Alunos algarvios em Greve Climática porque «não há Planeta B»

Centenas de jovens apelaram ao combate às alterações climáticas em Faro

«Estamos hoje aqui para tentar causar impacto, de modo a que o Governo olhe a sério para as alterações climáticas e para aquilo que tem de fazer para dar à nossa geração e às que aí vêm um futuro minimamente promissor», resumiu Margarida Roxo, uma das organizadoras da Greve Climática Estudantil no Algarve.

A jovem farense foi a principal animadora da marcha que centenas de estudantes algarvios fizeram esta manhã pelas ruas de Faro. Muito entusiasmo e palavras de ordem, escritas e gritadas, a apelar à ação contra as alterações climáticas, como “Não há Planeta B” ou  “É tempo de mudar antes que o tempo mude”, marcaram esta iniciativa, que juntou jovens de vários locais do Algarve.

«Ao princípio, só estavam previstas marchas em Lisboa, Porto e Coimbra. E eu enviei uma mensagem à página da Greve Climática Estudantil, a nível nacional, a dizer que estaria na manifestação em Lisboa, mas que também faria sentido que acontecesse aqui no Algarve», contou ao Sul Informação a estudante da escola Tomás Cabreira, de Faro.

«Eles rapidamente mostraram interesse em que eu me juntasse à organização. Então, eu juntei um núcleo, com colegas da Tomás Cabreira, do Liceu [Secundária João de Deus] e da Pinheiro e Rosa, bem como de escolas de Tavira, Portimão, VRSA, Quarteira e Loulé e conseguimos organizar esta marcha», acrescentou Margarida.

 

 

Foi de Loulé que veio Mary Quevedo e trouxe muito entusiasmo consigo. «Nós, os jovens, somos a força e isto é a força a unir-se. Todos temos o direito de lutar pelo que queremos. A nossa geração pode fazer a diferença. Estamos aqui hoje a tentar transmitir a ideia de que ainda há muito a mudar e de que ainda temos tempo. Temos que agir!», afirmou.

Para a estudante louletana, que seguia na primeira linha da marcha, cada um deverá fazer sua parte, nomeadamente «reutilizar, reciclar, usar menos plásticos e andar de transportes públicos. Enfim, tudo o que possamos fazer para melhorar o planeta».

Mary não esconde que tem «muito medo pelo futuro. Não são os governantes de hoje que estarão vivos. A minha geração é que vai sofrer as consequências».

 

 

Foi, também, pelos seus potenciais filhos que Emilsen e as suas colegas da Pinheiro e Rosa saíram à rua e se juntaram à Greve Climática Estudantil.

«Claro que quero um futuro melhor para os meus filhos. Estamos aqui para sensibilizar a população para, pelo menos, diminuir o lixo que produzem. Se cada um fizer a sua parte, já ajuda muito», acredita o jovem.

Emilsen tenta fazer a sua parte, ao «reciclar e não jogar o lixo para o chão» e procura que lá em casa façam o mesmo. «Alguns já aderiram, mas nem todos (risos)».

A Greve Climática Estudantil é uma iniciativa criada e constituída por jovens estudantes distribuídos por todo o país. «Este movimento tem vindo a promover a consciencialização acerca dos problemas climáticos, (e consequentemente, a postura do nosso país perante os mesmos), através de sessões de sensibilização em escolas secundárias e no ensino superior», segundo a organização do evento, no Algarve.

Esta foi uma manifestação «estudantil, apartidária e pacífica» e é «a resposta de Portugal ao apelo que Greta Thunberg tem feito a todos os jovens do mundo, através do movimento internacional #SchoolStrike4Climate #FridaysForFuture».

«A pioneira desta onda de manifestações pelo combate às alterações climáticas convocou uma greve estudantil mundial para dia 15 de Março de 2019 para apelar à manifestação face às ineficientes medidas tomadas pelos governos de todo o mundo. Achámos que o Algarve deveria ter uma palavra a dizer, pelo que foi criado um núcleo em Faro», acrescentaram os estudantes que organizaram a iniciativa.

 

Fotos: Hugo Rodrigues|Sul Informação

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