Curso de medicina da UAlg formou 200 médicos em dez anos de existência

Este curso da Universidade do Algarve usa um método inovador em Portugal e que se foca muito na parte humana dos médicos formados

Créditos: Depositphotos

O Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da Universidade do Algarve (UAlg) nasceu há dez anos, ao longo dos quais formou 200 médicos, recorrendo a um método inovador, que nunca antes tinha sido testado em Portugal.

Este curso foi uma vitória da academia algarvia, que, após muitos anos a trabalhar para abrir o curso, acabou por ter luz verde para avançar em 2008, numa altura em que Mariano Gago era o ministro da Ciência e Tecnologia.

O curso então criado, na atualidade, recebe 400 candidaturas por ano, para 48 vagas. Os médicos formados na UAlg «encontram-se, atualmente, distribuídos por todo o país e em países europeus, pela maioria das especialidades médicas, como é o caso da Neurocirurgia, Cardiologia, Cirurgia Maxilofacial, Medicina Geral e Familiar (MGF), Gastroenterologia, Urologia e Anestesia», segundo os responsáveis pelo MIM da UAlg.

Esta distribuição «apresenta uma particularidade, que concretiza um dos grandes objetivos deste curso: a fixação de médicos no Algarve, uma vez que mais de um terço dos médicos formados fica na região».

Este foi o primeiro Mestrado em Medicina criado em Portugal, «à semelhança do que já existe na maioria dos países desenvolvidos, exclusivamente para alunos que detenham o primeiro ciclo de estudos universitários».

Um modelo que, ao início, foi visto com reserva pela Ordem dos Médicos, mas que se afirmou ao longo dos anos, também devido à sua forte componente prática. Em 2018, o curso da UAlg foi considerado uma das melhores escolhas para quem procura estudar nesta área científica na Europa no U-Multirank, uma plataforma da União Europeia que traça o perfil das universidades a nível mundial, comparando-as e ordenando-as por rankings de desempenho.

Também este ano, uma equipa de alunos do Mestrado Integrado em Medicina da UAlg venceu o campeonato europeu de simulação médica.

As qualidades humanas dos profissionais a formar são outro enfoque do curso, cujo processo de seleção inclui uma primeira fase de avaliação das suas capacidades cognitivas e linguísticas e outra baseada na avaliação dos valores humanos.

«Na UAlg, queremos formar homens e mulheres com elevado grau de humanismo na sua relação profissional com os doentes, atuando sempre com empatia e compaixão», explicou José Ponte, o fundador deste curso de Medicina.

«A experiência de trabalho com idosos, crianças ou missões em países em desenvolvimento são dois parâmetros de preferência na escolha dos candidatos», reforçou Isabel Palmeirim, presidente do Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina da Universidade do Algarve.

«O objetivo deste curso é o de formar médicos que, para além de terem os conhecimentos teóricos, sejam capazes de comunicar com os doentes e colegas e que tenham a capacidade de executar todas as tarefas com perfeição técnica. Essencialmente, queremos explorar a parte humana da medicina e transmitir esses valores a todos os alunos», disse a atual responsável máxima pelo MIM da UAlg.

Os alunos deste curso também são sujeitos a um contacto precoce com a Medicina Geral e Familiar (MGF), já que «os cuidados de saúde primários são a pedra basilar para a promoção da saúde e para o controlo da doença em sociedades como a sociedade portuguesa».

«Este curso pretende educar os futuros médicos para uma abordagem alargada à pessoa e à comunidade. O contacto com o doente desde a primeira semana de aulas, tutorizado por um especialista em MGF, numa relação de 1:1, é a base para a preparação do médico para qualquer especialidade», enquadram os responsáveis pelo mestrado.

Já com uma boa parte do seu corpo docente acreditado em Educação Médica pela Associação Europeia de Educação Médica, o Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina «tem como objetivo major o desenvolvimento da região do Algarve como um local atrativo para a prática da medicina e formação de jovens médicos».

Neste sentido foi recentemente criado o Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve (ABC – Algarve Biomedical Center), um centro académico empenhado em promover a investigação básica, clínica, translacional e o apoio às necessidades de formação pré e pós-graduada médica do Algarve. Planeia-se também para o final de 2019 a abertura do “Centro de Simulação Médica da UAlg.

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