Terras sem Sombra pisca o olho aos mais novos com orquestra de jovens

A orquestra Pundaquit Virtuosi é constituída por filhos de pescadores de uma pequena vila costeira das Filipinas

As crianças e os jovens vão ter um fim de semana Terras sem Sombra a eles dedicado, no sábado e no domingo, em Ferreira do Alentejo. Desta feita, os convidados especiais do festival que percorre várias localidades alentejanas são os Pundaquit Virtuosi, «uma orquestra para o futuro» que traz a Portugal a «excelência da música filipina».

Este é, segundo os organizadores do Festival Terras sem Sombra, um projeto muito especial, que prova que a música é uma linguagem universal e uma potente ferramenta contra a exclusão social.

É que esta orquestra é constituída por filhos de pescadores filipinos da vila costeira de Pundaquit, envolvidos num projeto de educação musical pioneiro naquele país.

É com jovens músicos que o Terras sem Sombra quer chegar ao público jovem. «É preciso enfrentar o dilema do evidente envelhecimento do público da música erudita e isso só pode ser conseguido se existir uma aposta forte e qualificada nas novas gerações», acredita José António Falcão, diretor-geral do festival.

«Já não há tempo a perder e a estratégia passa pelo envolvimento das famílias e de algumas instituições-base, mais próximas dos centros de decisão de cada comunidade», acrescentou.

Com isto presente, será apresentado no sábado, dia 29, às 21h30, no Jardim Público de Ferreira do Alentejo, o concerto “As Estrelas e o Sol – Música Filipina dos Séculos XX e XXI”. Vão estar em palco os Pundaquit Virtuosi, sob a direcção do famoso violinista e maestro Alfonso “Coke” Bolipata.

«Em ambiente festivo, celebra-se o poder da arte musical como catalisador social e instrumento pedagógico de primeira grandeza», resumem os organizadores do festival.

A história desta jovem orquestra tem na sua génese uma catástrofe. Há alguns anos, Pundaquit, uma vila costeira do município de San Antonio, em Zambales, província filipina que se situa na região central da ilha de Luzon, entre o Mar do Sul da China e as montanhas Zambales, foi um dos locais afetados pelas erupções do vulcão Pinatubo.

«A catástrofe natural desencadeou, inicialmente, um surto de pânico que afetou a vida da terra, mas a comunidade não baixou as mãos e optou por uma mudança de paradigma. Muitos partiram, em busca de trabalho temporário noutras paragens. No entanto, a identidade local manteve-se, assim como as tradições. À humilde aldeia de cabanas sucedeu uma vila orgulhosa de casas modernas», descrevem.

«No meio de todas as mudanças entretanto introduzidas, uma fundação de Pundaquit, a Casa San Miguel, tem desenvolvido um projeto pioneiro para educar, através da música e da inovação pedagógica, as crianças cujos pais se juntaram à diáspora filipina rumo ao estrangeiro. Os filhos dos pescadores que tiveram que emigrar encontram aí uma segunda casa e, sob a orientação de um dos mais destacados músicos do país, Alfonso “Coke” Bolipata, têm acesso a uma cuidada formação artística que lhes permite dominar, com igual mestria, os repertórios clássico e contemporâneo», acrescenta a organização do Terras sem Sombra.

Esta formação musical, «saudada pela crítica internacional como uma das mais promissoras orquestras juvenis da atualidade», reúne 28 músicos, oriundos de seis gerações de artistas formados na sua vila, «alguns dos quais já desenvolvem carreiras a solo, como os violinistas Zildjian Marcos e Gabriel Mendonza».

O concerto de Ferreira do Alentejo apresenta uma panorâmica da música nas Filipinas, «desde a tradição poética dos inícios do século XX até à criação mais avançada dos nossos dias, e é bem revelador das múltiplas tendências que caraterizam a vida cultural daquele vasto país, onde o cruzamento das estéticas do Oriente e do Ocidente deu origem a uma síntese profundamente inovadora»

Esta iniciativa resulta da parceria do Terras sem Sombra com a Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo e a Embaixada das Filipinas e insere-se nas comemorações do 121º aniversário da proclamação da República das Filipinas. Conta com diversas atividades de intercâmbio cultural, entre elas jogos de tabuleiro tradicionais, como sungka e dama, experimentação de yo-yos (brinquedos originários das Filipinas e que serviam inicialmente como armas) e um “mercadinho” de especialidades da gastronomia e do artesanato daquele país.

O Alentejo e o Algarve acolhem presentemente uma significativa comunidade de cidadãos filipinos, ligados, na maioria, aos setores dos serviços. Tem vindo também a crescer o número de turistas filipinos em Portugal.

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