Arqueólogos voltam a Cacela Velha para procurar “tesouros” enterrados

Este ano, escavações vão envolver cerca de 30 pessoas

As escavações arqueológicas vão regressar a Cacela Velha já na segunda-feira, dia 17 de Junho, naquela que será a continuação do projeto de investigação «Muçulmanos e cristãos em Cacela medieval: território e identidades em mudança».

Até 12 de Julho, investigadores e alunos universitários vão trabalhar no Campo-Escola de Arqueologia de Cacela para descobrir mais alguns dos segredos enterrados nesta pequena – mas muito antiga – localidade do concelho de Vila Real de Santo António.

Esta escavação, que resulta de uma colaboração entre a Direção Regional de Cultura do Algarve, a Universidade do Algarve e a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, vai envolver cerca de 30 participantes, nacionais e estrangeiros.

Este ano, como o Sul informação avançou em Março, a ideia é dar continuidade ao trabalho que foi iniciado em 2018.

«Continuamos à procura do cemitério islâmico, que é o que nos falta. No ano passado, só não fomos para a zona onde julgamos que ele existe, porque se tornava incomportável. Era muito complicado em termos logísticos. Pensamos que fica um pouco mais para cima, na zona da Várzea [a Norte da aldeia]», disse ao Sul Informação a arqueóloga Maria João Valente, que coordena o projeto com a também arqueóloga Cristina Teté Garcia, à margem da sessão de apresentação dos resultados preliminares da primeira campanha de escavação deste projeto.

«Em 2019, vamos voltar ao local onde estivemos em 2018, para acabar a escavação, e vamos para a outra zona, onde esperamos que possa estar a necrópole islâmica», acrescentou a arqueóloga.

 

Esqueleto de pessoa que foi enterrada com colar de pedras e uma grande pedra em cima da cabeça….quem seria?

 

A Direção Regional de Cultura reforçou, numa nota enviada às redações, que «as áreas abertas em 2018 vão ser alargadas, continuando a desenvolver o estudo do bairro medieval islâmico (séculos XII-XIII) e a necrópole da Ermida de N. S. dos Mártires (séculos XIII-XVI)».

Os trabalhos do Campo-Escola incluem escavação, registo e análise das diferentes camadas, recolha de sedimentos, recolha e identificação de materiais, como cerâmicas, restos alimentares, peças de metal, entre outras.

Além das escavações propriamente ditas, fazem parte do programa desta campanha um workshop em bio-arqueologia, que decorrerá no dia 18 de Junho, entre as 16h00 e as 18h00, e a iniciativa “Passos Contados”, uma visita ao campo com os arqueólogos no local, marcada para 13 de Julho, às 18h00, e dinamizada pelo CIIP Cacela.

Será ainda realizada uma conferência sobre “Práticas funerárias no período medieval. O que nos dizem hoje os vestígios arqueológicos”, a realizar na Casa do Pároco, no dia 27 de Junho, às 18h00.

Como já havia acontecido em 2018, haverá um Dia Aberto a 9 de Julho, entre as 10h00 e as 14h00, em que qualquer pessoa pode «visitar o espaço da escavação, ver alguns achados arqueológicos e ouvir as novidades».

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