Biossimilares são 20 a 30% mais baratos que os medicamentos biológicos de referência

O desenvolvimento de um medicamento biossimilar implica um investimento mínimo de 200 milhões de euros

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Custam, em média, menos 20 a 30% que os medicamentos de referência, têm a sua eficácia comprovada, mas a verdade é que os biossimilares continuam a ser pouco utilizados em Portugal. João Gonçalves, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, alerta para as inúmeras vantagens destes fármacos e para o impacto significativo da utilização dos mesmos nas contas do Estado.

O desenvolvimento de um medicamento biossimilar implica um investimento mínimo de 200 milhões de euros, valor muito inferior ao biológico original, que custa em média mais de mil milhões de euros.

“As vendas globais destes medicamentos são ainda escassas porque não tem sido aproveitada a vantagem do seu baixo custo na redução da despesa pública. Para além disso, estes medicamentos facilitam o acesso a tecnologia biológica de qualidade no tratamento de diversas patologias em populações com recursos limitados”, revela João Gonçalves, que também é investigador da Unidade de Microbiologia e Biotecnologia Molecular do Research Institute of Medicines (iMed).

“Quando olhamos para a inovação dos medicamentos atuais, verificamos que muitos deles estão a evoluir de uma forma extraordinária em termos de eficácia, como é o caso do cancro. O problema é que essa eficácia acarreta custos dificilmente acomodáveis pelo Orçamento do Estado. E é aqui que entram os biossimilares, uma vez que são medicamentos que induzem a poupanças significativas de custos, permitindo, dessa forma, a aquisição de medicamentos inovadores para satisfazer necessidades de saúde”, reforça João Gonçalves.

Os biossimilares são moléculas de elevado peso molecular, com elevada complexidade e produzidas em células ou organismos transgénicos, ao contrário dos medicamentos químicos, que são produtos farmacêuticos derivados de pequenas moléculas, geralmente estruturas simples de baixo peso molecular, sintetizados por métodos químicos.

João Gonçalves é o coordenador do livro “Medicamentos Biossimilares – O estado da arte”, que vai ser lançado num simpósio, organizado pela Sandoz com o apoio da Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa no dia 25 de janeiro, às 11h, no Centro Cultural de Belém. A obra foi prefaciada pelo antigo Ministro da Saúde e professor da Escola Nacional de Saúde Pública António Correia de Campos.

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