Exposição do fotógrafo João Mariano nomeada para o Prémio Autores SPA|2019

A exposição foi o resultado de um projeto de João Mariano, que vive e trabalha em Aljezur

A exposição “Trezentos e Sessenta e Seis” , do fotógrafo de raízes algarvias João Mariano, que esteve patente no final do ano passado no Centro Cultural de Lagos, está nomeada para o Prémio Autores SPA|2019, na categoria de Artes Visuais – Melhor Exposição de Fotografia.

Os outros nomeados para este prémio da Sociedade Portuguesa de Autores, nesta categoria, são “Branco”, de Luísa Ferreira, na Galeria Monumental, em Lisboa, e ainda “Geografia Dormente”, de Mónica de Miranda, na Galeria Municipal de Arte de Almada .

A Gala Prémio Autores SPA |2019 terá lugar no próximo dia 27 de Março, às 21h30 no Centro Cultural de Belém e será transmitida em direto pela RTP2.

A exposição foi o resultado de um projeto de João Mariano, que vive e trabalha em Aljezur, terra natal dos seus pais.

Todos os 366 dias de um ano bissexto, entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro e entre as 8 e as 9 horas da manhã, João Mariano pegou na sua máquina e fotografou a paisagem da várzea que se avista da sua casa, em Aljezur, sempre exatamente do mesmo ângulo. A fotografia era sempre igual, poderia pensar-se, mas, na realidade, era sempre diferente.

Dessas, uma vintena de imagens a preto e branco – o monocromatismo é o que João Mariano prefere para o seu trabalho mais pessoal – estiveram em exposição no Centro Cultural de Lagos, entre meados de Setembro e o final de Dezembro de 2018.

O exercício de fotografar todos os dias, à mesma hora e com o mesmo ponto de vista, exatamente a mesma coisa, não é propriamente original. João Mariano admitiu, na inauguração da mostra, que se inspirou numa personagem de um filme de Wayne Wang e Paul Auster. Mas as suas fotos, essas, são totalmente originais e únicas.

«No filme Smoke, realizado por Wayne Wang e Paul Auster (com argumento deste último), Augustus “Auggie” Wren (Harvey Keitel), trabalha na Brooklyn Cigar Store e todos os dias, às oito da manhã, fotografa a sua esquina de Brooklyn (a esquina da Third Street com a Seventh Avenue), Nova Iorque. Não vai de férias, não sai para lado nenhum devido ao seu hobby. Quando mostra as fotografias todos lhe dizem que são iguais… e ele fica altamente indignado, pois todas são, a seu ver, bastante diferentes. Este meu projeto tem nele a sua grande fonte de inspiração», explicava o artista no catálogo da exposição.

Este é, acrescentou na inauguração, «um projeto que pretende refletir sobre as mutações infinitas da paisagem. Um projeto sobre ciclos. Ciclos que tendem a parecer idênticos e que visualmente até se podem aproximar, ser semelhantes, mas… nunca iguais».

«É também um exercício sobre a irrepetibilidade do ato de fotografar. Sobre a efemeridade. É um trabalho que apela, também ele, à reflexão sobre a passagem do tempo (o tempo físico, o tempo de observação, o nosso tempo, o tempo dos ciclos da natureza…), sobre a infinita diferenciação e o desencadear das mutações paisagísticas provocada pelos elementos».

As vinte fotografias monocromáticas mostram todo o encantamento da paisagem, as marcas que as estações do ano, o tempo, os trabalhos agrícolas nela vão deixando. E a mais surpreendente talvez seja mesmo aquela foto opaca de uma manhã de nevoeiro.

João Mariano nasceu em Lisboa, em 1969, mas as suas raízes familiares estão em Aljezur. Durante os últimos anos, tem dedicado especial atenção ao SW português, em particular à área abrangida pela Costa Vicentina.

Publicou já diversos livros sobre esta região. Em 2014, desenvolveu o projeto “O Conhecido Desconhecido”, uma abordagem muito pessoal ao litoral do concelho de Lagoa e no final de 2016 foi publicado “Costa do Mar”, um grande volume síntese dos seus projetos mais pessoais desenvolvidos no extremo sul de Portugal.

Tem vindo, igualmente, a desenvolver vários outros estudos e ensaios que têm sido editados e expostos um pouco por todo o lado.

Atualmente, para além de se dedicar a projetos pessoais na área da fotografia, desempenha funções de CEO e diretor de arte na 1000olhos, uma agência de Imagem e Comunicação, sediada em Aljezur, que fundou com a sua mulher em 2001.

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