Em Maio, a Terra passa pelo rasto libertado pelo cometa Halley

Poluição luminosa pode dificultar observação da chuva de estrelas

Céu a sudeste pelas 6 horas da madrugada de dia 2. É também visível o radiante da chuva de estrelas Eta Aquáridas e a posição da Lua nas madrugadas de dias 21, 23 e 26.

(imagem adaptada de Stellarium)

A presença da Lua junto ao planeta Vénus, ao raiar da aurora de dia 2, marca o início deste mês de efemérides astronómicas.

Na madrugada seguinte, o nosso satélite natural já se terá aproximado de Mercúrio, planeta que apenas será visível até meados do mês, altura em que estará numa direção muito próxima da do Sol. Mercúrio só voltará a reaparecer a meio da última semana do mês, mas já ao anoitecer.

Por se encontrar na direção do Sol, a Lua Nova que ocorre ao final de dia 4 oferece uma boa oportunidade para se ver alguns objetos celestes menos brilhantes, tais como o aglomerado estelar do Presépio (na constelação do Caranguejo) ou asteróide Ceres, o maior objeto da Cintura de Asteróides. Mas tal observação requer o uso de binóculos ou telescópios.

Nas primeiras semanas de Maio, o nosso planeta atravessa o rasto de pequenas partículas libertadas pelo cometa Halley ao longo da sua órbita de 75 anos.

Tal dá origem a uma chuva de estrelas que parecem irradiar da vizinhança da estrela Eta da constelação do Aquário, daí o seu nome: as Eta Aquáridas.

O pico de atividade desta chuva de estrelas ocorre no dia 5, sendo de esperar, no máximo, quatro dezenas de meteoros por hora. Mas tais valores apenas são atingidos em locais completamente livres de poluição luminosa. Algo que, nos últimos anos, se tem tornado algo cada vez mais raro.

Entre o início da noite de dia 6 e o final de dia 7, iremos notar como a Lua se desloca da vizinhança de Aldebarã, o olho da constelação do Touro, até junto de Marte.

Um dia depois, a Lua irá situar-se ao lado da constelação dos Gémeos. Na madrugada de dia 11, a Lua já terá chegado ao aglomerado estelar do Presépio (também chamado de Colmeia).

O quarto crescente terá lugar na madrugada de dia 12, uma excelente altura para se observar o nosso satélite natural, pois a forma como a luz solar incide sobre a Lua origina grandes sombras que realçam o relevo lunar.

Na noite de dia 18, terá lugar a Lua Cheia junto à constelação da Balança. Duas noites depois, a Lua já terá passado ao lado de Júpiter, planeta que, por estes dias, se encontra na constelação do Ofiúco (ou Serpentário).

Na noite de dia 22 para 23, a Lua passará numa direção tão próxima da de Saturno, que, na África do Sul, verão mesmo a Lua a ocultar este planeta.

Dia 26, terá lugar o quarto minguante. Dois dias depois, o asteróide Ceres estará em oposição (i.e. em direção diametralmente oposta à do Sol) e simultaneamente no periélio (ponto de maior aproximação ao Sol). Esta é uma excelente oportunidade para se observar esse planeta anão, o qual, por esta altura, se situa entre as constelações do Escorpião e do Serpentário.

Boas Observações!

 

Céu a sudoeste pelas 21 horas de dia 6. Igualmente é indicada a posição da Lua nas noites de dias 8, 10 e 12 (imagem adaptada de Stellarium)

 

Autor: Fernando J. G. Pinheiro (CITEUC)
Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

 

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