Áreas empresariais no Algarve devem ser «compatíveis com o ADN do turismo»

Ministro do Planeamento adiantou que Algarve pode receber reforço de verbas no próximo quadro comunitário

Mais áreas empresariais no Algarve sim, mas com empresas «compatíveis com o ADN do turismo» e distribuídas também pelo interior da região. Nelson de Souza, ministro do Planeamento, esteve, esta quinta-feira, 19 de Setembro, na Conferência Internacional sobre competitividade das áreas empresariais, que decorreu no NERA, em Loulé, e defendeu que, no Algarve, «não há alternativa: o turismo deve ser a atividade âncora e estruturadora deste território».

Na sessão, onde foram apresentados os resultados do projeto Algarve Revit+, que envolve a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, NERA e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, Nelson de Souza considerou que «deve haver uma estratégia e, para um território que não é um território assim tão grande, temos de ter a ideia de que há muitos recursos que são escassos».

Por isso, acrescentou, «não podemos ter fábricas em todo o lado, nem pessoas em todo o lado. Temos de ter uma gestão racional do espaço».

O governante defendeu que, na estratégia a implementar nas áreas empresariais do Algarve, «a primeira questão a ter em conta deve ser o turismo». «Não há alternativa», reforçou.

Nelson de Souza, na sua última intervenção pública antes do fim da legislatura, disse acreditar que «há muito para fazer ligado ao turismo. Há animação, há setores a montante e a jusante para desenvolver, atividades de apoio e serviços e indústria de apoio ao turismo. Estamos a falar de clusterização no sentido mais tradicional».

 

 

Para o ministro, «o Algarve tem de criar condições para atrair atividades que sejam compatíveis com turismo e com o ADN do turismo. Isto tem de marcar os targets que querem atingir para as áreas empresariais».

Entre os exemplos de targets compatíveis, Nelson de Souza disser ser «uma boa ideia tentar atrair investigadores». No entanto, «quando começo a pensar nisto, questiono-me: como vamos garantir que as pessoas que estão cá a trabalhar, na zona junto à costa, não veem a qualidade de vida a descer durante os três meses de Verão?»

Para resolver o problema, o ministro do Planeamento defende uma distribuição das áreas empresariais também pelo interior.

«Há muito mais Algarve. As áreas empresariais para novos residentes, se calhar, não devem estar tão cá em baixo como isso». Até porque, o interior é também um «sítio agradável para se viver» e pode «chamar empresas de serviços, indústria, de formação ligada ao turismo».

Nelson Souza disse que estas não são «soluções. O que estou a dizer é que, em camadas, as áreas empresariais devem andar sempre à volta do turismo. Também à volta do turismo, acho que se devia fazer investigação para a valorização dos recursos endógenos», acrescentou.

O governante considerou ainda que, tendo em conta que, «neste momento, a CCDR está a trabalhar com a AMAL na preparação da estratégia do território para o quadro comunitário 2030, estas são as alturas ideais para que se discutam estas questões. Para que o formato da aplicação dos recursos reflita estas prioridades».

O ministro do Planeamento deu ainda uma boa notícia para a região, uma vez que, «apesar deste contexto difícil orçamental, e de não irmos com isso resolver o problema dos recursos financeiros de uma região de transição como o Algarve, podemos vir a conseguir algum acréscimo de verbas [no novo quadro comunitário]».

No entanto, «não será significativo, porque a base é baixa».

No final da sessão, em declarações ao Sul Informação, Vítor Neto, presidente do NERA, considerou que esta conferência internacional foi «um estímulo muito importante. Temos tido a possibilidade de verificar que as nossas empresas estão disponíveis para avançar com o processo de reforço das áreas empresariais e demos salto em frente».

Segundo o responsável, nesta altura, «temos quatro áreas empresariais vocacionadas para se modernizarem e avançarem e o objetivo é podermos, no próximo quadro comunitário, avançar para outras».

«Para quê? Para melhorar as áreas empresariais e para estimular desenvolvimento das empresas, a criação de novos investimentos, de mais emprego, de mais riqueza», concluiu.

 

Fotos: Nuno Costa | Sul Informação

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