Associação da Hotelaria de Portugal «preocupada» com ameaça de fecho da base da Ryanair em Faro

«Objetivamente, esta é uma má notícia para o Algarve como destino turístico», diz João Soares

João Soares, AHP – Foto: Nuno Costa | Sul Informação

O eventual fecho da base da Ryanair no Aeroporto de Faro «deixa-nos bastante preocupados, porque, sem transporte aéreo, não há turismo», disse João Soares, delegado no Algarve da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

Em declarações ao Sul Informação, o hoteleiro salientou que «objetivamente, esta é uma má notícia para o Algarve como destino turístico». Apesar de o CEO da Ryanair já ter afirmado que se irão manter as rotas da companhia low cost que ligam Faro a outros aeroportos da Europa, «a base dá outra perspetiva e outras garantias».

O hoteleiro lamentou que se tenha já perdido tempo neste processo. A decisão da Ryanair de fechar alguns dos seus hubs, recordou João Soares, tinha sido anunciada em Julho, devido aos «atrasos na entrega dos aviões Boeing 737 Max». A companhia avisou que, «em consequência, poderia ter de despedir funcionários e encerrar bases aéreas não lucrativas».

A concretizar-se o fecho de Faro, e apesar das garantias dadas por Michael O’Leary, presidente executivo da Ryanair, «obviamente que vamos perder voos. Lembro que o facto de ser base permitia à Ryanair operar voos do final da noite e do início da manhã, que deixarão de existir, porque, não ficando os aviões baseados em Faro, não podem vir à última hora nem sair à primeira hora da manhã».

O dirigente da AHP sublinhou igualmente que «havia uma melhor distribuição, porque estes voos ocupavam um horário menos pressionado no Aeroporto», ao fim do dia e de manhã cedo.

«Foi muito difícil esta conquista da base para Faro, em 2010, mas agora parece que está mesmo decidido pela companhia a sua retirada» do aeroporto algarvio, lamentou.

Para mais porque, apesar de, como disse ontem ao nosso jornal João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve, haver outras companhias aéreas britânicas a operar para Faro, «no Inverno, a Ryanair é responsável pelo grande crescimento dos voos para o Algarve». A isto, salientou João Soares, «junta-se o Brexit, os destinos concorrentes com preços mais económicos de taxas, o maior apoio às rotas dados noutros países».

«Temos medo que isto venha a acontecer com outras companhias aéreas low cost. Nos últimos anos, faliu a Air Berlin, a Lauda Air, a Monarch, foram umas atrás das outras e não houve ninguém que as substituísse. Há uma alteração no modus operandi das low cost, isso é manifesto», disse.

João Soares, nas suas declarações ao Sul Informação, explicou também que, «não tendo os aviões parados em Faro, obviamente que vai haver uma série de prejuízos», não só para a hotelaria, mas para toda a cadeia económica da região, desde as empresas envolvidas no handling e manutenção dos aviões, aos trabalhadores e a quem depende deles. «Há cá muito alojamento das tripulações, que tinham casa e que têm aqui as suas vidas instaladas».

Em tudo isto, frisou o dirigente da AHP, não se pode esquecer a «questão social, das pessoas que vão ficar desempregadas, numa região que já tem uma sazonalidade acentuada e onde é difícil as pessoas arranjarem emprego, de Outubro a Maio».

O hoteleiro defendeu ainda que «nunca é tarde mais correr atrás das companhias, com tudo, dinheiro e outros incentivos, enfim o que for necessário para apoiar as companhias e levá-las a ficar no Aeroporto de Faro. Governo e RTA têm de tentar encontrar alternativas. Todos os voos são importantes para o Algarve».

«Não devemos estar com alarmismos, mas a situação é preocupante», repisou.

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