Médicos de todo o país aderem em força ao Curso Urgência no Algarve

Este tipo de formação é «determinante para fixar jovens médicos no Algarve», acreditam os seus organizadores

Mais vagas houvesse e mais médicos teriam participado no Curso Urgência no Algarve 2019, que decorreu de 6 a 8 de Fevereiro, na Universidade do Algarve. Na sua 3ª edição, a ação de formação contou com reputados especialistas das mais diferentes áreas, como palestrantes, e atraiu clínicos de todo o país e até de além-fronteiras.

Este curso, que se dirige, principalmente, a médicos internos, nomeadamente aos de Formação Geral (internato de 1º ano), visa dar ferramentas aos clínicos para melhor trabalhar nas urgências, um serviço de grande exigência.

Em 2019, esta ação de formação que foi, inicialmente, lançada pelo Núcleo de Formação e Investigação dos Médicos Internos do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), em parceria com o Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina (DCBM) da Universidade do Algarve, deu um grande salto qualificativo, assegurou ao Sul Informação o jovem médico Nuno Mourão Carvalho, da comissão organizadora do curso.

«Este ano, o crescimento em termos de qualidade do curso foi grande e esgotámos as vagas. Até tivemos de mudar para um auditório maior», segundo o clínico do CHUA.

Além dos 50 palestrantes convidados serem «os mais reconhecidos especialistas nas suas áreas», a edição deste ano do Curso de Urgência teve um aliciante extra, o facto de conferir uma certificação exigida pela Ordem dos Médicos aos internos de Formação Geral e de conferir créditos do Sistema Europeu de Transferência de Créditos (ECTS).

«O curso é certificado pela Universidade do Algarve e foi aprovado pelo Conselho Científico do DCBM e pela Ordem dos Médicos. O objetivo que traçámos no ano passado já foi atingido», ilustrou Nuno Mourão Carvalho.

 

 

Entre os participantes neste curso gratuito – «uma formação gratuita desta natureza e com esta dimensão é algo inédito em Portugal» – estiveram, desde logo, «os cerca de 180 médicos que chegaram este ano ao Algarve, quer para fazer a Formação Geral, quer para as especialidades».

Mas também vieram mais de 30 clínicos de «quase todos os centros hospitalares do país, nomeadamente de Braga e de Lisboa», bem como «todos os internos do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo». Houve, ainda, um contingente internacional, nomeadamente vindo da República Checa.

Ao todo, o evento envolveu cerca de 300 médicos, entre palestrantes – que foram 50 -,  internos e clínicos com a formação na especialidade já concluída.

Para Nuno Mourão Carvalho, a realização deste curso «não é apenas importante, mas sim determinante para ajudar a fixar jovens médicos no Algarve».

«A região algarvia é muito esquecida pelo poder central, no que toca à saúde. O setor está sub-financiado, no Algarve, e a única forma que se tem encontrado para lutar contra isso é apostando na formação e no trabalho científico e académico», explicou o médico do CHUA.

Este curso, bem como as oportunidades de investigação, que «já são muitas e continuam a crescer», são já um reflexo do trabalho de parceria realizado entre o DCBM da UAlg e o CHUA, consubstanciado no Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve (ABC), que são as entidades que estão envolvidas nesta formação.

 

 

Assim, todos os médicos que estão a ser formados no Algarve têm lugar reservado neste curso. Já quem vem de fora tem de se sujeitar às vagas existentes, que este ano não foram suficientes para as solicitações.

Tendo em conta a elevada procura, aquela que, «provavelmente, é a maior formação institucional do país, nesta área», vai conhecer novo impulso, em 2020, e crescerá «em qualidade e em capacidade de resposta».

«Para o ano, vamos utilizar o Grande Auditório do Campus das Gambelas, que tem capacidade para 420 pessoas. Já temos um plano de evolução delineado e prevemos a publicação de um manual do curso», contou Nuno Mourão Carvalho.

Para já, os médicos que participaram na edição de 2019 podem aceder a todas as palestras em formato digital, material «que tem sido muito solicitado».

 

Fotos: Centro Hospitalar Universitário do Algarve

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