Praia da Marinha vai ter novo estacionamento gratuito para 300 viaturas

Intervenção inclui ainda reperfilamento da estrada e criação de passeio lateral

A Praia da Marinha, uma das mais conhecidas e fotografadas praias algarvias, está a ser vítima do seu próprio sucesso. Em especial no mês de Agosto, centenas e centenas de banhistas vão – ou tentam ir – até ao seu cada vez mais estreito areal, congestionando a estrada de acesso, sobretudo por causa da falta de estacionamento, chegando a criar situações de potencial perigo.

Para tentar resolver a situação, a Câmara Municipal de Lagoa vai criar um parque de estacionamento gratuito para 300 viaturas, num terreno perto do acesso à praia. Mas o novo parqueamento só estará pronto a funcionar na próxima época balnear, em 2020.

Luís Encarnação, presidente da Câmara lagoense, revelou ao Sul Informação que a intervenção vai ainda incluir a «requalificação da estrada de acesso, com a criação de um passeio para a circulação das pessoas a pé». Ao todo, a autarquia vai investir 450 mil euros, adiantou.

Mostrando que a intervenção é considerada prioritária por todos, na Assembleia Municipal que teve lugar na semana passada, a 28 de Agosto, foi aprovado por unanimidade o lançamento do Concurso Público da Empreitada de Requalificação do Acesso e Estacionamento da Praia da Marinha.

O parque de estacionamento será instalado num terreno privado, mas o Município já assinou um «protocolo com o proprietário», assim como obteve «autorização da CCDRA para avançar».

As obras deverão começar ainda este ano, para que tudo esteja pronto no próximo, a tempo de «receber os nossos visitantes com toda a dignidade e segurança», disse o autarca.

 

A Câmara de Lagoa já no ano passado tinha intervindo na zona, proibindo o estacionamento ao longo de toda uma das bermas da estrada de acesso à praia, de modo a que o trânsito não ficasse parado. É que chegou a haver situações em que os carros ficaram presos, sem conseguir circular nem em direção à praia, nem para sair dela, impedindo até o acesso de veículos de socorro.

Anteriormente, aquando da criação do percurso pedestre dos 7 Vales Suspensos, o Município tinha já criado um estacionamento no topo da falésia, que acolhe cerca de meia centena de viaturas. Um espaço que, no período estival, se revela demasiado exíguo para a afluência a esta zona balnear.

Este Verão, como o Sul Informação constatou no local, mesmo com a proibição de estacionar num dos lados da estrada (assinalada com duplo traço contínuo pintado a amarelo ao longo da berma e reforçada com a colocação de baias), houve muitas situações de tráfego automóvel congestionado, sobretudo em Agosto.

As filas de carros estacionados prolongaram-se pelos 1100 metros da chamada estrada da Marinha, às vezes até para além disso, até à zona da antiga adega da Caramujeira ou estrada fora, em direção a Benagil.

 

E houve quem, com o típico chico espertismo português, aproveitasse para ganhar dinheiro com a situação, como o proprietário de um terreno situado a meio do acesso à praia, que cobrava 2 euros a quem lá quisesse estacionar a sua viatura. À beira do caminho, lá estava ele, na passada sexta-feira, com um cartaz improvisado a dizer «Parking 2€» e a ajudar os clientes a estacionar as suas viaturas no parque.

É com todas estas situações que a Câmara de Lagoa quer acabar, ordenando o trânsito e o estacionamento. «A Praia da Marinha é a praia mais icónica do Algarve e é também onde começa o nosso percurso pedestre dos 7 Vale Suspensos, portanto temos que ter especiais cuidados», explicou o edil Luís Encarnação.

Há dois anos, o Município fez uma intervenção semelhante na vizinha e igualmente exígua praia de Benagil, criando um estacionamento gratuito e ordenando o parqueamento ao longo da estrada. Apesar de ainda haver situações pontuais de congestionamento, a situação melhorou de forma significativa.

 

Outra situação a que o Município quer dar atenção é ao estreitamento evidente do areal da Praia da Marinha, reduzido a uma estreita faixa de areia onde nenhum banhista consegue estar a salvo de uma eventual derrocada das belas, mas instáveis, arribas. Nos últimos anos, o mar tem levado a areia, mas têm faltado as tempestades que a reponham antes do início do Verão.

A Câmara de Lagoa, como revelou o seu presidente em entrevista ao Sul Informação, tem «pressionado a Agência Portuguesa de Ambiente», no sentido de ser equacionada a realimentação deste areal. «As nossas praias são todas encaixadas entre arribas, o que lhes confere a sua beleza única. Mas isso também nos traz alguns problemas e questões de segurança, que é preciso pensar e resolver», concluiu o autarca lagoense.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

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