Algarvios partem à conquista dos mares de Vilamoura no Mundial de Vela

Velejadores de 24 países participam na competição

Beatriz Gago e Marta Fortunato

Vão lutar com aqueles que poderão ser as futuras estrelas da vela, a nível mundial, mas, nas águas de Vilamoura, querem mostrar que é o Algarve quem mais ordena. O Campeonato do Mundo, da classe 420, já arrancou, de forma oficial, e há velejadores algarvios prontos a fazer tudo por um verdadeiro lugar ao sol.

Até ao próximo dia 11 de Julho, a competição promete animar Vilamoura. Há equipas de 24 países para disputar o Campeonato Mundial de uma classe, destinada a maior de 14 anos, que se assume como uma rampa de lançamento para voos olímpicos.

Os campeões mundiais Seb Menzis e Blake McGlashan, da Nova Zelândia, estão presentes, mas também há velejadores algarvios em prova. O Sul Informação foi conhecer alguns antes do início das regatas.

Marta Fortunato, do Clube de Vela de Lagos, e Beatriz Gago, do Clube Internacional da Marina de Vilamoura, são apontadas como duas das favoritas no escalão feminino, em que vão disputar, com outras sete embarcações, o título mundial.

«Não temos um objetivo. Queremos dar o nosso melhor e esperar que seja suficiente para um bom lugar. Só  podemos definir uma meta, depois de cumprir o primeiro ou segundo dia de regatas», antecipa Marta Fortunato, de 15 anos.

A dupla totalmente algarvia é a atual bicampeã nacional de 420 e já desde Fevereiro que está em Vilamoura a preparar o Mundial. A primeira regata em que participa está marcada para sexta-feira, dia 6. «Vilamoura tem condições muito específicas. Quando fizemos alguns treinos com a equipa alemã reparámos que tinham maior dificuldade do que nós», diz Beatriz Gago.

Isso significa uma ligeira vantagem por já conhecerem os mares de Vilamoura? As velejadoras confessam que sim. «Estamos descontraídas e queremos pôr em prática o que andámos a treinar o ano inteiro», atira Beatriz Gago.

Na preparação da grande competição, que se realiza, pela segunda vez, no Algarve, as jovens Marta e Beatriz contaram com um importante apoio.

 

Luís Niza e Paulo Baptista

 

Paulo Baptista e Luís Niza, naturais de Tavira, já têm 32 anos, mas decidiram participar numa prova de classe mais dedicada aos jovens. Sagraram-se campeões nacionais absolutos, conseguiram o apuramento e, agora, estão em Vilamoura para tentar o melhor resultado possível.

«Vimos o anúncio de que o Mundial seria em Vilamoura há cerca de dois anos e começámos a falar se queríamos ou não participar. Não é a nossa casa, mas é como se fosse. É já aqui ao lado, mas envolve muitos sacrifícios», conta Paulo Baptista.

Desde 2008, ano em que deixaram a vela, depois de terem alcançado bons resultados na classe 420 no passado, que as competições têm estado de lado. Apenas fizeram uma pausa para o Europeu de 2011, em Tavira, e em que conseguiram ficar em 8º.

Agora, desde Outubro que estão a preparar o regresso – e logo a um Mundial. Perspetivas?

«Não conhecemos bem a frota. Fizemos uma regata de treino e ficámos em 7º lugar, no ano passado, mas não vamos baixar os braços. Não estamos a milhas dos adversários», diz Paulo Baptista.

Para poderem estar presentes, os algarvios tiveram de fazer um investimento de cerca de 12 mil euros só na compra de um barco. Os sacrifícios pessoais também foram muitos. Luís Niza, designer gráfico de profissão, veio todos os fins de semana de Lisboa para o Algarve só com o intuito de treinar.

Ainda assim, confessa que a experiência de serem mais velhos do que os adversários pode ser crucial. «A maturidade traz vantagens. Já cometemos menos erros básicos. Acreditamos que tudo acontecer», diz.

Para este Mundial, nas águas de Vilamoura estarão 230 equipas, num total de 462 velejadores de 24 nacionalidades, acompanhados por 72 treinadores. Os atletas vão disputar três classes: Open (equipas masculinas ou mistas), feminina e júnior (under 17).

Além das equipas participantes, são ainda esperadas várias centenas de acompanhantes, entre familiares e amigos dos velejadores.

Segundo a organização, este evento mundial de vela irá garantir à hotelaria e restauração da região um total de 10425 dormidas e 41700 refeições. Contas feitas, o impacto económico previsto na região será de cerca de 2,5 milhões de euros.

 

Nuno Reis

 

Pela primeira vez, este Mundial tem também uma outra particularidade, como sublinhou Nuno Reis, diretor do centro de estágios Vilamoura Sailing, na conferência de imprensa de apresentação da prova. É que este é um Eco-Evento, selo atribuído pela Algar.

Foram produzidas dezenas de sacos em tecido reciclado de telas, lonas, outdoors e muppis, que funcionam como eco-pontos (separação de lixo) e que serão colocados nas embarcações dos treinadores. O objetivo é que os velejadores depositem nestes sacos não só o lixo que produzem, mas também o lixo que recolham do mar.

A quantidade de resíduos recolhidos ao longo de todo o campeonato será pesado e resultará numa quantia que será entregue à Instituição Centro de Apoio à Criança de Quarteira.

As habituais garrafas de plástico também serão substituídas por garrafas de alumínio, que poderão ser reabastecidas em dois pontos de enchimento, equipados com filtros de água.

Toda esta dinâmica de mais um grande evento só é possível devido a um «enormíssimo esforço da Marina de Vilamoura», segundo Nuno Reis.

Mas a verdade é que é a importância de receber este Mundial no Algarve é «grande», no entender de José Massapina, vice-presidente internacional da Associação Internacional da Classe 420.

«É importante tanto para trazer pessoas a conhecer o país, como para potenciar os nossos atletas. Há grandes expetativas face aos algarvios. Temos três tripulações com fortes possibilidades de atingir o pódio nas suas diferentes categorias», disse o também antigo presidente do Clube Náutico de Tavira.

 

 

Os algarvios Manuel Fortunato e Frederico Baptista são a outra dupla de velejadores oriundos da região a participar na competição.

«Espera-se um Mundial muito bem disputado que vai mostrar à gente da vela como este é um local privilegiado, mas que também vai projetar o Algarve além-fronteiras», concluiu José Massapina.

 

 

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