Mais três anos de SBK garantidos no Autódromo Internacional do Algarve

Até ao fim do ano, não haverá um único dia livre na pista algarvia

O Campeonato do Mundo Superbike vai continuar no asfalto do Autódromo Internacional do Algarve até ao ano de 2022. A renovação do contrato foi assinada esta sexta-feira, dia 23 de Agosto, numa cerimónia ao ar livre que teve lugar no Jardim 1º de Dezembro, em Portimão.

Paulo Pinheiro, CEO do Autódromo, recordou que o Mundial de SBK é «maior evento do motociclismo em Portugal».

Isilda Gomes, presidente da Câmara de Portimão, sublinhou que, «para um destino turístico como o nosso, que tem que se promover externamente, estas provas são fundamentais. Atraem dezenas de milhares de pessoas e motivam também milhares de notícias. Mas isto não é só bom para Portimão, é também para o Algarve e para o país».

Por isso, anunciou a autarca, numa decisão que foi «aprovada por unanimidade em reunião de Câmara», depois de nos últimos anos ter sido apenas a ATP (Associação Turismo de Portimão, que reúne hoteleiros e outros empresários) a apoiar as provas, este ano é o próprio Município que garante esse apoio ao Autódromo, destinando perto de 120 mil euros para duas provas. São elas o Mundial de Superbike (com cerca de 47 mil euros) e o International Six Days Enduro (71 mil euros).

Apesar do apoio, Isilda Gomes fez questão de salientar que o Autódromo é «contribuinte líquido para a Câmara de Portimão. Só de IMI este ano terá de pagar 300 mil euros». «O AIA traz retorno económico para o município, é sustentável, acolhe atividades quase ao longo de todos os 365 dias do ano», reforçou a autarca.

Além disso, sublinhou por seu lado Paulo Pinheiro, as corridas de Superbike no circuito algarvio garantem «exposição mediática global». Este responsável espera que os 50 mil espectadores do ano passado para o fim de semana de SBK sejam agora ultrapassados, até porque, por exemplo, todos os bilhetes para a Torre VIP já foram vendidos e as vendas para os restantes espaços, nomeadamente para os camarotes, decorrem «a um ritmo superior».

Mas não é só durante o fim de semana de corridas (este ano de 6 a 8 de Setembro) que as Superbikes atraem gente e negócios ao Autódromo e ao Algarve. «Durante o ano, com vários testes e eventos, atingimos mais de 90 dias de pista só com motos, e isto mostra como é importante o Mundial Superbike, confirmando o seu impacto económico».

Durante o corrente fim de semana, por exemplo, o circuito portimonense está a receber testes oficiais das várias equipas que participam na prova, mas já tinha recebido os testes das equipas em Janeiro, bem como eventos de pista promovidos pelas marcas, entre outros eventos. «São mais de 90 track days de moto só porque temos aqui este campeonato».

João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve, iria insistir na mesma tecla: trata-se de «uma prova com grande retorno», que, de forma direta, representa um retorno «acima de 7,5 milhões de euros, só durante a prova». Isto sem falar da exposição mediática a nível global.

«O turismo desportivo tem vindo a crescer nos últimos 20 anos e é meu desejo que continue a crescer no Algarve, em velocidade de competição. Chegou o momento para que o Algarve seja reconhecido como o melhor destino de turismo desportivo graças ao seu clima ameno, boas infraestruturas e hospitalidade», acrescentou o presidente da RTA.

Por seu lado, Paulo Pinheiro falou ainda da «ligação afetiva» que o Autódromo e a empresa Parkalgar, sua proprietária, têm com o Mundial de Superbike. «Foi uma prova onde participámos durante cinco anos», numa fase inicial e de afirmação a nível internacional da pista algarvia.

A assinatura do novo contrato, que decorreu ao ar livre no centro da cidade, contou também com a presença de Gregorio Lavilla, diretor desportivo do Mundial de Superbike, e ainda de três pilotos do campeonato: o campeão em título e líder do mundial 2019 Jonathan Rea, o segundo classificado Alvaro Bautista e também Eugene Laverty, embaixador da prova portuguesa e ex-piloto da formação da Parkalgar.

Gregorio Lavilla sublinhou que o Autódromo do Algarve tem «uma pista muito desafiadora», o que seria corroborado pelos pilotos.

Eugene Laverty, que no ano passado obteve a pole position na corrida de Portimão, ainda está agora a recuperar de uma lesão num pulso, mas, mesmo assim, promete dar luta.

Alvaro Bautista, que nunca correu no circuito algarvio, até conhece a pista, por cá ter feito testes no ano passado. Mas vai aproveitar o corrente fim de semana de testes para se adaptar melhor à pista, que considera «muito difícil, com muitos altos e baixos».

Jonathan Rea, que é o líder do Campeonato SBK, está confiante. E destaca, além do prazer de regressar ao Autódromo, o facto de também a sua família gostar de vir ao Algarve: «é um belo local para um britânico como eu vir de férias», brincou.

Certo é que, além do Mundial de Superbike que atrai ao Algarve dezenas de milhares de adeptos do motociclismo, com os espanhóis e britânicos à cabeça, até ao fim do ano não haverá um único dia livre na pista algarvia.

Em termos de provas, segundo recordou Paulo Pinheiro, pelo circuito passará ainda a Le Mans Series Europe, o Algarve Classic Festival, o International Six Days Enduro, as 24 horas Citroen, entre muitos outros eventos.

«O Autódromo Internacional do Algarve tem uma ocupação anual de mais de 330 dias», concluiu Paulo Pinheiro. E muitos desses dias, com a assinatura deste contrato, continuaram a ser ligados às motas.

 

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