Centro de Reprodução de Silves luta há dez anos contra a extinção do lince-ibérico

Ao longo de uma década, nasceram 89 linces no centro, a maioria dos quais foram libertados na natureza

O Centro Nacional de Reprodução de Lince Ibérico (CNRLI), em Silves, celebrou dez anos a lutar contra a extinção desta espécie no sábado, dia 26.

Há uma década, dava entrada neste centro a lince Azahar, que hoje se encontra no Jardim Zoológico de Lisboa, depois de ter dado o seu contributo para a recuperação desta espécie ameaçada.

Nos últimos 10 anos «nasceram 122 animais no CNRLI, dos quais 89 sobreviveram (73%) e 69 foram já reintroduzidos (em Mértola, Portugal e em Espanha, na Analuzia, Extremadura e Castilla La Mancha)».

«Dos animais que não foram reintroduzidos, cinco foram integrados no programa de cria em cativeiro como reprodutores, e os restantes – não podendo ser libertados nem incluídos no programa de cria por problemas genéticos – foram encaminhados para Zoos ou encontram-se à espera de serem colocados em Zoos ou cercados de visitação. Dos oito animais nascidos em 2019, sete vão ser reintroduzidos na natureza no início de 2020, e um será integrado no Programa Ex Situ como reprodutor», segundo o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

O desígnio de salvar o lince-ibérico (Lynx pardinus), «considerada a espécie de felino mais ameaçada do mundo» e que está atualmente confinada à Península Ibérica, foi assumido por Portugal e Espanha – que foi pioneira.

Um programa de recuperação da espécie foi lançado em 1998 na Andaluzia, o local onde subsistiam as últimas populações desta espécie, «divididas por dois núcleos contendo cerca de 100 indivíduos no total.

 

 

Estas populações, «devido à sua reduzida área geográfica e efetivos, estavam em situação muito vulnerável a processos estocásticos (epidemias, fogos, etc.) que poderiam facilmente conduzir a espécie à extinção. A espécie sofrera um declínio muito acentuado e encontrava-se num vórtex de extinção».

Assim, o programa de reprodução em cativeiro que foi lançado, e ao qual o centro situado em Silves, nas imediações da Barragem de Odelouca, se juntou em 2009, visa «estabelecer uma população em cativeiro de linces ibéricos, viáveis do ponto de vista sanitário, genético e demográfico que permita o desenvolvimento de técnicas de reprodução natural e assistida e «preparar exemplares de lince-ibérico, adequados do ponto de vista etológico, sanitário e genético para ações de reintrodução em áreas de distribuição histórica da espécie».

O CNRLI, gerido pelo ICNF através de um contrato de comodato, é propriedade da empresa Águas do Algarve e tem, por via das medidas de sobrecompensação da construção da Barragem de Odelouca, compromissos financeiros atribuídos que permitem o seu funcionamento até 2025.

«Neste momento encontra-se em construção uma Zona de Expansão no CNRLI, que permitirá melhorar a preparação de exemplares para projetos de reintrodução e em simultâneo recuperar animais de campo que sofram lesões ou doenças que impeçam a sua sobrevivência e ponham em risco a de outros linces no meio natural. Esta instalação permitirá fazer a ponte entre o trabalho veterinário com os linces de cativeiro e de campo, unificando protocolos e equipas e potenciando uma gestão veterinária global para a espécie em território nacional», conclui o ICNF.

 

Fotos: ICNF

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