Paço Episcopal abre ao público porque «património da Igreja é de todos»

Sul Informação esteve presente na inauguração e entrevistou D. Manuel Neto Quintas, o Bispo do Algarve

«A Igreja tem um património que tem de ser aberto e que é de todos. Não fazia sentido não o dar a conhecer». Desde esta quinta-feira, 11 de Abril, que, quem quiser, já pode visitar o Paço Episcopal de Faro, a casa do Bispo do Algarve, e maravilhar-se com a coleção de azulejos do século XVIII, distribuída pelo átrio, escadaria e três salas de aparato. 

Foi durante o bispado de D. Afonso Castel-Branco (1581-1585) que se deu a construção do Paço Episcopal, mas um grande acontecimento da nossa História deixou marcas profundas no edifício.

Após o Terramoto de 1755, o Paço foi reedificado e ampliado por D. Frei Lourenço de Santa Maria (1752-1783). O interior, decorado com azulejos do século XVIII, é um dos ex-libris.

 

 

«Este é certamente um dia muito feliz para a Diocese do Algarve. Abrir este edifício ao público é seguir o apelo do Papa Francisco, que nos diz que a Igreja se deve dar a conhecer a todos. Temos aqui um património impressionante, ao nível dos azulejos, e era uma pena não estar disponível para ser visitado», considerou D. Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve, ao Sul Informação. 

Foi da parte do chefe máximo da Igreja na região que partiu a ideia de abrir as portas de sua casa a todos, mas, para tal, houve a necessidade de fazer obras profundas.

«Não foi fácil. As obras empenharam muito a Diocese, porque foi trabalho qualificado. Fizemos a recuperação dos azulejos, porque muitos já se estavam a desfazer. Também tivemos de substituir as janelas do rés do chão e do primeiro andar. Nestes edifícios, já se sabe, aparece sempre mais qualquer pequena intervenção a fazer. Felizmente, tivemos a ajuda de técnicos do Museu de Faro e de arquitetos», explicou o Bispo do Algarve ao nosso jornal.

Mas, no final, valeu pena porque, quem assim o desejar, já pode visitar o Paço Episcopal e percorrer as três salas que o compõem, apreciando painéis como o alusivo à virtude teologal da Caridade ou o relacionado com as cinco virtudes – Prudência, Fé, Esperança, Justiça e Fortaleza.

O primeiro espaço chama-se “Sala da Unidade” e servia como uma espécie de antecâmara antes de os convidados se encontrarem com o prelado.

A seguir ergue-se a “Galeria dos Bispos”, espaço onde o Bispo recebia as pessoas e que é embelezado com retratos de vários antigos chefes da Igreja no Algarve, como D. Frei Lourenço de Santa Maria. No fim encontra-se a “Antiga Sala do Trono”, espaço que era utilizado para grandes cerimónias.

 

 

Na opinião de Rogério Bacalhau, presidente da Câmara de Faro, a abertura do Paço Episcopal contribui «para a afirmação cultural de Faro e do Algarve».

Por sua vez, Adriana Freire Nogueira, diretora regional de Cultura do Algarve, também presente na inauguração, realçou a necessidade de «manter, preservar e mostrar o património da Igreja». Por isso, a abertura do Paço Episcopal também deve ser «matéria de reflexão da importância do Cristianismo na nossa cultura».

Para que a «preservação e conservação» de todo o espaço possa continuar, as entradas vão ser pagas: 2,5 euros para o público em geral, valor que desce para 2 euros em caso de estudantes com menos de 25 anos ou para pessoas com mais de 65. Até aos 14 anos, a entrada é gratuita.

O Paço está aberto de segunda-feira a sábado, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

«Haverá duas pessoas a trabalhar aqui de forma permanente e teremos visitas guiadas sempre que for possível», garantiu D. Manuel Neto Quintas ao nosso jornal.

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

 

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