Prémio Manuel Gomes Guerreiro é o maior alguma vez dado pela Universidade do Algarve

10 mil euros de prémio deverão ser garantidos pelas Câmaras de Faro e Loulé

O Prémio Manuel Gomes Guerreiro tem candidaturas abertas até 31 de Maio e vai dar 10 mil euros a um investigador com obra publicada numa das áreas de conhecimento da Universidade do Algarve (UAlg). Este é o maior prémio, em termos monetários, alguma vez dado pela academia algarvia e esse é um sinal da homenagem ao «ilustre professor e à figura ímpar» que foi o primeiro reitor da UAlg.

O novo prémio foi apresentado esta quinta-feira, 24 de Janeiro, e é uma das grandes novidades da Universidade do Algarve no âmbito do programa de comemorações dos seus 40 anos de existência.

«Este é um momento de particular importância. Manuel Gomes Guerreiro foi uma figura ímpar para a região, para o país e, em particular, para a Universidade do Algarve», começou por dizer Paulo Águas, atual reitor da academia.

Por isso, este é um «prémio de todos» que pretende homenagear um «ilustre professor que se notabilizou nas áreas do ambiente e da sustentabilidade». Manuel Gomes Guerreiro, nascido em 1919, era, de resto, engenheiro silvicultor, profissão que começou a exercer em 1943.

Sejam investigadores portugueses ou estrangeiros, todos podem concorrer a este prémio desde que a obra publicada – tese ou livro – esteja relacionada com uma das áreas de conhecimento da UAlg (Artes, Comunicação e Património, Ciências Sociais e da Educação, Ciências e Tecnologias da Saúde, Ciências da Terra, do Mar e do Ambiente, Economia, Gestão e Turismo e Engenharias e Tecnologias).

Além disto, os trabalhos têm de ter sido publicados ou em 2018 ou já no decorrer deste ano e não podem ter sido premiados antes.

Na promoção deste prémio, as Câmaras de Faro e Loulé juntaram-se à Universidade do Algarve e, em princípio, vão repartir a despesa: 5 mil euros dados por cada uma das autarquias. O desafio, lançado pela academia algarvia, foi prontamente aceite pelos dois municípios.

«Foi com grande alegria que respondemos positivamente. Manuel Gomes Guerreiro notabilizou-se em áreas que são cada vez mais relevantes pois estão relacionadas com as questões ambientais», disse Vítor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé.

A isto juntou-se, no entender do autarca, o facto de o Município que lidera estar a encetar uma «política de aproximação à Universidade do Algarve».

Já Rogério Bacalhau, presidente da Câmara de Faro, referiu-se a Manuel Gomes Guerreiro como um «algarvio intemporal» que «nos deixou uma obra que sobreviverá eternamente».

«Dissemos logo que sim porque sentimos que devemos muito a Manuel Gomes Guerreiro. A Universidade do Algarve foi um projeto que moldou a região», afirmou o autarca farense.

João Guerreiro

Toda a apresentação deste prémio foi pautada por momentos de evocação daquele que foi o presidente da Comissão Instaladora da Universidade do Algarve, tendo-se tornado o seu primeiro reitor em 1982, funções que deixou de exercer, a seu pedido, em 1986.

Um dos momentos altos foi o testemunho de João Guerreiro, filho de Manuel Gomes Guerreiro e também ele, à semelhança do pai, antigo reitor da Universidade do Algarve.

Sem esconder a emoção, João Guerreiro agradeceu à UAlg e às Câmaras de Faro e Loulé pela instituição do prémio e lembrou o pai com um «nómada científico» que nasceu em Querença e trabalhou em sítios tão diferentes como Alcobaça, Lisboa, Moçambique ou Angola.

«Isso deu-lhe uma bagagem cultural e laboral imensa. Eu e a minha irmã beneficiámos do facto de o meu pai ser um homem do mundo, com uma vida profissional rica», lembrou.

Apesar desta vivência tão diversificada, o projeto da Universidade do Algarve foi um «sonho no qual pôs todo o seu empenho», recordou, por sua vez, Raul Sardinha, amigo de Manuel Gomes Guerreiro e professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia.

Raul Sardinha

«Conforta-me a alegria de ver que esse sonho está consolidado e com marcas inovadoras em algumas áreas. Ainda tenho na memória, na sessão inaugural da Universidade do Algarve, a sua alegria e entusiasmo», disse.

Quem também recordou momentos passados com Manuel Gomes Guerreiro foi Miguel Freitas, o algarvio que é secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento.

«Sou um homem grato por estar nesta homenagem que é, para mim, como uma espécie de viagem ao longo dos textos que escreveu e do seu pensamento consistente e de uma beleza simples. Mas também é um regresso à intimidade das memórias, onde guardo os muito serões que com ele partilhei», disse.

É que, revelou, Miguel Freitas viveu durante «quatro meses» na casa de Manuel Gomes Guerreiro.

«Foram meses muito ricos, de conversas. Recordo o seu carácter sério e formal, não poupando nas palavras, mas dando-lhes sempre um preciso significado. A sua sabedoria era um estímulo permanente à inteligência. Gomes Guerreiro influenciou o meu olhar perante o mundo e a relação com as questões do território e do ambiente, alertando-me para a complexidade dos problemas e para a necessidade de uma análise sistémica», acrescentou.

Miguel Freitas

No fundo, para Miguel Freitas, que recordou um texto publicado em 1951, por Manuel Gomes Guerreiro, que falava da necessidade da valorização da serra algarvia, o primeiro reitor da Universidade do Algarve contribuiu para que o atual secretário de Estado «gostasse mais» da sua profissão.

Este prémio, que tem agora a sua primeira edição, mas cujo objetivo é passar a repetir-se todos os anos, vai ser entregue no dia 12 de Dezembro, na cerimónia do 40º aniversário da Universidade do Algarve.

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

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