Culatra deu primeiro passo rumo à transição energética

Trabalho mais efetivo começa agora e, até ao Verão, terá de estar pronta a Agenda para a Transição Energética

Foto: Fabiana Saboya | Sul Informação

Um primeiro passo rumo à transição energética da Ilha da Culatra. É assim que é encarado o protocolo assinado esta terça-feira, 26 de Março, entre o Secretariado Europeu para as Energias Limpas nas Ilhas (Clean Energy for EU Islands Secretariat), a Universidade do Algarve (UAlg), a Câmara de Faro, a Associação de Moradores da Culatra e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.

Desde o mês passado que se sabia que a Culatra tinha sido uma das seis ilhas piloto escolhidas para um projeto europeu de transição para energias limpas, mas, só agora, é que essa parceria foi materializada.

No fundo, a partir deste momento é que começará o trabalho efetivo.

«Tudo se vai definir a partir de agora. Queremos escolher uma estratégia para podermos fazer as candidaturas às várias fontes de financiamento europeu. A assinatura do protocolo foi um primeiro passo pois esta foi a primeira vez que o secretariado veio ao Algarve», explicou Jânio Monteiro, investigador da UAlg e um dos responsáveis pelo projeto.

 

Assinatura do protocolo

Quanto à questão das candidaturas, tendo «a chancela de um secretariado europeu, fica mais fácil ter aprovação das que se venha a fazer», disse.

Mas a ajuda não fica por aqui. Haverá ainda, da parte do secretariado, apoio para fazer «um mapeamento de qual é a situação, a nível energético, da Culatra». Esse será, aliás, o «primeiro trabalho a fazer», depois de um levantamento «muito inicial» já feito.

Certo é que o grande objetivo de todo o projeto “Culatra 2030 – Comunidade Energética Sustentável” passa por tornar a ilha piscatória autossuficiente do ponto de visto energético.

«Energia solar e eólica são também duas das fontes que queremos usar. A parte eólica facilmente vai gerar uma grande quantidade de energia», exemplificou Jânio Monteiro.

Outras ideias passam, por exemplo, pela instalação de uma estação de reciclagem, pelo uso de barcos elétricos ou por implementar processos de dessalinização da água.

Tudo isto vai ser analisado também do «ponto de vista das autorizações». «Não queremos fazer nada que não possamos porque ali é uma zona de Parque Natural da Ria Formosa e temos de o respeitar», disse o investigador.

 

Jânio Monteiro

Até o Verão deste ano, a Agenda para a Transição Energética tem de estar pronta, um documento que vai «definir como tornar a ilha, em especial na parte elétrica, autossuficiente».

No decurso desse processo, serão debatidas soluções com grupos de peritos, incluindo investigadores e associações empresariais.

Este é um projeto que tem colhido grande aceitação da parte dos culatrenses. Sílvia Padinha, presidente da Associação de Moradores, também esteve presente na assinatura do protocolo, onde referiu que «todos somos responsáveis pela mudança».

«O feedback da população tem sido bom. Estamos empenhados. Vai demorar algum tempo, mas queremos e precisamos desta mudança porque nós, que vivemos dos recursos, temos de ser os primeiros a defendê-los», referiu.

No entender de Sílvia Padinha, este «não é um desafio, mas o desafio». «Vamos levar este barco a bom porto para tornarmos a Culatra um exemplo», disse, sem rodeios.

Aliás, esta foi uma ideia defendida também por Francisco Serra, presidente da CCDR Algarve, e por Alexandra Teodósio, vice-reitora da UAlg.

 

«O assunto é muito importante pela aplicação que pode ter para o futuro. A conclusão deste projeto pode ter implicações de boas práticas para tantas outras partes do mundo», explicou, por exemplo, Francisco Serra.

Mas, para o “Culatra 2030” ser um sucesso, é necessário o envolvimento de todos. Da parte da Câmara de Faro, o vereador Carlos Baía garantiu: «contem connosco».

Pelo menos destas cinco entidades – Secretariado Europeu para as Energias Limpas nas Ilhas, UAlg, Câmara,  Associação de Moradores e CCDR Algarve – o apoio está garantido, bem como de alguns privados que já se associaram ao projeto, como a Sunconcept.

O objetivo, esse, é comum a todos: tornar a Culatra, núcleo piscatório centenário onde moram cerca de 400 famílias, um exemplo de como é possível viver só com energias limpas.

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

 

 

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