Espetáculos do Lavrar o Mar tiveram 99,6% de ocupação e cada vez mais estrangeiros

O futuro? «Continuar a surpreender»

Eva Poro #2 – Foto: © João Mariano

Uma taxa de ocupação média de 99,6%, seis dos nove espetáculos totalmente esgotados e cada vez mais estrangeiros. A terceira edição do Lavrar o Mar, programa cultural que tem levado artes e cultura a Monchique e Aljezur, já chegou ao fim com o balanço a ser muito positivo.

Esta nova edição, que teve o ar como mote, traduziu-se em nove espetáculos (dos quais cinco foram novas criações) e seis residências artísticas, duas delas de companhias estrangeiras.

A totalidade destes espetáculos resultou em 44 sessões que tiveram, no total, 7858 espectadores.

A vontade de conhecer estas criações (sempre surpreendentes) do Lavrar o Mar é tanta que, ao longo de toda a edição, houve cerca de 1000 pessoas que ficaram em lista de espera. Espetáculos como o novo circo, em Monchique, foram um exemplo do sucesso de bilheteira deste programa.

Os dados não ficam por aqui. Por exemplo, entre o público total, 69% tem nacionalidade portuguesa e 31% tem nacionalidade estrangeira.

Já entre o público de nacionalidade portuguesa, 85% são residentes no Algarve, enquanto 15% vêm do resto do país.

 

Madalena Victorino e Giacomo Scalisi, os mentores do Lavrar o Mar – Foto: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

Entre os portugueses residentes, 22% vivem no concelho de Aljezur, 20% no concelho de Portimão, 18% no concelho de Lagos e 17% no concelho de Monchique. 16% dos portugueses vêm, ainda, dos concelhos de Loulé, Faro, Silves e Albufeira, enquanto 7% vêm dos restantes municípios do Algarve.

Quanto aos portugueses visitantes, os números mostram como este “Lavrar o Mar” já é conhecido muito para além do Algarve: 57% vêm da Grande Lisboa, 33% do Alentejo (nomeadamente de Odemira, Santiago do Cacém, Sines e Ourique), 9% da Zona Centro e Norte e 1% dos restantes territórios nacionais.

Já entre o público de nacionalidade estrangeira, 81% são residentes no Algarve e 19% são turistas.

Entre os estrangeiros residentes no Algarve, 41% são alemães, 16% são ingleses, 9% são holandeses, 7% são italianos e 6% são franceses. As restantes nacionalidades correspondem a 21% do total.

Quanto aos estrangeiros visitantes, ou turistas, 41% são alemães, 10% são ingleses, 9% são franceses e 7% são holandeses. As restantes nacionalidades correspondem a 33%.

Uma das marcas deste projeto é o envolvimento com a população local, dinâmica que se reforçou ainda mais nesta edição.

«Em oito dos nove espetáculos, houve uma participação ativa da comunidade, ora no apoio à concretização dos mesmos, ora nos objetos artísticos concretamente. Pudemos contar com a participação de pessoas de várias nacionalidades, como cozinheiros, padeiros, destiladores, costureiras, músicos, bailarinos, crianças, jovens e idosos», dizem os promotores, num balanço final a que o Sul Informação teve acesso.

O arranque desta programação deu-se com “Medronho #1 – O fogo não tem quatro letras”, uma criação que teve como base os grandes incêndios de Monchique de Agosto do ano passado.

Numa tentativa de mostrar a devastação e partilhar o luto desta tragédia, assim como as suas entrelinhas, construiu-se um guião, a partir do contacto directo com algumas pessoas que viveram de perto este acontecimento.

Esta saga “Medronho” teve, assim, uma viragem (em relação aos anos anteriores), focada nesse desastre real, mas continuou a ser da autoria dos escritores Sandro William Junqueira e Afonso Cruz. Recentemente, até já deu em livro.

 

Medronho e o senhor José Maria – Foto: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

 

Nesta edição, também houve “Eva Poro #1” e “Eva Poro #2”, espetáculos que procuraram este diálogo entre as pessoas, o espaço e o tempo.

«Para esta criação contribuíram crianças portuguesas e estrangeiras de realidades diferentes, adultos portugueses e estrangeiros, residentes e não residentes nesta região. Procurou-se, a partir da realidade atual, retratar e homenagear a realidade de outrora através das artes e a partir de diferentes olhares», dizem os promotores do Lavrar o Mar.

Voltou, também, a usar o já famoso Festival da Batata Doce de Aljezur como pano de fundo para uma criação diferente…o baile culinário “Dancing!”. Nele participaram cozinheiras, bailarinos, músicos locais e a novíssima Orquestra Vicentina.

Além de “KAÔ”, dedicado a crianças até aos 3 anos acompanhadas pelos seus pais, houve o tradicional espetáculo de novo circo no fim do ano.

Todas as sessões esgotaram completamente, levando 3500 pessoas a Monchique entre os dias 28 de Dezembro e 1 de Janeiro. Houve, inclusive, «um acréscimo de 1000 espectadores face à edição anterior».

Em Abril e Maio já deste ano, o “Lavrar o Mar” acolheu duas companhias francesas que foram desafiadas a trabalhar neste território a partir do seu olhar exterior. “Traversée” e “Les Voyages” «resultaram em dois espetáculos com uma dimensão de participação comunitária intensa, fundamental e com feedback bastante positivo».

 

Foto: Hélder Santos | Sul Informação

 

Nesta temporada, realizaram-se, pela primeira vez, workshops abertos ao público e de participação livre, sem carácter vinculativo, no contexto do espetáculo “Traversée”. Aqui as pessoas puderam experimentar e aprender a prática de funambulismo.

Para os promotores, o Lavrar o Mar «continua assim o seu rumo com uma maior motivação e sentido de responsabilidade para com o seu público».

«Propusemo-nos a fidelizar o público existente e a relacionar-nos com novos públicos (como as crianças e os estrangeiros) e conseguimo-lo com sucesso. Procurámos trabalhar e envolver-nos com a comunidade com uma maior profundidade e assim aconteceu», acrescentam.

E para o futuro? A resposta é perentória: «continuar a surpreender».

O Lavrar o Mar teve o apoio do “365Algarve”, das Câmaras de Monchique e Aljezur e do CRESC Algarve2020.

 

 

 

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