Medicina no Algarve: os primeiros 10 anos

Passados 10 anos, começam a graduar-se os primeiros especialistas formados na Universidade do Algarve

2019 destacar-se-á, agora e no futuro, no Algarve e no mundo médico, como o que assinala os 10 anos sobre o início do curso de Medicina na Universidade do Algarve (mestrado integrado em Medicina) e a graduação dos primeiros médicos especialistas, formados na Universidade do Algarve.

Aprovado em 2008, pelo XVII Governo Constitucional, após recomendação da Comissão Internacional de Avaliação do Ensino Superior de Medicina, e descrito pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, como inovador em termos pedagógicos, o mestrado integrado de Medicina é fruto da ação concertada das forças políticas e sociais do Algarve, que, a partir de 2004, e depois das sucessivas declarações dos ministros da Ciência e do Ensino Superior, do XV Governo Constitucional, que admitiam a criação de mais “duas a três faculdades de medicina”, trabalharam de forma concertada para concretizarem a criação do curso de Medicina na Universidade do Algarve.

Conseguiram que a ministra da Ciência, Inovação e Ensino Superior, Maria da Graça Carvalho, solicitasse à Universidade do Algarve a elaboração de uma proposta para a criação de um curso de Medicina, o que viria a ser concretizado em 2008, tendo por base os princípios estabelecidos na Resolução do Conselho de Ministros 140/98 que afirmava que a serem criados novos cursos de medicina, estes deveriam representar uma inovação significativa em educação médica.

Passados 10 anos, vencidas algumas das resistências e incompreensões, desmontados os principais mitos, ultrapassadas as reservas da Ordem dos Médicos, bem expressas nas declarações do seu Bastonário na visita à universidade em 2013, começam a graduar-se os primeiros especialistas formados na Universidade do Algarve.

Apesar de um número muito significativo de médicos (38%) ter escolhido o Algarve para se graduar, os cerca de 200 médicos formados desde 2009/2010 espalham-se por todo o país e pelo estrangeiro e pelas mais diversas especialidades, (51% em especialidades de base hospitalar e 49% em medicina geral e familiar), dando um contributo relevante para o reconhecimento de um projeto inovador, assente num processo de seleção baseado nas competências pessoais e nas capacidades cognitivas de alunos previamente licenciados, na aplicação do método PBL (Problem-Based Learning), como responsável pelo ensino das bases teóricas da medicina, na aprendizagem, contextualizada e ativa entre pares, desde o primeiro ano do curso, numa avaliação clínica objetiva e estruturada (OSCE – Objective Structured Clinical Examination).

Passados 10 anos, muitos são os desafios que se colocam ao curso de Medicina e ao campo da saúde no Algarve. As recentes criações do Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve, em 2016, e do Centro Hospitalar Universitário do Algarve, E. P. E., em 2017, bem como a criação de futuras unidades de cuidados de saúde primários universitárias são disso exemplo.

Assim como o é o anúncio do projeto “ABC – Loulé Active Life Health & Research”, fruto da colaboração entre o Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve – ABC Algarve Biomedical Center e a Câmara Municipal de Loulé, agregando competências nas áreas da inovação, da investigação e da tecnologia da saúde, enquadradas numa estratégia de desenvolvimento e de qualificação do Algarve no setor da saúde, melhorar os cuidados prestados e a qualidade de vida dos cidadãos que residem e visitam a região.

Num século em que a saúde se tornou um fator importante nas economias e uma componente crítica nas expectativas dos cidadãos, uma das características das sociedades de saúde é a sua capacidade de expansão para além das áreas curativa e reabilitadora.

A Saúde é hoje considerada um direito dos cidadãos e uma capacidade para criar, impulsionar e influenciar estilos de vida e comportamentos para obter «mais saúde» e bem-estar.

Com a criação do curso de Medicina na Universidade do Algarve, o país deu um passo decisivo no combate às iniquidades regionais, permitindo a qualificação, o desenvolvimento e uma significativa melhoria na coesão territorial, permitindo melhorar não só as condições de vida das populações mas também criar novos desafios à Universidade do Algarve e ao sector da saúde para que se tornem num polo de desenvolvimento económico e social da região.

 

Autor: Rui Lourenço
Médico
Diretor do Centro de Saúde de Loulé de 1997 a 2013.
Presidente da ARS Algarve, IP de 2005 a 2011.
Tutor clínico no Mestrado Integrado de Medicina da Universidade do Algarve desde 2012

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