperança [antigo] está sobrelotado. A rotatividade tem acontecido, mas estamos a falar entre quatro e cinco anos. A determinada altura tivemos de abrir covas com entre 3 anos e meio a quatro, por falta de capacidade», explicou o autarca.

«Neste momento, com as obras que fizemos aqui no cemitério novo, onde construímos mais de 500 gavetões, esse problema tem sido minimizado. Mas se não tivermos o crematório, vamos ter de aumentar ainda mais a capacidade», acrescentou.

Este novo equipamento vem resolver o problema da capacidade dos dois cemitérios e «vem dar algum conforto às famílias que preferem optar pela cremação, em detrimento de meter os corpos em gavetas ou no chão».

 

Fotos: Hugo Rodrigues|Sul Informação

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