Falência da Thomas Cook é mais «uma má notícia para o Algarve»

Faturas por pagar a hotéis e empresas podem ser o maior problema

A falência do operador turístico Thomas Cook, anunciada esta segunda-feira, 23 de Setembro, é «uma má notícia para o Algarve». Além das «repercussões negativas» para o turismo, o fim do operador também terá impacto nos hoteleiros devido ao facto de ficarem «muitas dívidas acumuladas de serviços que já foram prestados». 

Esta falência foi anunciada depois de a Thomas Cook, que gere companhias aéreas, resorts e hotéis, não ter conseguido o financiamento necessário para sobreviver. É o fim de um gigante do turismo britânico, fundado em 1808, e que precisava de cerca de 200 milhões de libras para não morrer.

O Sul Informação falou com três personalidades ligadas ao turismo e todas foram unânimes em achar que esta falência não é boa para o Algarve.

 

João Fernandes

João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), realçou os impactos para os hotéis. «A procura que já aconteceu, as férias que as pessoas já gozaram, ainda não foram pagas aos hoteleiros. Por isso, é obviamente uma má notícia a falência de uma companhia que trabalhou muitos anos com o Algarve», disse.

Quanto ao peso da Thomas Cook no turismo da região, João Fernandes considerou que este já foi bem maior.

«Neste momento, a Thomas Cook, que já teve um grande peso na região, já não é proprietária de hotéis no Algarve. Vende, sim, pacotes integrados de alojamento e transporte aéreo, representado 20 mil passageiros anuais».

Em percentagem, João Fernandes disse que equivale a «0,2% do fluxo total de passageiros».

De qualquer forma, o responsável pela RTA frisou a necessidade de se «acautelar as condições de repatriamento». O Governo do Reino Unido já anunciou que tem planos para a repatriação dos cidadãos que estiveram no estrangeiro: cerca de 600 mil.

No Algarve, a situação não deverá ser complicada, uma vez que «há várias companhias aéreas que voam para muitos sítios do Reino Unido».

«Estamos a falar de um contexto europeu, com garantias de acolhimento e regresso a casa. Há operadoras que atuam na região com ligações diretas aos principais aeroportos do Reino Unido. O Turismo do Algarve está a acompanhar de perto esta questão, com as associações representativas do setor», frisou ainda.

 

Elidérico Viegas

 

Uma delas é a AHETA – Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve. O seu presidente, Elidérico Viegas, mostrou-se visivelmente preocupado também com os impactos para as empresas.

«Esta não é uma falência qualquer. A Thomas Cook era o segundo maior operador turístico da Europa, um dos mais importantes do mundo. A sua falência tem um impacto negativo para o Algarve: não só para os turistas que deixarão de vir mas, sobretudo, pelo facto de ficarem muitas dívidas acumuladas de serviços que já foram prestados», considerou.

Apesar de não saber, ainda, um «montante exato», Elidérico Viegas aponta para prejuízos de «muitos milhões de euros», com « reflexos importantes ao nível dos resultados das empresas».

Do lado de João Soares, delegado regional da Associação Hotelaria de Portugal (AHP), a preocupação «é grande».

«Sabemos que o Algarve tem uma exposição relativamente pequena, comparada com outros destinos, mas alguns grupos hoteleiros e hotéis independentes, que tinham contratos com a Thomas Cook, vão ter prejuízos certamente», referiu.

 

 

«As faturas que não estão pagas são sempre uma chatice. O que temos de experiência do passado é que, infelizmente, os hoteleiros estão sempre no fim da linha», reforçou.

Para João Soares, que não verá o seu hotel (o Dom José, em Quarteira, ser afetado), a situação é ainda mais preocupante por vir na senda de outras falências, como a Monarch, no ano passado.

Já desde 2009 que a Thomas Cook passava por dificuldades, mas nem as negociações com o gigante chinês Fosun conseguiram evitar a falência.

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