América e céu estrelado no Terras sem Sombra em Barrancos

Diva norte-americana Ellen Rabiner é a artista que irá atuar em Barrancos

Ellen Rabiner, uma famosa contralto norte-americana, é a convidada de mais um fim de semana Terras sem Sombra, que vai decorrer em Barrancos, no sábado e no domingo, e que, além da música, contará com observação astronómica e com uma sessão sobre a prevenção de incêndios.

Em 2019, os Estados Unidos da América são o país convidado do festival Terra sem Sombra e a visita a Barrancos será marcada por esta ligação internacional.

A comitiva americana é composta não só pela artista que protagonizará o momento alto do fim de semana, um recital agendado para as 18h30 de sábado, no cineteatro de Barrancos, mas também George E. Glass, embaixador dos Estados Unidos em Portugal, «que visita oficialmente, pela primeira vez, a margem esquerda do Guadiana», segundo os organizadores do festival.

É precisamente com o concerto de Ellen Rabiner, «uma diva da nova-iorquina Met», que começará o programa de nova etapa do festival que leva a cultura a diferentes pontos do Alentejo. Neste recital, a cantora será acompanhada ao piano pelo maestro Nuno Margarido Lopes.

O concerto “Convite à Viagem: Espaços, Memórias e Tempos do Canto Lírico” traça «uma panorâmica da tradição lírica, do Barroco à atualidade, e revela a abrangência do repertório da cantora, uma das grandes vozes mundiais da transição do século XX para o XXI».

«Rabiner une uma técnica impecável a uma interpretação apaixonada e a um belíssimo timbre de contralto, um tipo bastante raro de voz feminina, com a mais grave tessitura, cujo alcance vocal se situa entre o de tenor e o de meio-soprano», descrevem os promotores do Terras sem Sombra.

Formada na Indiana University School of Music, Ellen Rabiner doutorou-se em Direito pela Harvard University. Fez o début na Metropolitan Opera, em 1994, como Erste Magd, em Elektra, de Strauss (papel que também cantou, com Seiji Osawa, na Opera Nomuri). Regressou a esta companhia durante nada menos do que 17 temporadas, interpretando, por exemplo, Sonyetka, em Lady Macbeth do Distrito de Mtensk, de Shostakovich, Schwertleite, em As Valquírias, de Wagner, e Die Kranke, por ocasião da estreia, na Met, de Moisés e Arão, de Schoenberg. Ficou famosa a sua interpretação, como Pasqualita, em Doctor Atomic, do compositor norte-americano John Adams.

Nuno Margarido Lopes estudou piano com Alexei Eremine e composição com Evgueni Zoudilkin. Em 1997, iniciou a colaboração com a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Teatro Nacional de São Carlos, onde se fixou e exerce funções de maestro correpetidor e assistente de João Paulo Santos. Já se apresentou em concerto com Daniel Hope, Dimitra Theodossiu e Elisabete Matos. É diretor artístico e maestro titular do Coro Juvenil de Lisboa desde a sua fundação, em 2011.

Ainda no sábado, mas a partir das 21h30, é tempo de olhar para o céu, no castelo de Noudar. «Aqui, o alvo é uma visita guiada ao magnífico céu noturno de uma das zonas mais escuras de Portugal. Os participantes orientar-se-ão pela estrela Polar, identificarão as constelações e conhecerão lendas associadas a este mundo misterioso. Farão também a observação da Lua e, relacionando a cor das estrelas com as suas idades e temperaturas, descobrirão enxames de estrelas, nebulosas e galáxias, contarão as luas de Galileu a orbitar Júpiter e examinarão os anéis de Saturno».

Isto será possível graças aos telescópios «e outros equipamentos sofisticados» que estarão espalhados pela fortaleza. Esta iniciativa conta o apoio do Observatório do Lago Alqueva, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores. Os guias são os astrofísicos Nélson Nunes e João Retrê e o astrónomo Pedro Ré.

A partir das 9h30 de domingo, será dado espaço à transmissão de conhecimentos na área da prevenção e combate do fogo «num território raiano de elevado valor ambiental».

«Sob a orientação de peritos das corporações de bombeiros do Alentejo, Andaluzia e Extremadura, vai compreender-se como, graças a um projeto pioneiro ao nível ibérico, os incêndios são controlados através de uma cooperação transfronteiriça dinâmica e permanente, que aposta na antecipação e na resposta rápida», resume a organização do festival.

Todas as atividades do Terras sem Sombra em Barrancos são de acesso livre e resultam da parceria com o Município, a EDIA e a Embaixada dos EUA.

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