Lavrar o Mar também é ter acrobatas a mostrar o território e as pessoas

Entrada é livre

Foto: Hélder Sousa | Sul Informação

O território, a arquitetura e as pessoas. Esta é a tríade que serve de mote a mais um espetáculo do “Lavrar o Mar”. 22 acrobatas compõem o elenco de “Les Voyages”, uma espécie de circo contemporâneo que se vai realizar ao ar livre, longe de uma tenda. Será já este fim de semana, 4 e 5 de Maio, em Aljezur e Monchique, com entrada livre.

Em Março, um pequeno grupo da companhia “XY”, de Lille (França), veio ao Algarve. Durante os dias em que cá estiveram, visitaram os concelhos de Aljezur e Monchique, os dois centros do “Lavrar o Mar”, para, com que o foram encontrando, conceber “Les Voyages”.

«Este não vai ser um espetáculo normal. Esta ligação com a comunidade é para nós crucial, mas também se torna importante que possamos oferecer os olhares dos outros sobre o território, não só já o meu e o da Madalena», enquadrou Giacomo Scalisi, um dos programadores do “Lavrar o Mar”, ao Sul Informação.

 

 

“Les Voyages” é, por isto, um espetáculo de acrobacia que só se podia realizar nestes dois sítios: no Portinho da Arrifana (Aljezur), no sábado, 4 de Maio, às 18h00, e na vila de Monchique, no domingo, dia 5, às 16h30.

Porquê? Porque se apropria do espaço, utilizando-o como ponto de partida e uma das personagens principais da sua ação.

Em ambos, haverá pequenos percursos, já definidos, onde o grupo de 22 acrobatas fará a sua arte.

«São percursos com lugares, pessoas, mas também música. No Portinho da Arrifana, há todo um percurso que vai até ao miradouro, onde o público terá uma surpresa. Em Monchique, a partida será no Largo dos Chorões e vamos andar pela vila», explicou Giacomo.

Quem for ver, garante o programador cultural, também será convidado a participar nas acrobacias que podem incluir, por exemplo, subir para as costas de alguém. Há corajosos?

 

 

«Usando o corpo e o equilíbrio, eles conseguem fazer estas construções humanas. O que queremos é também passar isto para as pessoas, mostrando uma mensagem de força e comunidade. Todos juntos conseguimos fazer o que é impossível alcançarmos sozinhos», disse Giacomo Scalisi ao nosso jornal.

Mas, as atividades desta companhia de acrobatas pelo Algarve já começaram ainda antes destes dois espetáculos. Pequenas apresentações, a que chamaram “protocolos”, animaram localidades de Aljezur e Monchique, nos dias 1 e 2 de Maio.

Numa delas, em Odeceixe, que o Sul Informação acompanhou, os artistas andaram pela vila a fazer acrobacias, com base no que iam vendo. Subiram ao Moinho, utilizaram as paredes da Igreja e foram saudando as pessoas que passavam nas ruas com acrobacias.

A dona Adélia Maria foi uma das visadas. Sentada à porta de casa, com uma sombrinha a tapar o sol, foi surpreendida pelas figuras acrobáticas da companhia “XY. Por alguns minutos, ficou a olhar, maravilhada, e no final confessou gostar da surpresa.

«Então não havia de ter gostado? Passam por aqui muitos estrangeiros, que me tiram fotos, mas esta foi uma boa surpresa. Até vou avisar o meu filho, que mora na Arrifana, acerca disto», confessou, sorridente, ao Sul Informação.

 

 

Com estes “protocolos”, pequenos apontamentos artísticos, também se fez uma promoção dos dois espetáculos maiores deste fim de semana. É que Giacomo Scalisi andou sempre a distribuir postais, às pessoas que ia encontrando, sobre ambas as exibições, no Portinho da Arrifana e em Monchique.

Para essas, Sergi Parès, um dos acrobatas da “XY”, confessou ao nosso jornal que o objetivo é «juntar o maior número de pessoas possível». «A ideia é convidar pessoas a juntarem-se a nós. O nosso trabalho é, no fundo, uma abordagem humana e poética ao contacto físico e à acrobacia», explicou.

Desta vez, há uma grande novidade para este espetáculo do “Lavrar o Mar”: as entradas são gratuitas.

Dada a corrida aos bilhetes, que é tão habitual, «decidimos dar este presente aos nossos fãs», concluiu Giacomo Scalisi, entre risos.

 

Fotos: Hélder Santos | Sul Informação

 

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