Uma estreia, um reencontro e um pianista virtuoso no Teatro das Figuras

O maestro Osvaldo Ferreira vai voltar ao Teatro das Figuras, desta vez à frente da Orquestra Filarmónica Portuguesa

Foto: Hugo Rodrigues|Sul Informação

É uma estreia, mas também um reencontro. A Orquestra Filarmónica Portuguesa (OFP) vai atuar, pela primeira vez, no Teatro das Figuras, em Faro, no dia 9 de Fevereiro, e será dirigida pelo maestro Osvaldo Ferreira, que já foi diretor do espaço cultural farense e tem uma forte ligação ao Algarve.

O Sul Informação falou com Osvaldo Ferreira sobre o seu regresso a Faro, onde apresentará um projeto do qual foi co-fundador, em 2016.  Segundo o maestro, esta atuação tem tudo para se tornar memorável.

Nesta primeira apresentação na capital algarvia, a OFP será acompanhada a solo por Raúl da Costa, «um dos mais talentosos pianistas da atualidade e, quem sabe, aquele que virá a ser quase uma segunda Maria João Pires, em termos de projeção internacional».

O pianista convidado a acompanhar a Orquestra Filarmónica Portuguesa neste concerto «está a fazer uma carreira fulgurante na Alemanha, venceu competições e concursos internacionais», pelo que, «de certa forma, foi uma sorte ele ter aceite vir tocar connosco».

«Vamos tocar obras muito populares, de que as pessoas gostam. Temos o concerto para piano de Tchaikovsky, que bate recordes de bilheteira e do qual as pessoas gostam muito, principalmente quando é tocado por um virtuoso. E, depois, temos aquela que é uma das mais belas obras do período romântico, a 3ª Sinfonia de Johannes Brahms, que também tem peças muito conhecidas», contou Osvaldo Ferreira.

«Penso que temos um cartaz muito interessante e que será uma grande noite da música de concerto do período romântico», reforçou.

 

 

O maestro confessa que será «um prazer» tocar em Faro, já que o Teatro das Figuras «é um belo auditório». «E não o digo por dizer. Sou, de certa forma, prata da casa. Foi mais uma década que trabalhei aqui e sei que tem condições acústicas do melhor que há em todo o mundo. O Teatro das Figuras tem essa particularidade de ser uma sala onde se pode ouvir música ao mais alto nível», disse.

«Sob o ponto de vista afetivo, esta também é uma noite especial para mim. Gostaria muito de ter a casa cheia, porque trabalhei aqui durante uma década e deixei muitos amigos no Algarve», confessou ao Sul Informação.

A própria história da Orquestra Filarmónica Portuguesa, que Osvaldo Ferreira ajudou a fundar em 2016, está ligada ao Algarve. «O nosso primeiro programa foi feito em parceria com um festival no Norte e com o Auditório de Lagoa. Desde então, já estivemos por diversas vezes na região. Agora, finalmente, vamos a Faro, que é uma cidade que tem um público muito fiel à música clássica», disse.

E a relação com a região não podia estar a correr melhor : «Todos os concertos que demos na região esgotaram», revelou o antigo diretor do Teatro das Figuras, diretor da Orquestra do Algarve e programador do “Allgarve”.

Como tal, não é de admirar que já em Março, Osvaldo Ferreira venha passar uma semana «muito intensa» a Loulé  e traga a OFP consigo. «O Paulo Pires, o programador do Cine-Teatro Louletano, e a Dália Paulo [Diretora Municipal CM Loulé] decidiram convidar um conjunto de personalidades, algumas delas para fazer residências artísticas, entre as quais me incluo. A ideia é ir às escolas, motivar as crianças, falar do ensino e do mundo da música», explicou.

«Por outro lado, à noite irei falar para o público em geral sobre a arte e a música. Numa das noites, a pianista que será a solista no concerto do fim de semana vai dar um pequeno recital, comentado. Na sexta-feira, vou trazer um conjunto de músicos para fazer um “Carta Branca com Osvaldo Ferreira”, em que vamos fazer uma brincadeira com a música desde o barroco até aos nossos dias», acrescentou.

No sábado, o maestro vai dar uma masterclass de ensino para cordas, «baseada nas novas metodologias sobretudo no método Suzuki, que eu trouxe para Portugal há 20 anos».

Esta passagem por Loulé termina com um concerto da Orquestra Filarmónica Portuguesa no Cine-Teatro Louletano, mas dirigida pelo maestro Tobias Volkman.

 

 

A OFP é uma formação jovem, não só pelos seus pouco mais de dois anos de existência, mas também porque aposta muito na juventude.

«Muitos dos nossos músicos tem 20 e poucos anos. Claro que também temos alguns músicos mais experientes, nomeadamente os chefes de naipe. Esta geração que foi agora formada é a melhor de sempre de músicos portugueses», afirmou.

«Muitos dos nossos colaboradores estão lá fora a trabalhar, a estudar e a concluir doutoramentos. Vêm de propósito para tocar connosco. Temos aqui músicos com projetos individuais de grande qualidade», assegurou o maestro, ao Sul Informação.

Neste momento, a OFP «tem cerca de 180 colaboradores», alguns dos quais se vão revezando nos concertos. «Em Faro, vamo-nos apresentar com cerca de 60 músicos. Mas já fizemos uma Sagração da Primavera, no ano passado, com cem músicos».

Esta juventude ajuda à visão que Osvaldo Ferreira tem de um concerto de música clássica, que deve ser divertido e interativo e não algo de demasiado formal. «No concerto que demos em Olhão [na passada semana], as pessoas acabaram todas de pé, a cantar com a solista. Eu avisei logo de início, numa pequena intervenção que fiz, que o que seria mais difícil para quem estava a assistir era ficar quieto e não cantar e dançar (risos)», contou o maestro.

Fotos: Hugo Rodrigues|Sul Informação

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