Produtores de citrinos do Algarve juntam-se a pensar na internacionalização

Associação AlgarOrange junta nove dos maiores produtores de citrinos do Algarve

Foto: Hugo Rodrigues|Sul Informação

Junta nove dos principais produtores de citrinos do Algarve, que, entre si, produzem mais de cem mil toneladas destes frutos por ano, o que representa 30% da produção algarvia . A associação AlgarOrange nasceu em Agosto passado para «potenciar, valorizar e defender os citrinos do Algarve», mas também com o objetivo de consolidar a internacionalização deste setor.

A Cacial, a Frusoal, a Frutalgoz, a Frutas Martinho, a Frutas Tereso, a Machorra e Filhos, a Parafrutas, a Matinhos e a Frutas Lurdes Guerreiro e Filhos são os sócios fundadores da associação, que se deu a conhecer durante a conferência Laranja XXI, realizada no âmbito de mais uma Mostra Silves Capital da Laranja.

Segundo José Oliveira, da Cacial e presidente da AlgarOrange, o objetivo primário desta associação é «promover a união e organização do setor dos citrinos», na região.

«O interesse individual de cada produtor pode ser ligado ao interesse coletivo. Penso que já há uma maturidade na fileira que permite atingir este objetivo, apesar de não ser fácil», declarou.

«Cada um de nós pensa, pelos conhecimentos ou potencial que tem, que é capaz de vender melhor que todos os outros. Isso não é verdade. O que estamos a fazer é degladiar-nos e a prejudicar-nos uns aos outros», reforçou José Oliveira, durante a conferência Laranja XXI, que o Sul Informação acompanhou.

 

José Oliveira

O presidente da direção da AlgarOrange diz ter noção de que «o nosso caminho não é fácil. Desta forma, numa primeira fase, queremos potenciar aquilo que nos une».

E o que une os produtores do Algarve é, desde logo, a vontade de fazer bons negócios. Assim, a aposta destes nove produtores foi a de juntar forças para promover os citrinos algarvios fora de portas, para tentar entrar noutros mercados ou consolidar a presença em países onde já têm clientes.

Para isso, a Algarorange já apresentou «uma candidatura ao CRESC Algarve 2020, tendo em vista a internacionalização».

Esta proposta tem também uma componente voltada «para dentro do Algarve», uma vez que contempla ações promocionais dos citrinos do Algarve «junto da hotelaria», de modo a «levar o nosso produto aos turistas que vêm do exterior».

«Também vamos marcar presença nas principais feiras internacionais e apostar no mercado canadiano», que é visto pelos citricultores membros da associação como sendo de grande potencial.

José Oliveira salientou que «a comercialização conjunta ainda é algo que está longe», mas que é algo que a associação «não retira do seu horizonte».

Deu, mesmo, como exemplo as experiências de sucesso dos produtores de maçã de Alcobaça e de Pêra Rocha. «Demorou tempo? Claro! Mas chegaram lá».

 

 

Uma das questões a resolver, antes de arriscar dar um salto para esta comercialização conjunta está ligada à Indicação Geográfica Protegida dos citrinos do Algarve, reconhecida pela União Europeia desde 1996. Esta certificação, gerida pela Uniprofrutal – União dos produtores horto-frutícolas do Algarve, mas não tem trazido, na visão de José Oliveira, as vantagens desejadas aos produtores.

«Não nos queremos substituir à Uniprofrutal, mas temos a vontade de nos sentar à mesa com eles para chegar a um entendimento», disse o também dirigente da Cacial, antiga Organização de Produtores – hoje cooperativa – que impulsionou a criação da IGP.

No fundo, os produtores que se associaram na AlgarOrange, querem «ter uma palavra a dizer na dinamização e gestão desta marca».

José Oliveira acredita que se houvesse mais produtores a apostar em obter esta certificação, isso traria grandes vantagens. «A potenciação desta marca é a potenciação da nossa capacidade de comercialização».

E a IGP não «é uma marca fechada», ainda que obrigue os produtores «a cumprir o caderno de encargos», nomeadamente em relação às variedades usadas.

«Nos últimos três anos, foram produzidas, em média, 10 mil toneladas de citrinos IGP. Isso não é nada, é uma gota de água na produção que temos no Algarve», ilustrou.

 

Foto: Hugo Rodrigues|Sul Informação

Também aberta é a associação AlgarOrange que está disposta a acolher mais produtores. «Ainda não aprovámos o regulamento interno [os órgãos sociais da associação foram eleitos em Setembro], mas assim que ele exista, quem quiser aderir poderá fazer uma proposta, que será analisada à luz desse regulamento», assegurou José Oliveira.

Quem não tem dúvidas da importância desta nova organização é Pedro Valadas Monteiro, diretor regional de Agricultura e Pescas do Algarve, que desejou que a AlgarOrange, «dentro de um ano, represente não apenas 30%, mas sim 50 ou 60% ou mais da produção que é feita na região».

Também Miguel Freitas, secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, que ajudou a inaugurar a Mostra Silves Capital da Laranja, fez questão de enaltecer «esta nova vaga de organização dos produtores de citrinos algarvios».

O membro do Governo, que é algarvio, conhece bem este setor, tendo em conta que foi diretor regional de Agricultura do Algarve entre 1996 e 1998, altura em que foi reconhecida a IGP dos citrinos algarvios.

«Os produtores começaram a perceber que é mais fácil fazer juntos do que isoladamente. E isso é muito importante. Esta nova associação, a AlgarOrange, é uma iniciativa que me parece que está posicionada no sítio certo, para que, em conjunto, possamos fazer abordagens, quer no mercado interno, quer no externo», considerou Miguel Freitas.

 

A AlgarOrange em Números:

– 9 Produtores

– 495 trabalhadores

– 6100 hectares de área de produção

– 100 mil toneladas de produção/ano

– 72 milhões de euros de volume de negócios/ano

– 17,4 milhões de euros em exportações

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