RTA e produtores querem pôr laranja algarvia na mesa dos turistas

RTA, produtores e hoteleiros debateram colaborações futuras numa reunião

Mais laranja algarvia e produtos dela derivados na mesa dos turistas da região. Este é um objetivo que é partilhado tanto pela Região de Turismo do Algarve como pelos produtores de citrinos da região, que já começaram a trabalhar em conjunto para atingir este fim.

O presidente da RTA João Fernandes, o diretor regional de Agricultura e Pescas Pedro Valadas Monteiro, a associação de produtores AlgarOrange e hoteleiros reuniram-se recentemente para debater colaborações futuras.

A ideia é aproveitar a principal indústria do Algarve, o turismo, para promover os citrinos algarvios, um produto agrícola de referência na região e a nível nacional.

«Se um turista se sentar à mesa de um restaurante algarvio e pedir um sumo de laranja natural, deve ser servido com o fruto produzido na região, uma forma de valorizar este produto agroalimentar que ocupa uma área de plantação de 13 256 hectares no Algarve, na sua maioria em Silves, Tavira e Loulé», defendeu esta terça-feira a RTA, no seguimento da reunião e da visão do presidente desta entidade.

«É importante que os nossos citrinos migrem para a oferta dos estabelecimentos de restauração e de hotelaria da região, sendo incluídos nas ementas turísticas», afirma o presidente da RTA, João Fernandes.

A aproximação ao setor hoteleiro e aos estrangeiros que nos visitam está incluída numa estratégia de promoção e internacionalização dos citrinos algarvios que a AlgarOrange, organização que junta alguns dos maiores produtores de citrinos da região, candidatou ao CRESC Algarve 2020, cujo resultado «está por dias», segundo antecipou em declarações ao Sul Informação José Oliveira, o presidente desta associação de produtores.

O responsável máximo pela AlgarOrange adiantou que esta componente da internacionalização, nomeadamente a aproximação aos turistas que visitam o Algarve, pode ser determinante para o setor, que entrou este ano numa fase descendente, com os preços a baixar substancialmente, depois de anos de bons resultados.

«Promover o aumento das exportações dos nossos citrinos é promover o aumento da visibilidade internacional da marca Algarve e das empresas da região. A laranja, em particular, é um produto local premium associado à identidade portuguesa. Se foram os portugueses que introduziram a laranja na Europa e se o nome Portugal é sinónimo de laranja em muitos países (em árabe, romeno, grego ou turco, por exemplo, a palavra Portugal designa o fruto laranja), faz todo o sentido deixarmo-nos conhecer lá fora por aquilo que no Algarve é ímpar», acredita João Fernandes.

Pedro Valadas Monteiro não tem dúvidas que «o aproveitamento de sinergias entre turismo e citricultura só pode ser uma estratégia win-win». Na visão do diretor regional de Agricultura e Pescas o turismo «ganha em termos de diferenciação da oferta, por se associar a uma produção regional de qualidade reconhecida e certificada». Já os produtores tiram vantagens «por via da alavancagem induzida por uma marca e um setor com o peso e a notoriedade internacional do Turismo do Algarve».

Os citrinos do Algarve foram o primeiro produto da região com Indicação Geográfica Protegida, obtida em 1994. Há mais de 15 mil hectares de citrinos plantados no Algarve, região que produz 340 mil toneladas por ano e que detém o título de principal produtora de citrinos do país.

«O Algarve representa 70% do total da produção nacional de laranja e deve assumir-se como o destino turístico mais sumarento de Portugal», refere João Fernandes.

Já Pedro Monteiro espera que «esta iniciativa possa ser o pontapé de saída para outras que reforcem cada vez mais a interligação entre Turismo e a produção agroalimentar e das pescas no Algarve, em prol de um desenvolvimento económico e territorialmente mais equilibrado».

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