Universidade Aberta conta com o Algarve para formar 50 mil adultos até 2030

Universidade Aberta vai beneficiar da regulamentação do ensino superior à distância e quer aprofundar parceria com a Universidade do Algarve

Paulo Dias, Reitor da Universidade Aberta_Foto UAb

A Universidade Aberta (UAb) quer aprofundar as relações com a Universidade do Algarve (UAlg) e formar cada vez mais adultos, na região algarvia.

Numa altura em que o regulamento jurídico do ensino à distância está em fase de aprovação, esta Instituição de Ensino Superior (IES) pública está prestes a assumir um compromisso com o Governo para formar 50 mil adultos, os normalmente designados “maiores de 23”, até 2030.

Um objetivo ambicioso, que, como ilustrou Paulo Dias, reitor da Universidade Aberta, em entrevista ao Sul Informação, terá de ser um desígnio nacional e irá motivar a colaboração entre diferentes instituições.

Segundo o responsável máximo pela UAb, a iminente aprovação da regulamento jurídico do ensino superior à distância representa «uma mudança enorme no país», em relação a este tipo de educação.

«Significa que passa a ter enquadramento legal, que a sua existência passa a ser regulamentada. Trabalhamos ao nível da qualidade, o que é muito importante, mas sobretudo fica estabelecido um regime de colaboração entre a Universidade Aberta e as outras IES públicas, no âmbito de um quadro legal», explicou Paulo Dias.

A regulamentação, por outro lado, «aumenta a confiança da população em geral neste regime de ensino à distância».

Paulo Dias realça ainda o «importante» contrato que será estabelecido entre o Governo e a UAb para a formação da população adulta, os tais 50 mil adultos que se quer ver formados até 2030.

«O país tem de se desenvolver e a qualificação de adultos é absolutamente necessária para atingirmos as metas europeias. A forma mais rápida de o atingir é qualificar a população adulta, chamando-a novamente para o sistema de ensino», enquadrou o reitor da UAb.

 

 

Até ao dia 14 de Maio, estão abertas as inscrições para as licenciaturas da UAb. As candidaturas – como seria de esperar nesta universidade digital – devem ser feitas online.

Esta será a primeira fase. Mais tarde, haverá uma segunda fase, «mas é importante que as pessoas sinalizem desde já o seu interesse».

«As pessoas podem  optar por fazer todas as unidades curriculares ou escolher apenas algumas, formatando o curso à sua medida», revelou Paulo Dias ao Sul Informação.

A possibilidade de escolha, ao nível da intensidade do estudo, «é muito importante, pois significa que a população adulta tem uma oportunidade de voltar a estudar sem horários e sem limites, pois estuda ao seu ritmo, com a maior flexibilidade. A sala de aula virtual está aberta 24 horas por dia, sete dias por semana».

«Um adulto que está ativo ao nível profissional não tem a mesma disponibilidade de alguém que está na universidade a tempo integral. Estas pessoas têm de ter a liberdade de procurar a hora a que mais lhes convém estudar, de acordo com o que é a sua vida. No limite, podem vir no autocarro e estar a assistir a uma aula (risos)», referiu Paulo Dias.

Ao qualificar-se, estes cidadãos «vão ter novas oportunidades para serem mais criativos e inovadores no seu posto de trabalho ou para desenvolver novas formas de trabalho».

 

Foto: Pablo Sabater/Sul Informação

 

Conseguir formar 50 mil adultos, na sua larga maioria pessoas com emprego e vidas familiares complexas, em cerca de uma década, não será tarefa fácil.

Para conseguir atingir estes números, «a Universidade Aberta terá de trabalhar em consórcio com as outras instituições», naquele que será «um grande desafio para o país e para as universidades».

Isto, na visão do reitor Paulo Dias, «só pode ser visto como uma vantagem, pois os nossos alunos passam a ter diplomas de  duas, três ou quatro instituições. No fundo, podem estudar nas melhores universidades do país e não só, pois os consórcios podem ser estendidos a universidades estrangeiras».

«Já temos consórcios com universidades como a de Coimbra ou a do Algarve. Os alunos desses cursos vão ter um diploma que é simultaneamente da UAb e da Universidade de Coimbra ou da do Algarve», disse.

No caso da UAlg, é «um parceiro estratégico de longa data» da UAb e «continuará a sê-lo». As duas IES oferecem, em conjunto, um doutoramento em Media e Arte Digital, que aceita 20 alunos por curso e demora três anos.

Com a regulamentação que será aprovada, a parceria com a Universidade do Algarve deverá ser aprofundada.

«Vamos agora estudar e preparar novas abordagens que vão para além do curso de doutoramento. O mesmo é válido para outras instituições com as quais já colaboramos, como a Universidade de Coimbra, o Instituto Politécnico de Castelo Branco, o Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa e a Universidade Nova».

«A nossa ideia é refundar estas parcerias, no sentido de as tornar mais alargadas e tornar maior o seu espaço de ação. O novo regulamento jurídico não só cria um enquadramento legal para estas parcerias como encoraja as instituições a juntar-se para atingir este objetivo dos 50 mil adultos formados até 2030», explicou Paulo Dias.

«Esta é uma inovação profunda no nosso sistema de ensino», acredita.

 

Paulo Dias Reitor da Universidade Aberta_Foto UAb

 

Além da parceria que mantém há muitos anos com a UAlg, a Universidade Aberta tem uma presença física no Algarve, mais precisamente em Silves, onde se encontra instalado um centro local de aprendizagem desta universidade.

«Não se trata de uma sala de aula. É um local onde se faz exames, mas que também acolhe atividades culturais de apoio aos alunos da região onde está instalado. Realizamos encontros, conferências, palestras e tudo o mais que consideremos necessário, como forma de dinamização, mas também de criação de alguma proximidade entre os alunos», explicou ao Sul Informação o reitor da UAb.

Com o previsível aprofundar das relações com a Universidade do Algarve, o centro local de aprendizagem de Silves deverá ganhar uma nova dinâmica. «Este centro ganhará uma nova expressão e ficará cada vez mais forte, pois, no fundo, reflete toda a atividade que temos com o Algarve e que pretendemos tornar ainda mais forte», concluiu o reitor Paulo Dias.

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