Fecho da base da Ryanair em Faro «ainda não é oficial»

Ainda há negociações em curso entre a Ryanair e o Aeroporto de Faro relativas à base da empresa no Algarve

Não é ainda certo nem oficial que a base da Ryanair no Aeroporto de Faro vá fechar. A garantia foi dada ao Sul Informação por João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), que disse que não tem nenhuma indicação oficial de que seja intenção da transportadora aérea irlandesa encerrar a base no Algarve e despedir trabalhadores.

O que houve, disse, «foi declarações de uma representante dos recursos humanos da Ryanair, numa reunião de negociação com o sindicato», relacionada com a greve que o pessoal de cabine da transportadora anunciou que fará entre 21 e 25 de Agosto e que decorreu ontem em Faro.

«As notícias que têm vindo a público são baseadas em declarações que um elemento dos recursos humanos da Ryanair proferiu durante uma negociação com o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil. Não são declarações oficiais da empresa», lembrou João Fernandes.

Por outro lado, o presidente da RTA assegurou que estão em curso conversações entre a empresa e o Aeroporto de Faro relacionadas, precisamente, com a base da Ryanair ali existente. Até que haja um desfecho das negociações, que «acontecem ciclicamente», João Fernandes prefere ser cauteloso, por achar que é preciso deixar que o processo «decorra de forma  estável e pacífica», de modo a evitar «situações de conflito desnecessárias».

«Este é um processo negocial que ainda está a decorrer entre o Aeroporto de Faro/Ana Aeroportos e a Ryanair. Ou seja, não é um desfecho formalmente anunciado, mas sim um processo que ainda está a decorrer», enquadrou.

«Nós estamos, em conjunto com o Turismo de Portugal, a tentar obter declarações oficiais para esclarecer esta matéria. Mas também se compreende que durante um período de negociações haja, de parte a parte, declarações que não correspondem aquilo que é o desfecho do processo», acrescentou João Fernandes.

 

Foto: Gonçalo Dourado/Sul Informação

 

Isto não inviabiliza que a base venha mesmo a fechar, até porque Michael O’Leary, CEO da Ryanair, já tinha anunciado a implementação de um plano de reestruturação da empresa e anunciado «o possível fecho de uma série de bases da empresa, nomeadamente no Sul da Europa e no Norte de África».

No entanto, quer o responsável máximo pela companhia aérea irlandesa, quer a própria representante dos recursos humanos que se reuniu com o sindicato em Faro, disseram que não estava em causa a operação e a manutenção das rotas já existentes.

«Caso o fecho se venha a verificar, há que lamentar a perda de emprego qualificado na região. Mas temos de diferenciar essa realidade da da acessibilidade à região», disse João Fernandes.

Até porque, garantiu o presidente da RTA, a entidade que dirige tem trabalhado na promoção do destino e nas ligações aos principais mercados emissores, nomeadamente o Reino Unido.

«No mercado britânico temos crescido consecutivamente, ao contrário do que era a expetativa de muitos. Isso resultou de uma aposta diversificada, que não se centra numa só transportadora. Para o Reino Unido, temos ligações a 25 aeroportos, garantidas por dez companhias aéreas diferentes», disse.

O anúncio do fecho da base da Ryanair em Faro já motivou reações de repúdio, nomeadamente do deputado do PSD Cristóvão Norte. E uma das questões levantadas pelo parlamentar algarvio eram os eventuais apoios que terão sido dados à companhia aérea low cost para instalar uma base em Faro.

Neste campo, João Fernandes confirma que, «em 2010, quando a base foi inaugurada, terá havido apoio da parte da ANA Aeroportos, então uma empresa pública». Entretanto, a ANA foi privatizada e é agora gerida pela Vinci, que é quem «terá essa informação» e está a gerir o processo negocial com a Ryanair.

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