Fecho da base da Ryanair de Faro «pode ser primeiro passo para perda de rotas»

Deputado do PSD Cristóvão Norte fala em «rombo no Algarve»

A Ryanair vai fechar a base que mantém no Aeroporto de Faro, em Janeiro, e deverá estar a preparar-se para o despedimento coletivo de cerca de uma centena de trabalhadores afetos à operação da empresa no Algarve.

O anúncio de que a base de Faro será encerrada foi feito ontem aos trabalhadores por uma representante da empresa, que se deslocou à capital algarvia, segundo revelou à RTP Luciana Passo, presidente do Sindicato do Pessoal de Voo da Aviação Civil.

E não foi preciso esperar muito para que surgissem reações de repúdio. O deputado do PSD à Assembleia da República Cristóvão Norte veio a público classificar o eventual «despedimento massivo» na Ryanair como «um rombo no Algarve», que pode «ser o primeiro passo para a perda de rotas».

«Esta é uma péssima notícia para a região, que persiste na dependência de dois ou três operadores de grande dimensão, que quando nos viram as costas provocam verdadeiros terramotos económicos e sociais. Se é verdade que os governos não podem controlar estas decisões, por maioria de razão deveriam promover uma economia mais diversificada, com outros setores com força na região, para que seja possível suportar choques desta natureza», considerou o parlamentar eleito pelo círculo do Algarve.

«Se o Brexit vier a ter lugar, pode culminar na perda de muitas rotas do mercado britânico em razão da perda de valor da libra. Este foi só o primeiro passo e uma das razões para que seja Faro das primeiras a cair são essas perspetivas sombrias», acredita Cristóvão Norte

O cenário perece ser negro, mas para já não há certezas de que a empresa vá dispensar trabalhadores em Faro.

«Nós não sabemos se vai despedir ou não. Poderá haver um despedimento coletivo, poderá haver a recolocação de tripulantes noutras bases Ryanair. A Ryanair já tinha avisado que iria prescindir de pilotos e tripulantes de cabine», disse a sindicalista à RTP.

Apesar de admitir que esta é uma decisão que «a Ryanair com certeza já tomou há mais tempo», Luciana Passo não deixa de considerar «estranha» a altura escolhida para fazer o anúncio, tendo em conta que há uma greve do pessoal de cabine desta transportadora aérea de origem irlandesa marcada para o período entre 21 e 25 de Agosto.

Eventuais pressões à parte, não há dúvidas de que a base de Faro vai mesmo fechar, independentemente de qual for o grau de adesão à greve, na região algarvia.

No dia 1, Michael O’Leary, presidente executivo da Ryanair, havia anunciado que a empresa se preparava para fechar algumas das suas bases – são, ao todo, 83, em diferentes países da Europa e Norte de África -, admitindo o despedimento até 500 pilotos e 400 tripulantes de cabine. Tudo isto, alegou, não implicará a redução ou corte de rotas.

A justificação para estes cortes é, desde logo, o Brexit, mas também o aumento do preço dos combustíveis e o atraso na entrega de aviões por parte da Boeing.

O deputado Cristóvão Norte aproveitou para lembrar que «há mais de três anos que o Brexit está no radar», mas que «muito pouco se fez e tem que se aproveitar a oportunidade para transformar uma economia baseada num setor importante, mas que não pode ser o único a puxar a região».

Importa também, defendeu, conhecer em detalhe «os acordos celebrados entre o Estado e a empresa para verificar se alguma cláusula não está a ser cumprida e se, no presente quadro, a legislação laboral é cumprida, de modo a que os funcionários sejam o menos prejudicados possível e, entretanto, começar a procurar operadores alternativos de forma a precaver o futuro. A TAP que se diz ter voltado a ser pública, por exemplo, sempre fez muito pouco pelo Algarve, está na hora de fazer algo mais!».

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