Dom Rodrigo de Lagos com 126,7 quilos já é recorde do Guiness

O juiz do Guiness entregou à autarca Joaquina Matos a placa que atesta a homologação do recorde

Dez das melhores doceiras de Lagos trabalharam afincadamente durante três dias a fio e conseguiram: fizeram um Dom Rodrigo gigante com 126,7 quilos de peso, que já é recorde do Guiness Book.

Às 18h25 de sexta-feira passada, na abertura da Feira Concurso da Arte Doce, que decorreu em Lagos durante o fim de semana, a (ainda) presidente da Câmara Maria Joaquina Matos recebeu das mãos do juiz do Guiness World of Records, o espanhol Victor Fenes Vaca, a placa que atestava o feito do Dom Rodrigo lacobrigense.

Antes, o enorme doce feito de fios de ovos, ovos moles, açúcar, miolo de amêndoa e canela, lá estava numa plataforma refrigerada, embrulhado em papel vegetal, primeiro, e depois em papel prata de cor amarela vibrante.

Ao seu lado, embrulhado da mesma forma, mas com papel azul, um pequeno (e normal) Dom Rodrigo. O contraste de tamanhos dava bem a ideia do gigantismo da tarefa a que as doceiras de Lagos se lançaram, após o desafio feito pela Câmara Municipal.

Depois de anunciada a homologação do recorde (na verdade, nunca antes alguém, em parte alguma do mundo, tinha tentado fazer um Dom Rodrigo gigante, pelo que este, desde que tivesse mais de 50 quilos e respeitasse a receita tradicional, seria sempre o maior de sempre), as doceiras, ajudadas pela presidente da Câmara, dedicaram-se a desembrulhar, com todo o cuidado, o enorme doce, perante os olhares e os aplausos de centenas de pessoas que ali se juntaram.

 

Depois, foi a vez de provar o Dom Rodrigo…e, como o Sul Informação também constatou, apesar do tamanho recordista, o bolo estava uma delícia! Centenas de pessoas presentes na Feira de Arte Doce, de todas as idades e nacionalidades, encarregaram-se de dar o veredicto final sobre a qualidade e o sabor do Dom Rodrigo, que até é um dos sete finalistas distritais do concurso 7 Maravilhas Doces de Portugal.

As doceiras, que abandonaram por momentos as suas bancas na feira para ajudar a distribuir o seu Dom Rodrigo gigante, não tiveram mãos a medir. E, apesar dos seus 126,7 quilos, em menos de nada o doce estava reduzido a um pequeno monte de fios de ovos e massa de amêndoa…

João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve, presente na cerimónia de revelação do recorde do Guiness, salientou que estar ali era «um desafio exigente para quem quer começar uma dieta, como eu».

Quanto à Feira da Arte Doce (este ano com uma imagem de marca renovada e forte, a cargo da empresa 1000olhos), o responsável pelo turismo algarvio sublinhou que este tipo de certames «estimulam a criatividade que se transforma em inovação».

Por seu lado, Maria Joaquina Matos salientou que o Dom Rodrigo «é algo muito nosso, aqui de Lagos, e que pode ajudar a diferenciar a nossa oferta turística ao nível da gastronomia». Daí a grande aposta que o Município está a fazer, quer com a inscrição do doce no Guiness Book of Records, quer com a sua candidatura a Maravilha.

 

Quanto ao Guiness, Joaquina Matos sublinhou que se tratou de uma «iniciativa corajosa, pela complexidade», que envolveu o acompanhamento de todo o trabalho das doceiras por entidades externas, como os técnicos do Instituto Português de Qualidade.

As dez mulheres trabalharam no refeitório da Escola Tecnopólis, que «tem todas as condições» para um trabalho com este grau de exigência, disse ainda a autarca, visivelmente feliz pelo feito alcançado.

O próximo passo, «exigente», anunciou a autarca em declarações ao Sul Informação, é a certificação do Dom Rodrigo.

Com estas iniciativas, a presidente da Câmara espera que «a tradição da doçaria em Lagos, em especial a deste doce tão especial que é o Dom Rodrigo, continue a ser transmitida de geração em geração, como aconteceu até aqui».

E a autarca aproveitou para apelar ao voto no Dom Rodrigo, no concurso das 7 Maravilhas Doces, lembrando que o número para se votar é 760 107 136.

Maria Joaquina Matos defendeu que se trata de «uma competição saudável», expressando votos de que «o Dom Rodrigo seja considerado o melhor doce da região e aquele que vai representar o Algarve a nível nacional».

 

A história do Dom Rodrigo de Lagos

O Dom Rodrigo de Lagos é um doce algarvio de origem conventual, cuja receita teve origem no século XVIII, no antigo Convento de Nossa Senhora do Carmo, em Lagos.

Confecionado pelas freiras Carmelitas, ficou o seu nome associado ao Governador-Capitão General da Praça de Guerra de Lagos, D. Rodrigo de Menezes.

O Dom Rodrigo passou então a estar presente nas festas dos nobres e abastados comerciantes e industriais dos séculos XVIII e XIX, servido em taças de vidro ou de porcelana, sendo degustado à colher.

A apresentação deste doce como hoje é conhecida remonta à introdução do papel de alumínio em Portugal, na primeira metade do século XX, e à iniciativa de uma casa de doces regionais local, que introduziu a utilização da embalagem em papel de cor prata e, depois, de várias cores, de forma a diferenciar-se e assim atrair o consumidor.

A tradição sobrevive no saber de muitas doceiras que se dedicam à confeção deste doce regional, o qual pode ser apreciado em espaços comerciais da cidade e na Feira Concurso Arte Doce, organizada todos os anos pelo Município.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

 

 

Nota: O peso homologado pelo Guiness Book of Records é de 125,4 quilogramas (126,7 quilos, contando com a embalagem típica do doce), segundo a informação enviada no dia 30 de Julho pela Câmara Municipal de Lagos.

 

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