Escola de Olhão ganha mural para ajudar a salvar os cavalos marinhos

Agrupamento João da Rosa foi uma das primeiras Escolas Azuis de Portugal

Há mais de 20 anos, quando era aluno da escola, SEN deixou a sua marca numa das paredes da EB 2,3 João da Rosa, em Olhão, e foi levado ao Conselho Diretivo. Agora, o artista olhanense voltou ao estabelecimento onde estudou, mas a convite da direção, para pintar murais de cavalos marinhos, os afilhados daquela que foi a primeira Escola Azul do Algarve.

A pintura dos dois murais, cada qual com um cavalo marinho gigante, foi possível graças ao apoio do Rotary Clube de Olhão e da empresa Tintas 2000 e enquadra-se no projeto Escola Azul, que visa a promoção da preservação dos Oceanos e das espécies marinhas.

«Temos uma parceria com o Rotary Clube de Olhão, que demonstrou interesse em apoiar o Escola Azul e que nos disponibilizou 500 euros para levar a cabo uma ação», explicou ao Sul Informação Carla Pacheco, bióloga marinha e representante da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas João da Rosa neste projeto.

Tendo em conta que uma das principais preocupações da atual direção da associação de pais é «o empobrecimento dos recreios» das escolas do agrupamento, a ajuda oferecida pelos rotários foi vista como uma oportunidade de melhorar as zonas de brincadeira das crianças.

«Decidimos criar estes grandes murais, na sede, bem como elementos mais pequenos, ligados a jogos de chão ou de parede, nas diferentes escolas do agrupamento. Assim, o SEN, além destes dois grandes cavalos marinhos, irá pintar outros mais pequenos noutros estabelecimentos, bem como jogos com elementos que remetem para esta espécie animal ou para a Ria Formosa», enquadrou Carla Pacheco.

Além deste apoio, surgiu o das Tintas 2000, «que financiaram a 100% as tintas e sprays necessários».

 

Foto: Rodrigo Damasceno|Sul Informação

 

Com os murais, que são bem visíveis para quem está de fora da escola e para quem passa na estrada que liga a rotunda da Patinha à zona industrial de Olhão, pretende-se chamar a atenção para as ameaças que pendem sobre os cavalos marinhos da Ria Formosa.

«Esta é uma maneira de passar a mensagem e reforçar a ideia de que a população dos cavalos marinhos precisa que a comunidade de Olhão se mobilize e trabalhe em conjunto para a sua preservação, pois todos sabemos que há muita captura ilegal. Ao mesmo tempo, conseguimos enriquecer os recreios, usando os parcos recursos que temos», resumiu Carla Pacheco.

Este trabalho nas diferentes escolas será realizado durante o Verão. «Quando as aulas começarem, sem Setembro, queremos assinalar a coisa em grande, para que todas as crianças possam ver».

«Queremos passar esta mensagem em todas as escolas do agrupamento e, se possível, nas outras escolas do concelho de Olhão. Mas ficamos cada vez mais ligados à imagem do cavalo marinho, uma causa para a qual estamos todos a trabalhar», acrescentou, por seu lado, Luís Felício, diretor do agrupamento.

Já o artista SEN não esconde que este trabalho tem caraterísticas especiais. «Esta foi a escola onde eu andei e acho que é altamente que a Associação de Pais me tenha convidado a vir pintar, não ter sido eu a pedir. É uma grande oportunidade. Já tinha pensado em pedir uma parede da escola, mas nunca avancei muito com isso», disse o graffer olhanense, numa conversa que manteve com o Sul Informação, quando ainda estava a iniciar o mural.

«Esta pintura serve para alertar as pessoas para a pesca ilegal de cavalos marinhos. Inspirei-me numa imagem que me foi mostrada pela associação e, agora, pinto à minha maneira. Mas vai ficar uma coisa fixe», acredita.

«À partida, serão necessárias 80 latas de spray, mais a tinta de rolo», antecipou SEN.

 

Fotos: Rodrigo Damasceno e Hugo Rodrigues|Sul Informação

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